Ismaily passou a ser mais conhecido no Brasil depois de ser chamado pelo técnico Tite para a seleção brasileira, em 2018. Em uma década na Europa, o lateral-esquerdo do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, venceu muitos títulos e disputou diversas edições da Champions League.
Com o destaque no leste europeu, o brasileiro teve seu nome ligado a uma possível transferência para o futebol chinês e para a Roma. A equipe italiana é comandada por Paulo Fonseca, seu ex-treinador no clube ucraniano.
"Claro que fico feliz por ser lembrado porque isso é sinal de que tenho desenvolvido um bom trabalho aqui. Mas acho muito difícil sair porque tenho contrato por mais quatro anos", disse, ao ESPN.com.br.
"Claro que seria importante eu disputar um novo campeonato com mais visibilidade e uma competitividade maior. O Shakhtar não costuma liberar facilmente os jogadores, mas vamos ver, tudo pode acontecer. Se for algo bom para mim e para o clube, espero que as coisas aconteçam da melhor forma possível."
Nas últimas temporadas, o time ucraniano passou por uma grande reformulação no elenco. Mesmo assim, a equipe lidera o Campeonato Ucraniano com nove vitórias (100% de aproveitamento), somando 27 pontos, 10 a mais do que o vice-líder.
"Contratamos muitos jovens brasileiros e acredito que até eles se adaptarem ao estilo de jogo europeu levará um tempo. Mas são jogadores talentosos que darão bons frutos ao clube. Esperamos conquistar títulos e mantendo a hegemonia de tudo", analisou.
Ismaily fez o Shakhtar contrariar uma prática de contratar brasileiros somente para posições do meio de campo para frente.
"Não sei porque abriram essa exceção para mim (risos). Talvez porque eu fiz uma excelente temporada pelo Braga e viram uma oportunidade de negócio. Ainda bem que deu certo e tenho feito muitos jogos e conquistados títulos. Acredito que tenha sido um bom negócio", analisou.
Mesmo vivendo em um país tão diferente, o lateral-esquerdo se sente em casa, já que a equipe tem 11 brasileiros (dois deles naturalizados ucranianos) no time.
"É muita resenha nos vestiários, sempre convivemos com um ambiente muito legal", afirmou.
Começo da carreira
Ismaily Gonçalves dos Santos é natural de Angélica, cidade 263 km distante de Campo Grande. O nome do lateral foi inspirado no filme "Smiley", de 1956, por causa do personagem interpretado pelo ator Colin Petersen.
Após não passar em um teste no São Paulo, ele foi aprovado em uma peneira no Rio Branco-SP, mas não quis ficar na equipe de Americana. Revelado no Ivinhema-MS, ele foi campeão estadual em 2008 e levado ao Desportivo Brasil, clube que pertencia à Traffic (empresa de marketing esportivo), de Porto Feliz-SP.
Depois, ele foi emprestado ao São Bento antes de chegar ao Estoril-POR, clube que também era gerido pela Traffic.
Após defender o Olhanense-POR e o Braga-POR, Ismaily foi contratado pelo Shakhtar Donestk, em 2013.
"No começo foi bem difícil, mesmo tendo muitos brasileiros que me ajudaram na época e isso facilitou minha adaptação. Os problemas foram as temperaturas baixas, muito gelo e neve em dezembro e janeiro. O idioma é muito complicado eles mudam o alfabeto e fica complicado para ler. Foram as duas piores coisas que passei. Mas com o tempo, me adaptei e gosto muito daqui e do Shakhtar. Estou muito feliz", disse.
Desde então, foram 11 títulos, incluindo cinco Ligas da Ucrânia. O Shakhtar fará seu segundo jogo pela fase de grupos da Champions League contra a Atalanta, no San Siro, em Milão (Itália), nesta terça-feira. Na estreia, a equipe foi derrotada em casa pelo Manchester City.
