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São Paulo: Tiago Volpi era tão ídolo no México que 'mal conseguia ir ao shopping'

Tiago Volpi foi o goleiro com a maior pontuação do Prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet (5,93) na 28ª rodada do Campeonato Brasileiro e está na segunda colocação na posição (atrás somente de Diego Alves, do Flamengo). Ele foi foi um dos principais destaques do São Paulo na vitória sobre o Atlético-MG no último domingo.

Antes de chegar ao time do Morumbi, o atleta de 28 anos era um dos maiores ídolos do Querétaro, do México.

Em 2016, Volpi concedeu uma entrevista ao ESPN.com.br na qual relatou que tinha dificuldades até mesmo para andar na rua em locais movimentados.

"O reconhecimento é bem legal e os torcedores têm um carinho muito grande. Para ir ao shopping, por exemplo, se quero aproveitar com a família tem que ser em um dia alternativo. Ir para rua aos finais de semana é complicado. O assédio é grande, muitos autógrafos e fotos (risos). Isso é uma prova do trabalho e do reconhecimento", disse o arqueiro.

Ele disse não teve muitas dificuldades para se adaptar ao México. Em pouco tempo já dominava o idioma e já via filmes e novelas sem legendas.

"O povo é parecido e o amor pelo futebol é muito grande. A única diferença é que no México a torcida respeita muito. Ela sabe que perder faz parte do jogo. No Brasil, depois de uma derrota algumas vezes não pode sair pra jantar que querem te bater na rua".

Outra coisa que impressionou Tiago Volpi foi o fanatismo e a grande presença de público nos estádios. "Nossos jogos sempre tem casa cheia. A média do Querétaro é 30 mil torcedores por jogo. Dos clubes maiores como América, Chivas e Toluca é média é ainda maior".

Carreira

Nascido em Blumenau, Tiago Volpi começou no futebol em sua infância como lateral esquerdo. "Eu tinha um problema porque era sempre expulso por botar mão na bola. Daí, meu pai disse que estava cansado disso: ou eu virava goleiro ou parava de jogar (risos)", contou.

Aos 11 anos ele optou pela profissão que o seguiria até os dias atuais. Depois de se mudar com a família para Santa Cruz do Sul-RS, foi que a brincadeira ficou mais séria.

"Primeiro dia de aula me chamaram para jogar e faltou goleiro. Como eu tinha acabado de chegar e queria me enturmar fui para o gol. Fui tão bem que depois pediram para fazer teste no Avenida", disse.

Ele ainda passou pelo Santa Cruz-RS e pelo São José-RS, antes de atuar pela base do Fluminense.

"Cheguei a ser o quarto goleiro do profissional. Treinava com eles e descia para jogar pelos juniores. Acabou meu contrato com o Flu e voltei ao São José-RS no profissional. Depois de ter jogado 2010, 2011 e 2012 no Estadual eu fui para o Figueirense", afirmou.

No time de Florianópolis, ele permaneceu por quase três temporadas, mas no começo passou por uma grande complicação. "Com uma semana quebrei a perna. Depois voltei e ajudei o time a conseguir o acesso para a Série A do Brasileiro em 2013 depois vencemos o Campeonato Catarinense de 2014. Foi meu primeiro título e tive participação decisiva", recordou.

Considerado um dos melhores arqueiros do Nacional, ele chamou atenção de vários clubes. Neste período ele foi colega de Ronaldinho Gaúcho.

Vice-campeão mexicano em 2015 e semifinalista da Champions League da Concacaf, o goleiro foi campeão da MX Cup no Apertura 2016 e do Supercopa MX em 2017.

Ele estava no futebol mexicano desde 2015 e virou um grande ídolo da torcida. Ele declarou em outubro de 2018 que estava perto de se naturalizar mexicano, o que abriria portas para que fosse chamado pela seleção local. Apesar disso ele disse que desejava voltar ao Brasil para ter mais visibilidade e chegar à seleção brasileira.

Sua saída do clube mexicano foi muito sentida pelos torcedores, que lotaram as caixas de comentários nas redes sociais da equipe.

No São Paulo, ele assinou por empréstimo de uma temporada, com opção de compra. O atleta virou titular desde o começo da temporada.