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Barcelona x Betis: conheça Emerson, o brasileiro de R$ 55 milhões que pertence aos dois clubes

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Barcelona contrata Emerson e fecha empréstimo para Real Betis: 'Ele vai para o time ideal', comenta Rafa Oliveira (2:24)

Lateral-direito foi vendido pelo Atlético-MG, onde teve grande destaque nas categorias de base (2:24)

No jogo contra o Barcelona pela segunda rodada de LaLiga, neste domingo, o lateral-direito Emerson, do Betis, irá encontrar seu futuro time. O jogador de 20 anos foi contratado em janeiro de forma conjunta pelas duas equipes por 12,1 milhões de euros (cerca de R$ 55 milhões), mas irá permanecer no clube de Sevilha, a princípio, até o meio de 2021.

"É um jogo grande e especial para todos nós que sonhamos com coisas grandes. Temos que passar por desafios assim e fazer nosso papel que é a vitória. Precisamos jogar de igual para igual para podermos conseguir um resultado positivo lá", disse, ao ESPN.com.br.

Pelo Betis, fez sete jogos em seu primeiro semestre, sendo quatro como titular. Agora, terá a chance de jogar uma temporada desde o começo.

"A adaptação foi muito muito boa. Ano passado tive um pouco mais de dificuldade no começo com a velocidade do jogo e o estilo. Aqui é muito diferente do Brasil. Acabei me acostumando e o no fim da temporada estava adaptado. Comecei esta temporada muito bem e mais solto. Estou desenvolvendo e melhorando a cada dia. Estou feliz demais com esse momento".

Nada que assuste o jovem, que conhece muito bem o lado mais amargo do futebol. Antes de chegar à Europa, ele precisou superar duas dispensas de grandes equipes do Brasil, além de uma contusão que poderia ter abreviado sua carreira.

"Eu comecei jogar futebol porque meu primo, que era mais velho, ficava me driblando no quintal da minha vó. Ele me fazia de bobo (risos). Daí resolvi aprender a jogar bola para poder driblá-lo. Foi aonde comecei a gostar de jogar bola. Comecei sem compromisso com nove anos por uma razão boba (risos). Fui me desenvolvendo aos poucos".

Após passar por um time de um projeto social na cidade de Americana, interior de São Paulo, ele foi para Condor. Com o destaque, foi jogar o Estadual sub-11 pelo Palmeiras.

"Não estava jogando direito e no ano seguinte queriam que eu voltasse, mas aí teve um time de Americana que me chamou para jogar. Eles fizeram uma parceria com o Independente de Limeira para jogar o Paulista. Fui campeão por lá", contou.

"Logo em seguida, fui ao São Paulo. Joguei com Gabriel Boschillia, Evandro e Auro. Fiquei até a metade do sub-15. Daí, fui mandado embora na metade do ano e fui ao Grêmio. No final do ano fui mando embora outra vez", lamentou.

Apesar das duas frustrações, ele conseguiu fazer um teste de duas semanas na Ponte Preta e foi aprovado. Mesmo assim, ainda precisou passar por mais uma provação antes de firmar nas categorias de base.

"Eu tinha 16 anos, era um dos mais jovens do sub-17. Estava indo bem no Paulista e tive uma chance de ser titular, mas no primeiro jogo eu quebrei o braço. Achei que ia parar a carreira por ali. Tinha passado por muita coisa, incluindo duas dispensas", lamentou.

"Só que o treinador chamado Elio Sizenando me chamou e disse que seu voltasse bem me levaria para a Taça BH porque confiava em mim. Tirei forças da onde não tinha e acelerei o processo de recuperação. Com isso, ganhei confiança e consegui ir para a competição" agradeceu.

Após se destacar, Emerson ganhou a primeira oportunidade de ir ao time de cima.

"Com 16 anos eu treinei no profissional, mas não fui tão bem. No ano seguinte, eu fui relacionado para um jogo contra o São Paulo pela Copa do Brasil sub 20. Também treinava um período no profissional e descia".

Subida aos profissionais

Depois de chamar atenção nas equipes inferiores, ele foi relacionado para jogos da equipe principal no Campeonato Brasileiro de 2016. No ano, o lateral se destacou na Copa São Paulo de futebol júnior e foi efetivado pelo treinador Felipe Moreira.

A sua estreia nos profissionais foi inesquecível. Diante do Linense, pelo Campeonato Paulista, ele entrou improvisado na lateral esquerda após a contusão de Artur ainda no primeiro tempo. Com apenas cinco minutos em campo, o garoto recebeu um cartão amarelo e cometeu um pênalti no empate por 2 a 2.

Ao contrário do que se possa imaginar, o jogador ganhou uma segunda chance do treinador Felipe Moreira no jogo seguinte contra o São Bernardo. Atuando na sua posição de origem, já que Nino Paraíba foi suspenso, ele foi destaque na vitória por 2 a 1.

"Não sou tímido, sou mais solto, e isso ajuda bastante. Foi uma experiência boa, soube lidar bem com a partida, fiquei contente que o Felipe acreditou no meu potencial e pretendo manter o meu rendimento para estar sempre preparado", disse em entrevista coletiva à época.

Querendo fazer seu nome ficar conhecido no mundo do futebol, ele era chamado por um nome de infância.

"Royal é um apelido de neném. Tinha o comercial da gelatina que era um bocão, lembra?(risos) Como eu chorava por tudo, minha tia me chamava assim só para me irritar. Eu ficava bravo. Depois acostumei, hoje em dia só me conhecem como Royal. Ninguém sabe quem é o Emerson (risos)".

Cedido no ano passado ao Atlético-MG, o lateral conquistou seu espaço e virou titular no Campeonato Brasileiro. Neste ano, ele foi para a seleção brasileira que disputou o Sul-Americano sub-20 no Chile e também foi campeão do Torneio de Toulon na metade de 2019.