O jovem Matheus Cunha, do RB Leipzig, ficou espantado ao saber que foi indicado ao Puskas, prêmio para o gol mais bonito marcado em 2019, divulgado pela Fifa nesta segunda-feira.
"Foi um amigo meu que me mandou mensagem me parabenizando quando eu estava almoçando com a minha namorada. Então eu pensei: 'Caramba, sério?' Daí não deu muito tempo e não parou mais de chegar mensagens no meu celular. Foi uma surpresa muito legal", disse, ao ESPN.com.br.
O brasileiro fez um golaço na vitória do seu time, sobre o Bayer Leverkusen por 4 a 2, em duelo válido pelo Campeonato Alemão, na última temporada. No final do segundo tempo, ele limpou dois zagueiros com um "drible de futsal à lá Zidane" e mandou de cavadinha por cima do goleiro Lukás Hrádecky.
"Foi uma jogada de improviso. A bola acabou ficando longa e eu tive que me esforçar pra chegar nela. O Wendell é rápido e vinha em velocidade da esquerda e eu, na hora, tive como saída aquele giro. Era a melhor solução pois se tento um corte seco ele poderia cortar. Já sai do giro com a bola perfeita para finalizar, muito em cima e o extinto foi a cavadinha. Fui feliz na jogada e no gol", disse.
O brasileiro de apenas 20 anos se divertiu com o barulho que a jogada teve na Alemanha e no resto do mundo à época.
"A repercussão foi maravilhosa. Muita gente falando e me abordando sobre o gol, na entrevista perguntaram se foi o mais bonito da minha carreira, friamente pensando, acho que sim. São gols assim que ficam guardados em nossa memória e na do torcedor. Espero conseguir fazer mais e mais. Se forem todos bonitos, melhor ainda (risos)", afirmou.
Além de Matheus, a lista conta com os seguintes nomes: Zlatan Ibrahimovic (LA Galaxy), Lionel Messi (Barcelona), Andros Towsend (Crystal Palace), Juan Quintero (River Plate), Daniel (Zsori), Ajara Nchout (seleção camaronesa feminina), Fábio Quagliarella (Sampdoria), Amy Rodriguez (Utah Royals) e Billie Simpson (Cliftonville Ladies).
Trajetória
O garoto natural de João Pessoa, na Paraíba, começou no futebol desde pequeno por incentivo de seu pai. Depois de jogar no Cabo Branco, ele foi para Recife jogar no clube CT Barão.
"Um tempinho depois um empresário gostou do meu futebol e, junto com meu pai, me levou para o Coritiba. Deixei minha cidade muito cedo para buscar meu espaço e realizar o meu sonho de ser jogador de futebol. Mas não vejo isso como um problema. Muito pelo contrário. Vejo como um fortalecimento e, graças a tudo que me ocorreu desde muito cedo, pude evoluir e amadurecer mais rápido. Aos 14 anos estava em Curitiba. Faria tudo de novo", disse Matheus Cunha, ao ESPN.com.br, em agosto de 2018.
Durante os quatro anos em que ficou na base do time alviverde ele jogou a Copa São Paulo de futebol júnior e se destacou na Dallas Cup. Representantes do Sion, que estavam acompanhando o torneio nos EUA, fizeram contato com o Coritiba.
Matheus Cunha chegou à Suíça em julho de 2017 sem nunca ter atuado profissionalmente no Brasil. Apesar das dificuldades iniciais, ele rapidamente gostou da vida na Europa.
"Tive muita ajuda externa. Meu empresário, minha família, minha namorada... Todos me ajudaram demais na adaptação e facilitaram a minha vida quando cheguei ao Sion. É tudo muito diferente. Cultura, língua, culinária, estilo de jogo... Não é fácil a adaptação. Mas o clube também oferece tudo que um jogador precisa para se ambientar o mais rápido possível", contou.
"E tive também a ajuda de alguns brasileiros que estavam aqui, como o Adryan [ex-meia do Flamengo]. Com toda essa ajuda e com minha força de vontade, conquistei meu espaço relativamente rápido e consegui ir bem, tive boas atuações e fiz gols."
Ao se mudar para o "Velho Continente", Matheus precisou mudar também seu estilo de jogo. "O futebol europeu de uma maneira em geral é mais dinâmico e intenso do que o brasileiro. Te pede um nível de concentração muito grande durante os 90 minutos. Entendi rápido e cresci como jogador e ser humano", garantiu.
Para isso, contou com as cobranças de sua mãe, Luziana Cunha.
"Ela não tinha conseguido assistir no estádio quando eu jogava no Coritiba. O jogo aqui na Europa é mais pegado, né?! E no jogo que ela estava presente, marquei um gol e quando acabou o jogo fui correndo na direção dela abraçá-la, feliz da vida. Chegando perto dela ao invés de me parabenizar pelo gol ela me deu uma bronca (risos). Disse que eu tinha que ser mais forte e não podia cair tanto. A cobrança em casa é forte (risos)", contou.
Depois de anotar 10 gols em 33 partidas na última temporada pelo Sion, Matheus Cunha foi vendido ao RB Leipzig, da Alemanha, no meio do ano passado por 15 milhões (R$ 67 milhões).
"Espero que seja uma temporada de muitos êxitos como foi a anterior e que a gente possa mostrar todo o nosso valor na Champions League. Nosso grupo já mostrou que tem muito potencial para brigar por títulos, como no ano passado, e alcançar triunfos".
Titular da seleção olímpica que venceu o Torneio de Toulon, ele foi chamado por André Jardine para equipe na última sexta-feira.
"Seleção é o momento especial. Todas as vezes que sai uma convocação e tem seu nome lá, é algo indescritível. Espero continuar trabalhando muito para que a olímpica seja realidade, e que daqui pra frente eu possa continuar evoluindo e sempre buscando meu espaço para atuar na seleção", finalizou.
