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'Flamenguismo' à flor da pele, interrompido por 'gemidão do Zap', domina apresentação de Filipe Luis no Flamengo

Flamengo em primeiro lugar.

A frase, que tem um duplo sentido que vem a calhar, fez parte da última resposta de Filipe Luis em sua primeira entrevista coletiva como jogador do clube.

E resumiu com perfeição o que o lateral discorreu pelos cerca de 30 minutos em que respondeu às perguntas da imprensa.

Por meia-hora, interrompida apenas por alguns segundos de gargalhadas por conta de um "gemidão do zap" que ecoou no Ninho do Urubu, o sentimento rubro-negro à flor da pele dominou o ambiente.

A cada resposta, o jogador fazia questão de tentar incluir algo que relembrasse e ressaltasse que ele voltou ao futebol brasileiro com um propósito superior: jogar pelo clube pelo qual torce desde criança.

Por exemplo:

"Quando o Flamengo liga, realmente balança, é diferente. Talvez, muita gente não tenha entendido essa decisão. Mas eles não sabem o que esse clube significa pra mim".

Ou: "Quando você está jogando no clube que você ama, fica tudo mais fácil. Não tenho assessor, estafe, como disseram. Escrevi do meu coração o que eu sinto", ao responder sobre a postagem que fez com uma foto sua, quando garoto, com camisa rubro- negra.

De qualquer forma, Filipe Luis afirma que a decisão de voltar ao Brasil não foi fácil.

"Foi uma decisão muito difícil. Foram 15 anos na Europa", disse ele, que confessou que, num primeiro momento, preferia ficar na Europa e seguir jogando a Champions League.

Filipe revelou que a esposa, que é espanhola, foi decisiva.

"Ela gosta daqui", disse entre risos.

"Quando expus as condições para ela, ela disse: você vai para o lugar onde realmente te querem", contou ele.

O pai também contribuiu, ao perguntar se ele estava esperando a "Kombi do Flamengo vir buscá-lo em casa".

"E a Kombi meio que foi, mesmo", disse ele, ao apontar para Bruno Spindel e Marcos Braz, diretores do clube que concederam entrevista coletiva ao lado dele.

"Só foi possível vir porque o Flamengo tem essa grandeza, esse projeto de ganhar tudo. Está certo que os resultados da última semana não foram os esperados, mas o projeto está aí", afirmou, fazendo menção à eliminação na Copa do Brasil, ante o Athletico Paranaense, e a derrota para o Emelec nas oitavas da Copa Libertadores.

Como não poderia ser diferente, Filipe disse acreditar na virada dentro do torneio continental.

"No Maracanã, nada é impossível. Com o torcedor, a nação do nosso lado, a gente vai ser capaz", cravou.

Filipe, porém, não sabe quando poderá entrar em campo.

"Vai depender dos treinamentos, da semana. Mas estou há quase três semanas sem competir. Obviamente, preciso de um tempo de adaptação. não sei quando. Mas o treinador vai me avaliar e vai ver", disse.

Sobre o técnico Jorge Jesus, a quem enfrentou pelo Atlético contra o Benfica, ele teceu diversos elogios. Chamou de mais um dos grandes técnicos com quem posso aprender e elogiou seu estilo "sólido" e de proposição de jogo.

NEGOCIAÇÃO

Filipe contou que a negociação não demorou de caso pensado, mas sim porque ele realmente estava em dúvida.

"Foram conversas interessantes aqui com o marcos e com o bruno. Não era questão de diferença financeira. Ou eu poderia ter ido para a China ou outro país", disse.

"O que motiva no futebol é o desafio de poder entrar para a história do Flamengo. Poucas pessoas tem esse privilégio", disse.

Outro ponto importante de convencimento foram os cafés da manhã que ele tomou com Rodolfo Landim, presidente do Flamengo e chefe da delegação brasileira na Copa América".

"Foram vários cafés. E o presidente (Rodolfo Landim) um dia me disse: 'eu não precisava estar aqui, mas estou aqui para ajudar o Flamengo. Ele e outros tantos. É esse o pensamento que nós todos, os flamenguistas, temos que ter aqui. O Flamengo tem que estar em primeiro lugar", afirmou.

Para quem revelou ter sonho de ser um dia técnico do clube, parece que a lição está bem aprendida.