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Matheus Cunha, do Leipzig, nunca jogou no Brasil, mas hoje vale R$ 66 milhões e vive sonho na Bundesliga

Convocado para a seleção brasileira sub-20 e recentemente vendido pelo Sion, da Suíça, ao RB Leipzig, da Alemanha, por 15 milhões de euros (R$ 66 milhões), Matheus Cunha ainda é desconhecido no Brasil. Com apenas 19 anos, ele poderá estrear no Campeonato Alemão neste final de semana no duelo contra o Borussia Dortmund.

O garoto natural de João Pessoa, na Paraíba, começou no futebol desde pequeno por incentivo de seu pai. Depois de jogar no Cabo Branco, ele foi para Recife jogar no clube CT Barão.

"Um tempinho depois um empresário gostou do meu futebol e, junto com meu pai, me levou para o Coritiba. Deixei minha cidade muito cedo para buscar meu espaço e realizar o meu sonho de ser jogador de futebol. Mas não vejo isso como um problema. Muito pelo contrário. Vejo como um fortalecimento e, graças a tudo que me ocorreu desde muito cedo, pude evoluir e amadurecer mais rápido. Aos 14 anos estava em Curitiba. Faria tudo de novo", disse Matheus Cunha, ao ESPN.com.br.

Durante os quatro anos em que ficou na base do time alviverde ele jogou a Copa São Paulo de futebol júnior e se destacou na Dallas Cup. Representantes do Sion, que estavam acompanhando o torneio nos EUA, fizeram contato com o Coritiba.

"Quando meu empresário falou da proposta e da possibilidade de começar minha carreira na Europa, não pensei duas vezes. Tinha muito desejo de jogar no futebol europeu e, nesse um ano no Sion, consegui jogar bem", contou.

Vida na Suíça

Matheus Cunha chegou à Suíça em julho de 2017 sem nunca ter atuado profissionalmente no Brasil. Apesar das dificuldades iniciais, ele rapidamente gostou da vida na Europa.

"Tive muita ajuda externa. Meu empresário, minha família, minha namorada... Todos me ajudaram demais na adaptação e facilitaram a minha vida quando cheguei ao Sion. É tudo muito diferente. Cultura, língua, culinária, estilo de jogo... Não é fácil a adaptação. Mas o clube também oferece tudo que um jogador precisa para se ambientar o mais rápido possível", contou.

"E tive também a ajuda de alguns brasileiros que estavam aqui, como o Adryan [ex-meia do Flamengo]. Com toda essa ajuda e com minha força de vontade, conquistei meu espaço relativamente rápido e consegui ir bem, tive boas atuações e fiz gols."

Ao se mudar para o "Velho Continente", Matheus precisou mudar também seu estilo de jogo. "O futebol europeu de uma maneira em geral é mais dinâmico e intenso do que o brasileiro. Te pede um nível de concentração muito grande durante os 90 minutos. Entendi rápido e cresci como jogador e ser humano", garantiu.

Para isso, contou com as cobranças de sua mãe, Luziana Cunha.

"Ela não tinha conseguido assistir no estádio quando eu jogava no Coritiba. O jogo aqui na Europa é mais pegado, né?! E no jogo que ela estava presente, marquei um gol e quando acabou o jogo fui correndo na direção dela abraçá-la, feliz da vida. Chegando perto dela ao invés de me parabenizar pelo gol ela me deu uma bronca (risos). Disse que eu tinha que ser mais forte e não podia cair tanto. A cobrança em casa é forte (risos)", contou.

Sonho na Alemanha

Depois de anotar 10 gols em 33 partidas na última temporada pelo Sion, Matheus Cunha foi vendido ao RB Leipzig, da Alemanha. Depois de terminar o primeiro ano na elite na segunda posição (e jogar a Champions League), a equipe ficou na quinta colocação do último Campeonato Alemão.

"O Leipzig é um clube que tá crescendo muito, tem uma estrutura maravilhosa e vejo como uma chance sensacional de evolução e crescimento profissional e humano. Eles tem uma filosofia de apostarem muito nos jovens, gostam muito desse trabalho", relatou.

Com o alto valor investido em sua compra, o brasileiro acredita que está preparado para as cobranças que virão na temporada.

"A responsabilidade já é enorme por defender uma grande equipe e estar disputando umas das principais ligas do futebol mundial. No futebol a responsabilidade sempre será enorme independentemente de valores. Não me apego muito a isso. A minha cobrança interna é constante e muito alta. Responsabilidade sempre enfrentaremos no futebol e estou preparado pra isso", garantiu.

Ele sabe que terá um enorme desafio pela frente para tentar se destacar na Bundesliga.

"Uma felicidade e um orgulho tremendo. Estar disputando uma das principais ligas do mundo e também brigando na Europa League, é um sonho. Estou muito feliz por poder estar representando uma equipe que, mesmo jovem, tem brigado na parte de cima da tabela e tem incomodado as principais equipes", analisou.

"Apesar de pouco tempo, estou convicto de que escolhi o clube certo na busca de evolução e conquistas de grandes títulos. To muito feliz com meu começo no Leipzig e espero escrever a minha história e ajudar o clube a ter grandes conquistas."

Matheus acredita que pelo Leipzig pode realizar seus maiores sonhos na carreira.

"Ajudar o Leipzig nas competições que iremos disputar, ter grandes atuações em conjunto com a equipe, fazer gols, conquistar títulos e seguir sendo convocado para seleção brasileira sub-20. E, quem sabe, seria um sonho enorme, estar na seleção principal. Mas pra isso o foco tem que ser em ter boas atuações no Leipzig. O que irá me fazer realizar ou não os meus sonhos futuros, é a minha performance aqui na Alemanha. E estou bem centrado em fazer o meu melhor. Espero evoluir muito mais. É só o começo de tudo", finalizou.