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Após uma carreira toda em um só time, atacante ex-seleção da Inglaterra revela por que se aposentou aos 32

351 jogos e 75 gols. Para muitos, a carreira de Gabriel Agbonlahor é invejável.

O atacante inglês, símbolo do Aston Villa, anunciou a aposentadoria no início deste ano. Porém, com apenas 32 anos, Agbonlahor é considerado jovem para 'pendurar as chuteiras'.

Mas longe de lesões, novas profissões ou coisas do tipo, o motivo da decisão é outro: amor.

Agbonlahor teve quase sua carreira inteira dedicada ao Villa, onde começou em 2005, passando por empréstimo por Watford e Sheffield Wednesday, onde fez dois e oito jogos, respectivamente.

Desde então, o atacante colecionou marcas, gols com o Aston Villa, chegando à seleção inglesa em 2008.

Agora, sem contrato com o clube, o atacante se recusa a jogar por outro time, e prefere encerrar de vez sua história no futebol.

Confira o depoimento abaixo e ASSISTA à entrevista completa clicando AQUI.

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O COMEÇO

Desde que eu comecei a andar, praticamente a minha vida era só futebol. Participava de todos os times da escola, todos os torneios escolares, era uma obsessão. E eu tinha uma boa família me apoiando, especialmente o meu pai. Ele me mantinha longe de coisas que pudessem me impedir de ser um jogador de futebol. Meus irmãos eram torcedores do Aston Villa, tínhamos amigos que moravam perto que torciam para o Villa, todos torciam pro Villa. Estava no nosso sangue.

No dia em que assinei com o Villa, ainda era estudante, e todo mundo na minha família ficou muito feliz, era um sonho se realizando. Fiz minha estreia contra o Everton no Goodison Park, e estava bem nervoso, na verdade, porque muitos jogadores estavam contundidos e doentes, e decidiram usar um jogador do time B. Eles me chamaram e disseram que iam me dar uma chance. Eu sabia que era a minha chance, que os outros jogadores iam se recuperar e voltar. Por isso eu tinha que ir bem naquele jogo. Podia ser a minha última chance. Era uma chance única.

O Everton era de modo geral um time muito forte, mas eu lembro da chance que eu tive... É um momento que ele jamais vai esquecer. Não foi um grande chute, na verdade. Acho que devo ao Richard Wright por ter entrado, porque ele podia ter defendido. E quando entrou, eu nem pude festejar muito porque ainda estávamos perdendo por uma diferença grande. Depois do jogo eu estava muito feliz. Minha família estava feliz. Era um sonho realizado, marcar um gol pelo time que eu torcia. Nunca vou me esquecer desse dia e meu pai jamais vai esquecer. Ele estava na torcida.

Mesmo indo hoje para o Villa Park ainda sinto arrepios quando entro no estádio. Eu ficava nervoso em alguns jogos, porque tinha aquela sensação de ter que entrar lá e jogar bem, você não tinha escolha. Tinha que jogar bem. Por isso eu ficava nervoso às vezes. Com certeza. Aqui dentro continua igual.


'TUTORES' E O PRIMEIRO GOL

Gareth Barry, Lee Hendry. Eles eram os astros da época. Eles me apoiavam, cuidavam de mim nos treinos e nos jogos, me davam conselhos, me faziam cumprir horários. Eles foram bons para mim. Martin O'Neill era obcecado com a velocidade e a força. Ele queria jogadores velozes no time, e eu combinava com o estilo de jogo que ele queria. Ele deixava você jogar o seu futebol, sabia o que tinha pedido pro time todo fazer e confiava que os jogadores iam entrar e jogar bem.

Aqui você começa a caminhada para o jogo. Você ouve o barulho da torcida, precisa estar focado e pronto para entrar e jogar. Você ouve a torcida, eles estão esperando o jogo, tem todo o clima, o barulho é alto. E tocam a música do Villa quando você entra, e você está motivado. Está um pouco nervoso, mas está ansioso para entrar e jogar. Foi aqui que eu marquei meu primeiro gol no Villa Park. Lembro do jogo, foi contra o Charlton em casa, e... Gareth Barry pegou a bola ali do lado esquerdo e fez o cruzamento. Eu estava na ponta direita, corri na direção da segunda trave, atrás do lateral esquerdo, chutei e a bola bateu no alto da rede. Lembro desse gol como se fosse ontem.

Era uma nova era com Martin O'Neill. Ele tinha acabado de chegar no clube naquele verão. Era o começo de temporada e muito se falava no Villa Park na época. Um dos gols foi contra o Blackburn em casa. Eu passei pelo Salgado, cortei para dentro e chutei de curva no ângulo. É um daqueles gols que você sonha em marcar na frente da torcida.

Lembro do jogo, foi contra o Sunderland em casa, e tínhamos que vencer. Mas lembro que o meio-campista do Sunderland perdeu a bola, eu corri com ela o campo todo, passei pelo goleiro. Foi um grande feito, e principalmente porque metade ou mais da metade dos jogos eu joguei na ponta, na ponta esquerda, ponta direita, eu tinha que voltar muito durante o jogo.


O FIM DA CARREIRA

Sinto muita falta, sabe? O futebol se torna a sua vida. Foi a maior parte da minha vida. Os melhores momentos da minha vida foram jogando pelo Aston Villa. Um garoto local que jogou no mais alto nível pelo Aston Villa. Foram sonhos realizados, e sinto falta disso todos os dias.

Quebrar esse recorde entre os jogadores que jogaram pelo Aston Villa foi grande feito que conquistei. Recebi ofertas para continuar, mas na minha cabeça e no meu coração eu sabia que o Villa era o único time em que eu queria jogar, por isso não achei que seria muito justo. Eu conheço os clubes, se eu fosse para outro lugar, eu não teria esse amor pelo clube que tenho pelo Aston Villa, por isso achei melhor me aposentar naquela idade, e ter orgulho do que conquistei. O futebol não é eterno. Tive a minha época, tive o meu momento, e tinha chegado a vez de outra pessoa. É uma coisa de que vou sentir falta, mas fico feliz por ter tido a chance de viver isso.