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Ex-Cruzeiro lembra surgimento de Ronaldo 'Fenômeno': 'Era melhor que o Messi, parecia que tinha sido feito em laboratório'

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Rodolfo Rodríguez relembra gol 'despercebido' de Ronaldo Fênomeno ainda no Cruzeiro e brinca: 'Eu fiz ele famoso' (2:24)

Em 1993, o time celeste venceu o Bahia do ex-goleiro uruguaio por 6 a 0 no Mineirão (2:24)

A passagem de Ronaldo Fenômeno pelo Cruzeiro foi meteórica. Em pouco mais de um ano e meio, ele passou da base para o profissional, teve média de quase um gol por jogo e foi vendido para o PSV depois de ser convocado para a Copa do Mundo de 94, torneio que é um dos campeões, com apenas 17 anos.

O atacante chegou em 1993 completamente desconhecido à Toca da Raposa depois de passar pelo São Cristóvão-RJ.

"Nosso time era muito bom e famoso no juvenil porque ganhávamos tudo. Um dia, um diretor falou para a gente: 'Está chegando um atacante do Rio que vai jogar com vocês no próximo jogo contra o América-MG'. Eu fiquei meio assim porque o nosso centroavante era o artilheiro da equipe e pensei: 'Vai tirar 'o cara' do nosso time para colocar um moleque que nem conhecemos?' O recém-chegado era o Ronaldo Fenômeno! (risos)", contou o ex-volante Ricardinho, ao ESPN.com.br.

E não demorou quase nada para o garoto mostrar seu cartão de visitas.

"No começo do jogo, ele já fez um gol igualzinho ao que marcou pelo Barcelona contra o Compostela, driblando todo mundo. O diretor do América-MG foi no vestiário no intervalo pedindo para tirá-lo para dar jogo porque ele era muito acima dos outros. O Cruzeiro tirou o Ronaldo no segundo tempo, acredita? Não sei se ele lembra disso", garantiu.

Com tanta qualidade, Ronaldo conquistou rapidamente os companheiros de equipe.

"Ele já era fenomenal, incrível! Parecia que tinha sido feito em laboratório. Nunca vi um jogador como ele. Fazia gols de tudo quanto era jeito, era melhor que o Messi. Tudo que você pensar que alguém poderia fazer em campo, ele já fazia", recordou Ricardinho.

O centroavante passou pouquíssimo tempo na base antes de ir para a equipe principal.

"Íamos treinar o juvenil contra os reservas do profissional, dava até vergonha o que ele fazia contra os caras do outro time. Ninguém conseguia parar. Ele era tão bom que o final da carreira ainda jogou bem demais acima do peso e com várias cirurgias no joelho no Brasil. E foi bem em todos os clubes que passou", elogiou.

'Parecia o Michael Jackson'

Com apenas 16 anos, o atacante estreou no time de cima contra a Caldense pelo Campeonato Mineiro, em um jogo com apenas 2.484 torcedores na arquibancada do estádio Ronaldão, em Poços de Caldas. A partida realizada na noite de 25 de maio de 1993 terminou com vitória celeste por 1 a 0.

"O sucesso veio muito rápido. Em pouco tempo ele virou um popstar no Cruzeiro. O pessoal invadia para ver os treinos na Toca da Raposa logo que ele foi ao profissional. Antigamente era tudo aberto. Parecia o Michael Jackson, o pessoal ficava correndo atrás. Eram muitas fotos, autógrafos e marias-chuteiras atrás dele!", contou Ricardinho.

O ex-volante, que é recordista de títulos pelo Cruzeiro (15) e venceu duas vezes o prêmio ESPN Bola de Prata Sportingbet (1996 e 2000), conta que o colega tinha boa relação com os demais jogadores.

"Ronaldo era gente boa demais, muito simples com a gente. Gostava de brincar, era atencioso e divertido. Eu o reencontrei na seleção brasileira anos depois e foi bacana. Ele estava voltando de cirurgia no joelho", afirmou.

Ronaldo marcou 56 gols em 58 partidas. Contra o Bahia, no Brasileiro de 1993, ele marcou cinco vezes, sendo que no último deles, o atacante roubou a bola do chão que estava com o goleiro uruguaio Rodolfo Rodríguez.

Em agosto de 94, o centroavante foi vendido ao PSV, da Holanda, por 6 milhões de dólares. Depois, jogou por Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians, clube pelo qual pendurou as chuteiras, em 2011.

Pela seleção brasileira, o Fenômeno marcou 67 gols em 98 jogos, atrás apenas de Pelé. Em quatro Copas do Mundo, marcou 15 vezes em 19 duelos, um a menos que Miroslav Klose.