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'Um goleiro que ganha jogos' e 'gente boa demais para ser argentino': conheça Armani, goleiro do River que parou o Cruzeiro

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Técnico do River, Gallardo destaca Armani: 'Goleiro que ganha jogo' (0:36)

Arqueiro fez uma grande defesa e pegou dois pênaltis no duelo com o Cruzeiro (0:36)

"Armani é um goleiro que ganha jogos", disse o técnico Marcelo Gallardo, após o River Plate conquistar a vaga para as quartas de final da Copa Libertadores.

Autor de duas defesas de pênaltis na noite de terça-feira (30), contra o Cruzeiro, em Belo Horizonte, Franco Armani foi o grande herói da classificação do River Plate, após o empate por 0 a 0 no tempo normal - mesmo placar de Buenos Aires, há oito dias.

O argentino, hoje titular de sua seleção nacional, pegou os chutes de Henrique e David (Fred e Robinho marcaram). O River foi perfeito e converteu suas quatro penalidades, com De La Cruz, Montiel, Martínez e Borré.

A classificação como protagonista é mais um capítulo na história de um jogador acostumado a ser visto como ídolo e exemplo, desde antes de chegar ao River, quando jogava no futebol colombiano, onde conquistou uma Libertadores, sua primeira de uma lista que pode chegar a três neste ano, em Santiago.

Verdolaga

Quando jogou em Medellín, o goleiro de 32 anos conquistou muita gente. Em sua despedida, em janeiro de 2018, o estádio Atanásio Girardot recebeu mais de 30 mil pessoas, apenas para lhe dizer adeus.

"Ele é tão gente boa que a gente até brincava com ele, dizendo que ele não era argentino", contou à ESPN Santiago Tréllez, jogador do Internacional, companheiro de Armani entre 2014 e 2015, na equipe colombiana.

"É uma pessoa espetacular, um grande amigo", completa Jonathan Copete, colega dele na conquista da Libertadores de 2016, atualmente no Pachuca, do México.

Ao se despedir dos colombianos, Armani chorou muito. Comoveu-se com homenagens dos companheiros e de ídolos do clube, como o lendário Higuita. Mas estava decidido a regressar. Porque estava voltando para a Argentina para um reencontro com seu passado e um objetivo que ele jamais abandonou, mesmo nos momentos mais difíceis: jogar pela seleção.

No milionário River Plate, Armani sabia que sua chance de aparecer para o técnico Jorge Sampaoli, então na Argentina, era maior. Ainda que, escolhido melhor goleiro da Libertadores de 2016 e titular do time ideal das Américas do mesmo ano, ele já não precise mais de introduções à menção de seu nome.

"No passado, falava-se muito em uma possível naturalização dele, para que jogasse pela Colômbia, já que as convocações para a Argentina não vinham. Mas Armani nunca abandonou o sonho de defender seu país", contou Copete.

E o chamado veio para a Copa do Mundo de 2018. Após começar na reserva, ele virou titular no decorrer da competição e fez um papel digno, apesar da eliminação nas oitavas de final.

Logo no primeiro ano pelo River já foi campeão da Supercopa Argentina. Em 2018, veio o título da Libertadores, sobre ninguém menos que o Boca Juniors, em Madri. E, agora, uma nova vaga nas quartas de final do torneio.

Certamente, Armani deve achar que suas escolhas valeram a pena.

Afinal, como disse o presidente da torcida uniformizada do Atletico Nacional, Los del Sur, em sua despedida do clube, o goleiro sempre usou seu sangue argentino para mostrar a que veio.

Mas o começo foi duro.

Nômade

Armani foi revelado pelo pequeno Cordoba, do interior da Argentina. De lá, se transferiu para o Estudiantes de La Plata. Em seguida, sem receber chances, foi para o Ferro Carril Oeste, um pequeno clube na região central de Buenos Aires, onde jogou pouco, sem despertar muita atenção.

Chegou então ao ainda menor Deportivo Merlo, da segunda divisão argentina, em 2009. E, após um ano muito bom, com o time subindo de divisão, ele enfim, começou a ser notado e aparecer para os times da "Primera". Só que o acaso quis que Medellín entrasse no seu caminho.

Na pré-temporada daquele ano, o Nacional jogou um amistoso contra o Merlo. E Armani impressionou ninguém menos que o técnico Juan Carlos Osorio, que pediu sua contratação. Armani teria pela frente a concorrência do veterano compatriota Gastón Pezzutti. E, logo no primeiro ano, rompeu os ligamentos do joelho direito e ficou quase um ano parado.

Problemas nunca haviam parado Armani antes. E, mais uma vez, ele insistiu, até conseguir sua chance de ser titular, em 2013, para não mais sair do time. E tornar-se o jogador com mais títulos pelo clube na história do Atletico Nacional.

"Armani é um goleiro muito seguro, tanto nas bolas aéreas como embaixo dos paus", diz Tréllez. "Na Colômbia, ele se desenvolveu muito, cresceu demais", afirma.

Além da habilidade para as defesas, Armani também tem como forte característica o jogo com os pés.

"Ele fala muito com os zagueiros, orienta o time e sempre conquista o respeito dos companheiros", diz Tréllez.

'Melhor do mundo'

"Para o meu filho Jonathan, ele é o melhor do mundo. Pode perguntar para ele que ele vai te confirmar: é o Armani", revela Copete sobre o seu filho de 10 anos.

Além da parte técnica, a adoração do pequeno Jonathan tem muito a ver com o carisma do jogador. Por onde passou na Colômbia, o jogador deixou boas impressões.

"Era comum não só o meu filho, mas outros filhos de jogadores irem ao clube para brincar com ele, que adorava ficar fazendo defesas com os garotos", diz o jogador do Pachuca. "Ele é uma pessoa espetacular", completa.

É evidente que ter se tornado o maior campeão da história do Nacional certamente também ajudou. Pelos verdolagas, ele conquistou 13 títulos, incluindo uma Libertadores, seis títulos nacionais e uma Recopa Sulamericana.

A lista poderia ser maior, se o Nacional não tivesse aberto mão da Copa Sulamericana de 2016, em que o time colombiano teria pela frente a Chapecoense na decisão.

A tragédia catarinense abalou Armani profundamente. Foram quatro dias em que ele não queria sair de casa, em que só chorava. Comovido, o goleiro escreveu uma carta à memória de Danilo.

"Essa é a nossa vida. Uma vida onde há sonhos para alcançar, onde sempre há projetos a cumprir. Uma vida em que muitos querem estar, mas poucos alcançam", postou o jogador em sua conta no Instagram.

Armani, enfim, alcançou.