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Herói do maior Ba-Vi da história comeu de graça por uma semana e comemora: 'Até hoje o pessoal me liga'

Há 25 anos, a vida de Raudinei Anversa Freire mudou para sempre. No maior público da história do clássico Ba-Vi, com 97.200 pagantes - a conta geral passou dos 100 mil -, ele fez um gol no apagar das luzes que deu o título baiano para o Bahia contra o arquirrival Vitória.

O time rubro-negro vencia o jogo por 1 a 0 e estava faturando o Estadual até os 44 minutos do segundo tempo. Vários torcedores tricolores já haviam deixado a Fonte Nova, mas um lance mudou tudo.

O goleiro Jean, do Bahia, saiu jogando para Nissinho, que levantou a bola. Após os desvios de cabeça de Advaldo e de Souza, Raudinei chutou forte com o pé esquerdo, sem chances para o goleiro Roger.

"Na hora eu não vi nada. Fui muito feliz. Comemorei demais depois disso", disse o ex-atacante, ao ESPN.com.br.

O jogador começou aquele duelo na reserva e quase foi expulso antes de entrar parar a história do Bahia.

"Eu era titular, mas tinha ficado mais de um mês fora por causa de uma lesão na coxa e entrei no segundo tempo. O jogo estava muito pegado e disputado, com faltas e empurrões. Teve uma jogada violenta que eu achei que seria expulso, mas só levei o amarelo."

Após virar herói da torcida tricolor, Raudinei aproveitou da fama para curtir Salvador.

"A repercussão foi enorme, e eu passei uma semana comendo de graça (risos). Eu saía nos melhores restaurantes de propósito. Eu dormi muito pouco naquela noite porque logo cedo eu passei a dar muitas entrevistas", recordou.

"A torcida tem um carinho muito grande por mim por esse gol, principalmente. Por essa rivalidade tão grande e da maneira como ocorreu. Também fui artilheiro do time em duas edições do Brasileiro. O Bahia é um clube que gosto muito até hoje", contou.

Esse gol mudou o destino de Raudinei, que já tinha um pré-contrato assinado para atuar em um time da Arábia Saudita.

"O Paulo Maracajá, presidente do Bahia à época, me pediu para ficar. Eu não fui liberado e tive que falar depois com o príncipe saudita, que acabou entendendo a situação", afirmou.

"Até hoje o pessoal me liga quando esse gol faz aniversário. Já recebi várias homenagens do clube", declarou o ex-atacante, que inclusive viu o clube relembrar o feito em suas redes sociais nesta quarta-feira.

Carreira

Revelado no Juventus no meio dos anos 80, Raudinei foi para o Porto no meio de 1987. A equipe portuguesa havia acabado de conquistar a Liga dos Campeões da Europa e tinha vários jogadores de destaque.

"Eu era muito menino ainda e o time contava com o Fernando Gomes, que tinha sido 'Chuteira de Ouro' na Europa. Nossa equipe tinha o Branco, Madjer, Juary e vários caras da seleção portuguesa. Cheguei a jogar a Champions League", afirmou.

Sem muito espaço, ele atuou por duas temporadas no Deportivo La Coruña, sendo um dos primeiros brasileiros da história do clube espanhol.

Depois, o atacante passou por Gil Vicente, Belenenses, Guarani e Casetllón, antes de ir ao Santo André para a disputa do Paulistão de 1994. Na equipe do ABC, ele teve um começo arrasador com cinco gols nas primeiras rodadas, mas se desentendeu com um diretor, o que gerou sua transferência ao Bahia.

"O Jair Picerni assumiu o Santo André e tentou me fazer mudar de ideia, mas já tinha acertado a saída. Eu conhecia o auxiliar do Joel Santana, que comandava o Bahia, e deu tudo certo."

Raudinei ainda passou por times como Kyoto, do Japão, Juventus, São Caetano, América-RN e Ituano antes de chegar ao Juventude, no qual venceu a Copa do Brasil de 1999. Ele começou na equipe como titular, mas depois de uma lesão perdeu espaço no decorrer do torneio para Márcio Mexerica.

Pouco tempo depois da final, o atacante pendurou as chuteiras e resolveu trabalhar como empresário de jogadores. Ele tem um escritório em São Paulo que cuida de atletas como Luis Ricardo (ex-São Paulo e Botafogo), Ivo (ex-Palmeiras), Thiaguinho (ex-Corinthians) e Yuri (Fluminense).

"Eu já estava cansado de mudar toda hora de casa e tinha trocar meu filho de escola. Também comecei a achar que entendia mais de futebol que alguns treinadores que tinha. Aí, vi que era hora de parar mesmo (risos)", finalizou.

FICHA TÉNICA

Bahia 1 x 1 Vitória

Final do Campeonto Baiano de 1994

Data: 07/08/1994

Local: Estádio Fonte Nova

Público: 97.200 pagantes

Bahia: Jean; Odemilson, Advaldo, Missinho e Serginho; Maciel (Raudinei), Souza, Ueslei e Paulo Emílio; Zé Roberto (Naldinho) e Marcelo Ramos.
Técnico: Joel Santana

Vitória: Roger; Rodrigo, João Marcelo (Gelson), China e Roberto; Dourado, Ramos e Giuliano; Alex Alves, Dão e Pichetti (Fabinho).
Técnico: Sérgio Ramirez