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Daniel Alves, agora no São Paulo, começou a carreira no Bahia pelas mãos de Evaristo de Macedo

Anunciado na quinta-feira como reforço do São Paulo, Daniel Alves volta ao Brasil depois de quase duas décadas jogando na Europa em clubes como Sevilla , Barcelona, Juventus e PSG. Em sua primeira - e única - passagem pelo país, o lateral-direito era apenas uma jovem promessa do Bahia.

O duelo contra o Paraná, realizado em 10 de novembro de 2001, marcou o começo do jogador que mais venceu títulos na história do futebol. E sua estreia entre os profissionais aconteceu com uma certa dose de sorte.

Com a contusão do titular Denílson, a vaga deveria ser de Mantena, que recebeu o apelido por causa do personagem do desenho “He-Man”. Só que o substituto também sentiu uma lesão muscular, às vésperas do duelo, e também não poderia atuar.

A vaga caiu no colo de Daniel Alves, então com 18 anos. “O [técnico] Evaristo de Macedo veio falar comigo sobre o Daniel. Eu falei brincando: ‘Ele joga com uma perna só no profissional e confio muito nele’”, disse Marcelo Chamusca, ex-técnico do sub-20 do Bahia, ao ESPN.com.br.

O garoto já estava no radar do técnico do profissional há algum tempo. “Ele treinava com a gente por que fazíamos muitas atividades com as equipes e juniores, e eu o observava. Eu sempre dizia ao meu auxiliar: ‘O dia que tiver uma oportunidade eu vou colocá-lo e ele não vai sair mais’. Foi o que aconteceu”, contou Evaristo de Macedo à ESPN.com.br.

“Eu não forcei, só esperei um momento certo para lançá-lo para não queimá-lo. Muitos jovens jogares acabam queimados por não estarem bem preparados. Fui paciente e esperei”, explicou Evaristo.

O lateral-direito foi um dos destaques do triunfo do Bahia sobre o Paraná por 3 a 0. Dani sofreu um pênalti, deu uma assistência e saiu aplaudido pela torcida.

“Ele era um lateral muito ofensivo e saía muito bem para a frente. Como gosto deste tipo de jogador, eu sempre o incentivava”, disse o técnico.

Após a grande estreia, Evaristo manteve Daniel na equipe titular. Ele fez 58 jogos pelo Bahia e venceu a Copa do Nordeste (2002) antes de ser vendido ao Sevilla no mesmo ano.

'Fiz o time para ele'

Natural de Juazeiro-BA, Daniel Alves foi contratado pelo Bahia ainda nas categorias de base, em 1998. Curiosamente, ele havia chegado junto com o badalado meia Lucas, que possuía um valor cinco vezes maior do que o lateral na época.

Em 2000, quando Chamusca chegou ao time tricolor, ele estava em uma fase de transição da equipe sub-17 para a sub-20.

“Era uma época que a gente perdia muito para o Vitória. Eu fiz uma remontagem do elenco e o puxei para nosso grupo, porque ele era muito acima”, contou Chamusca.

O técnico gostou tanto da forma que Daniel jogava que resolveu montar um time com três zagueiros para que o lateral pudesse jogar com mais liberdade.

“O time encaixou e vencemos alguns campeonatos. Vencemos um torneio em Marselha-FRA e ele foi destaque da competição. Depois, faturamos a Copa da Bahia de profissionais com uma equipe de juniores”, contou Chamusca.

O lateral gostava de treinar faltas desde a base e já fazia seus gols. Mesmo sendo um dos mais jovens da equipe sub-20, ele demonstrava personalidade.

“Ele crescia demais em jogos grandes, nos clássicos contra o Vitória ele se transformava. Tinha comportamento de jogador experiente. Era bom de grupo e todos o adoravam”, disse.

Além da personalidade e do futebol, Dani já demonstrava seu gosto peculiar por algo fora dos gramados: a moda.

“Ele ainda era ‘liso’ e ganhava um salário baixinho. Se vestia com roupa mais normais, mas já gostava de óculos escuros. Uma vez ele disse que se fizesse um gol no clássico eu iria ter que dar um óculos para ele. Não deu outra, o Dani marcou e eu tive que presenteá-lo”, recordou Chamusca.

Cerca de 17 anos depois de sair do Bahia, Daniel fechou contrato de três temporadas com o São Paulo. No Brasil, ele terá a chance de reencontrar seu antigo técnico.

“Fico muito contente que ele tenha voltado ao Brasil para jogar por um grande clube. Ele está em momento muito bom, fez uma grande Copa América. Irá ajudar muito. Ele está de parabéns pela carreira bonita que construiu e irá poder jogar perto de seus familiares", disse Evaristo, que almoçou com o pupilo anos atrás em Barcelona.

"Quando ele vier ao Rio, eu quero vê-lo jogar e dar um abraço nele", finalizou.