O meia Axel Witsel é um dos destaques do Borussia Dortmund, que enfrenta a Inter de Milão pela Champions League, nesta quarta-feira. Nascido na cidade de Liège, o jogador de 30 anos e que já movimentou 70 milhões de euros (cerca de R$ 318 milhões pelas cotações) em transferências, tem ligações com o Brasil.
Após deixar o Standard Liège, em 2011, ele atuou pouco mais de um ano no Benfica, ele foi comandado pelo técnico Jorge Jesus, hoje no Flamengo.
“Ele faz parte do meu sucesso. Se hoje estou no Borussia Dortmund, também devo a ele. Quando cheguei ao Benfica, ele andava sempre atrás de mim, todos os dias. Não vou reproduzir as palavras dele, não são bonitas, mas ele queria que eu estivesse em um nível mais alto”, disse à emissora de televisão portuguesa Eleven Sports.
“Javi García (volante espanhol que defendeu o Benfica) me disse que com Jesus era sempre assim, porque ele quer o melhor para os jogadores. Mentalmente, era difícil para mim, mas agora sei que ele estava certo, tinha razão”, afirmou.
Witsel aprendeu "na marra" a falar o idioma português, o que o faz sempre procurar os brasileiros para as tradicionais conversas de vestiário.
"Conheci o Witsel na pré-temporada na China. Engraçado que fala muito bem o português, mas com sotaque de Portugal. Ele é um cara muito aberto e curte uma resenha. Logo no começo, fizemos uma amizade legal porque é brincalhão e adora brasileiros. Até hoje a gente se fala", conta o atacante Júnior Moraes, ex-Santos, que atuou com o meia no Tianjin Quanjian, da China, entre fevereiro e junho de 2017.
Seu apreço pelo Brasil cresceu ainda mais em 2014, quando aterrissou em solo verde-e-amarelo para disputar o Mundial daquele ano. Naquela oportunidade, ele disputou partidas em Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Salvador, além do Rio de Janeiro, cidade pela qual viveu um amor à primeira visita.
"Ele fala que, quando foi para o Brasil, ele gostou muito, mas que ainda tem que conhecer muita coisa. Ele gostaria de conhecer mais o Rio, queria ter mais tempo, mas a filha dele nasceu há pouco tempo, né? Vai fazer seis meses agora, eu acho, então me falou que mais para frente, quando tiver a chance, que ele vai voltar", comenta o brasileiro.
"Quando teve o primeiro jantar do time na China, ele dançou umas músicas engraçadas africanas ou francesas. O time todo ficou surpreso porque ele dança muito bem (risos). Fiz um jantar em casa também, que a gente ficou conversando, fez live no Instagram cantando música brasileira, cantando música internacional, jogamos videogame com o [Alexandre] Pato, que sempre diz que é o melhor, mas ganhamos (risos), relembra.
Titular do Dotmund, Witsel é titular absoluto no esquema de Lucien Favre.
"Ele joga muito. É um tradicional box-to-box [área a área], cara que marca muito e ajuda ofensivamente, dá assistências, faz gols e faz um pouquinho de tudo. E muito bem feito, é um dos melhores que eu vi jogar, completo", elogia Moraes.
AJUDA "DE PESO"
Considerado um dos grandes meio-campistas do mundo, Witsel chegou com status de craque ao Zenit, da Rússia, em 2012, após ser contratado por 40 milhões de euros para fazer parceria com o atacante brasileiro Hulk.
O "tamanho" de ambos, contudo, fez com que os próprios companheiros no clube russo ficassem com ciúmes e iniciassem uma espécie de retaliação nos treinos e jogos dos "Аzul-Branco-Turquesas".
"No nosso primeiro ano no Zenit, chegamos lá e os jogadores da seleção russa falavam do nosso salário na mídia, que não éramos Messi, nem Iniesta. A gente fazia gols e eles nem comemoravam. Davam as costas. Foi difícil. Foi aquela ciumeira", rememora Hulk, em entrevista dada ao programa Bola da Vez.
"Uma vez, os caras estavam batendo no Witsel em um treino. O lateral-direito chutou na maldade o tornozelo umas três vezes e não pediu desculpas. Daí, eu recebi a bola e dei uma mãozada no peito dele. Ele caiu e levantou. Eu peguei ele pela camisa, virei para o tradutor e falei: 'Diga a ele que, da próxima vez, eu não vou dar só uma mãozada. Eu vou encher ele de porrada. Isso não se faz. Eu estou falando para ele e para todos aqui. Não vou aceitar falta de respeito'."
"Daí, o [Vladimir] Putin [presidente da Rússia] parabenizou nossa contratação, e o presidente do clube passou a limpar o vestiário, contratou outros russos e ficou uma maravilha", completou.
OUTRA PAIXÃO
Além da bola e do Brasil, Witsel tem uma outra paixão da qual poucos conhecem: os aviões.
Seu grande sonho, aliás, é virar piloto quando achar que não pode mais dar tudo de si em campo. Tanto que, em 2017, ele anunciou o investimento em uma empresa de aviação belga chamada LindSky.
"Tenho intenção de geri-la enquanto estudo para ser piloto", afirmou ao meio-campista ao diário belga Het Laatste Nieuws.
