Duas constatações ficaram claras para quem compareceu ao evento Neymar Jr's Five, em Praia Grande, no sábado, na sede do instituto que leva o nome do jogador.
A primeira é que o prestígio do atleta segue intacto, a despeito de sua marca, como ele mesmo diz, passar por sua pior crise de imagem.
As crianças que participam das atividades do Instituto Projeto Neymar Jr. , que lotaram, aos milhares, a arquibancada, idolatram o atacante, bem alimentadas com cachorros quentes, pipoca e sucos. Nem poderia ser diferente, afinal.
Os jovens que jogaram o campeonato, com idades entre 16 e 25 anos (cada time pode ter dois acima do limite) também. Garotos e garotas de 42 países tão díspares quanto Chile, Romênia, Eslováquia e Emirados Árabes. Conseguir uma foto com o atleta era como ganhar um troféu.
A segunda é que o estafe do jogador tem plena consciência da dimensão e dos riscos desta crise. E não está disposto a correr riscos de torná-la ainda maior - ao menos, não fora de um ambiente controlado.
Neymar não deu nem uma mísera declaração que não fosse protocolar, vaga e para os veículos da cobertura oficial da Red Bull, co-proprietária da festa. De antemão, as assessorias de imprensa do jogador e do evento já avisaram que ele não falaria.
Exceto pelos momentos que passou no gramado e no camarote, foi difícil se aproximar do jogador para captar imagens.
Neymar chegou a Santos de helicóptero. E, ao instituto, de carro, com o filho Davi Lucca, 7. Provocando correria e gritos histéricos. Rapidamente contidos por uma legião onipresente de seguranças.
Um cenário bem diferente do que ocorreu nos anos anteriores do evento, que está em sua quarta edição.
Em 2018, por exemplo, mesmo recém-eliminado com o Brasil na Copa do Mundo, o jogador concedeu entrevista coletiva. E fez de tudo para ser mostrar confortável.
Por mais que ele tivesse se tornado motivo de chacota mundial por rolar nos gramados russos após sofrer faltas, nada se compara a uma acusação de estupro, afinal. Tanto pior se ela estiver associada a um momento de grande incerteza na carreira do jogador.
O cuidado com os temas sensíveis parecia se estender a alguns dos convidados. O empresário da jogadora Cristiane, da seleção brasileira, por exemplo, queria filtrar o que seria perguntado à sua cliente. Amigos mais próximos do jogador também não quiseram falar.
Neymar pai também falou pouco. Deu boas-vindas, protocolarmente, no início do evento, e sumiu dos holofotes. É ele, afinal, quem vai representar o jogador nas reuniões que vão definir o futuro do craque.
Diante de tanto controle, fica difícil imaginar, por exemplo, que Neymar não calculou o barulho que causaria uma declaração sua a um veículo oficial do evento, é claro, dizendo que o melhor momento que viveu em um vestiário foi após a remontada de 2017, do seu então Barcelona contra seu ainda PSG, pela Champions League.
A ESPN apurou que Real Madrid e Barcelona, mais uma vez, assim como quando ele deixou o Santos, disputam o jogador. Que cada vez tem menos clima no clube francês. Principalmente por conta de suas atitudes.
Muito ficou por ser respondido.
Neymar se apresenta ao PSG para treinar na segunda (15)?
Como fica o contrato de Neymar como embaixador da Copa de 2022, no Qatar, que "pertence" ao mesmo xeque dono do PSG, se ele deixar Paris?
O que, afinal, Neymar quer?
Não foi possível perguntar. Mas todos os muitos jornalistas presentes souberam que Neymar ficou muito feliz com o evento.
Na primeira, na segunda... na décima vez em que ele respondeu à mesma pergunta, formulada de modos diferentes para que ele respondesse, seguidamente, a mesma coisa.
