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Arsenal: entenda como Raul Sanllehi, ex-Barcelona, conquista e contrata jogadores

Raul Sanllehi acende um charuto. É a noite de 9 de agosto. O chefe de futebol do Arsenal passou o dia inteiro no centro de treinamento do clube em London Colney. Ele chegou extremamente cedo no local e será, certamente, um dos últimos a sair.

O dia 9 de agosto foi, para os interessados, mais um dia de sucesso na janela de transferências para o clube de Londres. No último dia, os Gunners assinaram com mais dois jogadores que ilustram perfeitamente o talento do homem que o clube espera que possa ser o seu grande mentor em longo prazo.

A primeira contratação se trata de um alvo de outros carnavais. Para recrutar o lateral-esquerdo do Celtic, Kieran Tierney, Sanllehi e sua equipe, formada pelo negociador Huss Fahmy e pelo diretor esportivo Edu Gaspar, tiveram que trabalhar muito. Foi um longo processo que durou todo o verão, com várias ofertas, muitas conversas e reuniões para tentar encontrar a estratégia que resultaria em convencer o clube escocês a liberar o seu melhor jogador. Com a janela fechando em poucas horas, o Arsenal finalmente fez um grande avanço, emergindo com um acordo bem estruturado e o sentimento de trabalho bem feito.

Em contraste, o segundo foi um tiro curto, mas também de sucesso. O Arsenal esteve à procura de um zagueiro por toda a janela. Eles conseguiram a contratação do francês William Saliba, mas acabaram o emprestando de volta ao Saint-Etienne. Vários jogadores foram cogitados, inclusive o jovem defensor da Juventus, Daniele Rugani. Outros jogadores foram oferecidos para os Gunners antes de descobrirem que David Luiz estava disponível.

Apesar da relutância do Chelsea de permitir que um jogador reforçasse um rival, Sanllehi usou todas as suas habilidades de negociação para fazer o acordo em pouco mais de 24 horas. Tierney e David Luiz juntaram-se ao atacante ex-Ituano Gabriel Martinelli, Saliba, Dani Ceballos e Nicolas Pépé como os novos jogadores da equipe.

Seis jogadores e um total de pouco mais de R$ 228 milhões gastos.

O Arsenal não tinha muito dinheiro para contratar - o diretor do Arsenal, Josh Kroenke, até brincou em julho que os Gunners "têm uma folha salarial de Champions League com um orçamento de Liga Europa" - mas eles souberam usar o dinheiro. "Sanllehi é um homem muito inteligente. Suas habilidades sociais, seu carisma, sua capacidade de ser apreciado por pessoas de onde quer que elas venham é incrível.

"Ele tem o dom da palavra", explica um influente empresário francês que se envolveu com o Arsenal neste verão.

"Ele faz você se sentir à vontade. Você começa a confiar nele rapidamente".

Sanllehi é realmente um grande orador que tem uma presença dominante. Ele também é um homem de futebol - passou 11 anos na Nike, depois foi para o Barcelona como diretor de marketing em 2003, antes de ser promovido a diretor de futebol em 2008. Ele se juntou ao Arsenal em fevereiro de 2018 e se tornou diretor de futebol depois de Ivan Gazidis ir para o Milan em outubro de 2018.

Mas, mais que carisma, o maior patrimônio de Sanllehi é a sua agenda de contatos. O Arsenal tem clamado por alguém como ele há muito tempo. Jogadores, agentes, diretores: ele tem uma lista incrível. Para trazer o jovem e cobiçado Pépé, ele tinha uma grande vantagem sobre todos os outros clubes porque conhecia Marc Ingla, diretor do Lille, muito bem. Eles haviam trabalhado juntos no Barcelona e a amizade de Ingla com Sanllehi significava que ele era capaz de projetar as condições necessárias para o Arsenal contratar o jogador.

Além disso, seu excelente relacionamento com Petr Cech desde o tempo que passaram juntos no Arsenal o ajudou a contratar David Luiz do Chelsea. Nunca houve qualquer pânico, mesmo com apenas algumas horas antes do fechamento da janela de transferências.

O Arsenal tinha uma ideia muito clara do tipo de jogadores que eles queriam neste verão, mas a origem dessas transferências bem-sucedidas remonta a alguns meses antes.

Durante uma reunião agendada regularmente, o técnico Unai Emery e Sanllehi identificaram os perfis dos jogadores que precisavam atrair para o Arsenal: jovens, com capacidade de aumentar o valor de mercado ao longo do tempo e com a combinação certa de velocidade e habilidade para jogar no contra-ataque.

Nenhum clube pode fazer todos os seus milagres ou resolver todos os seus problemas em uma janela de transferências. Mas o Arsenal parece ter redescoberto seu toque quando se trata de fazer contratações ousadas, como fizeram nos primeiros anos da era de Arsène Wenger. Mas isso é apenas o começo: Sanllehi já tem planos para as janelas de janeiro e do próximo ano.

Em março, quando fez o seu 50° aniversário, Raul Sanllehi não poderia ter desejado um ano melhor em termos de contratações. Cinco meses depois, um charuto nunca foi tão doce para ele como o que ele aproveitava no centro de treinamento em 9 de agosto.