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Neymar e Pogba são provas vivas de que jogadores 'de marca' não garantem sucesso dentro de campo

Quando o Manchester United contratou Ángel Di María do Real Madrid por 59.7 milhões de libras (cerca de R$ 280 milhões) em agosto de 2014, uma pesquisa feita pelo clube descobriu que a atividade no Google relacionada ao argentino subiu mais de 1000% em comparação ao dia em que chegou ao Bernabéu, quatro anos antes.

Os mesmos dados também mostraram que as buscas por Radamel Falcão García, no dia em que ele selou o empréstimo para os Reds Devils, cresceu 909% em comparação ao momento em que ele deixou o Atlético de Madrid e foi rumo à França.

Da perspectiva do clube de Manchester, os números enfatizavam duas coisas. Primeiro, é um clube que poderia atuar como combustível para o perfil social e a marca de todo jogador. E segundo, que muitas vezes eles podem permitir que a atração da "marca" de um jogador obscureça o fator mais importante para qualquer participante profissional em um jogo de equipe - sua habilidade de entregar em campo.

Doze meses depois de chegarem ao United em meio a publicidade e picos de mídia social, Di María e Falcão foram embora - dispensados pelo clube inglês após passagens apagadas. O argentino, inclusive, forçou uma transferência para o Paris Saint-Germain e deixou Old Trafford com poucos admiradores.

O que aconteceu com Di María e Falcão deveria ter servido de aviso para o United e para outros grandes clubes sobre os perigos de permitir que a "marca" ou reputação de um jogador carregue muito peso. Mas cinco anos depois dessas transferências para o United, o jogador de "marca" se tornou um problema ainda maior e não é só o clube que está sofrendo as conseqüências nesta janela de transferências.

Paul Pogba, avaliado pela SportsPro como o atleta mais "comercializável" do mundo em 2018, é o jogador que está dando muita dor de cabeça aos ingleses, devido a declarações públicas nada sutis de seu empresário sobre o desejo do jogador de deixar Old Trafford.

O PSG está tendo dores de cabeça o suficiente com o seu próprio astro, Neymar, que não se reapresentou com o elenco no começo desta semana. Vale lembrar que o brasileiro está sendo fortemente ligado a uma transferência para o Barcelona, que, por sua vez, anunciou a contratação de Antoine Griezmann.

Pogba, Neymar e Griezmann são todos jogadores de primeiríssimo nível com grandes marcas pessoais. Muitos na equipe inglesa e no time de Paris argumentariam que Pogba e Neymar não entregaram aquilo que prometeram, mas, se você perguntasse àqueles nos departamentos comerciais do Old Trafford e do Parque dos Príncipes, eles insistiriam que ambos foram um grande sucesso.

Pogba e Neymar são figuras extremamente conhecidas em todo o globo, e é por isso que continuam valiosos para seus clubes. O Atlético de Madrid também se saiu bem com Griezmann - o atacante da França conseguiu uma base muito mais consistente do que Pogba e Neymar em campo também. O problema foi que, depois de anunciar que ficaria no Atleti na última temporada, o ego de Griezmann começou a crescer em um ritmo alarmante.

Griezmann deu essa mesma cartada no fim da temporada passada, quando anunciou nas redes sociais que deixaria os Colchoneros.

Pogba é motivo de desprezo diariamente de torcedores e ex-jogadores do United. Enquanto isso, o diretor esportivo do PSG, Leonardo, admitiu que Neymar pode sair pelo preço certo, devido ao clube francês ter esgotado sua paciência com o jogador de 27 anos.

Mas também há uma sensação de colher aquilo que planta com Neymar e Pogba.

O United deixou claro que a marca de um jogador é importante em Old Trafford, com Richard Arnold, diretor administrativo do clube, afirmando em 2012 que o United tinha um elenco de "25 George Clooneys".

"Nossos jogos são exibidos em 1,1 bilhão de lares em todo o mundo. Qual time faz isso 60 vezes por ano?" acrescentou Arnold. "Não há nada como isso."

Já o PSG, que contratou Neymar por cerca de R$ 820 milhões em 2017, admitiu que o brasileiro estar ali tinha mais a ver com provar um ponto - o de que o clube parisiense iria disputar os maiores títulos da Europa - do que, de fato, vencer títulos.

De uma perspectiva puramente futebolística, você tem que questionar se todo aumento comercial e reconhecimento de marca gerado pelas contratações de Pogba e Neymar realmente valeram a pena para United e PSG, respectivamente. E até que ponto o Atlético se beneficiou ao ajudar Griezmann a desenvolver sua própria marca, já que ter uma marca grande fez com que o francês anunciasse suas decisões nas suas redes sociais, não nas do clube.

De Di María e Falcão a Pogba e Neymar, há um fio que leva à seguinte conclusão: permitir que a marca se torne tão importante quanto o futebol raramente termina bem. Em outras palavras, o ganho em curto prazo não quer dizer, necessariamente, que haverá ganho em longo prazo onde mais importa - no campo.