Bragantino joga no exterior após 23 anos e volta invicto de turnê contra times de Champions e Europa League

Não valia taça. Mas, se valesse, o Bragantino teria voltado da Europa não apenas com o troféu, mas também com um título invicto em sua primeira turnê internacional na história.

Durante a parada para disputa da Copa América, o Massa Bruta esteve em Salzburgo, na Áustria, no centro de treinamentos de seu "irmão" de parceria, o Red Bull Salzburg.

A última partida do clube de Bragança Paulista em território internacional, até este ano, tinha sido em 1996. Enfrentou o Independiente Santa Fé, de Bogotá, pela antiga Copa Conmebol de 1996.

Há 23 anos, após eliminar o Palmeiras, o Braga foi à Colômbia e perdeu por 1 a 0, em 17 de outubro. Na volta, em Bragança, o empate por 0 a 0 (em 23 de outubro) o eliminou do torneio nas quartas de final - o Independiente do goleiro Dudamel, hoje técnico da Venezuela, perderia a final para o Lanús, da Argentina.

"Eu fico até emocionado de falar e de ver como o Bragantino já está mudando em três meses desde o acordo com a Red Bull", diz Marquinho Chedid, presidente do Bragantino, que viajou com a delegação.

Para Chedid, afinal, o Braga, bem à moda libanesa, é mais que o clube que ele preside. É um "negócio" de família. O libanês Nabi Abi Chedid, seu pai (1932-2006), ex-presidente da CBF, foi patrono do clube e empresta seu nome ao estádio da agremiação.

"Vimos lá uma estrutura sem igual, algo que não tem parâmetro no Brasil. É com esse tipo de estrutura que, futuramente, iremos contar por aqui", diz Chedid.

Na Áustria, sede de sua patrocinadora, onde ocorreu a intertemporada, o Braga disputou quatro partidas:

Bragantino 1 x 0 Levski Sofia-BUL, em 23 de junho, gol de Bruno Tubarão.

Bragantino 2 x 1 Ferencváros-HUN, em 26 de junho, com gols de Ytalo e Barreto.

Bragantino 3 x 1 Legia Varsóvia-POL, 30 de junho, de virada, com dois de Ytalo e um de Léo Ortiz.

Bragantino 2 x 1 Honved-HUN, em 3 de julho, há dez dias. Ytalo anotou duas vezes.

Houve ainda um quinto, um jogo-treino, contra o pequeno SAK-1914, um time semi-amador da Áustria, em 2 de julho. Esse jogo nem teve duração completa. Foram apenas dois tempos de 30 minutos para movimentar os jogadores menos aproveitados. Robinho marcou o gol da vitória brasileira.

O clube de Bragança, líder da Série B do Campeonato Brasileiro, enfrenta, neste sábado (13), o Paraná Clube, em Curitiba.

CAMPEONATOS EUROPEUS E TIMES HISTÓRICOS

Como se vê, os clubes não eram clubes top da Europa. Mas quatro deles eram times de primeira divisão de seus países, ao contrário do próprio Bragantino, que hoje lidera a Série B do Brasileiro.

"Foram jogos difíceis, que serviram para a gente ver o nível em que estamos", disse o técnico Antônio Carlos Zago.

"Jogamos contra equipes que estão nas fases preliminares da Champions League e da Europa League e conseguimos cinco vitórias que serviram, também, para mantermos a motivação alta e a confiança durante essa parada no calendário", completou.

O Ferencváros, por exemplo, já estreou na Champions, vencendo o Ludogorets, por 2 a 1, na quarta-feira (10). Joga agora por um empate na Bulgária, na próxima quarta, para seguir para a segunda fase eliminatória antes da fase de grupos.

Além de estar na maior competição da Europa, o clube é o maior vencedor de campeonatos húngaros, com 30 títulos.

O Honved, outro adversário húngaro batido pelo clube paulista, tem 14 títulos, mas foi o clube em que jogou o lendários Ferénc Puskas, por exemplo, que atualmente dá nome ao troféu da Fifa de gol mais bonito do ano - o Prêmio Puskas.

Na Europa League, venceu na quinta-feira o Zalgiris, da Lituânia, por 3 a 1. A partida de volta será no próximo dia 18.

O Levski Sofia tem 26 campeonatos búlgaros e também lidera a tábua de conquistas no seu país. Assim como o polonês Legia Varsóvia, que soma 14 títulos poloneses e, na temporada 2016-17, chegou à terceira fase da Europa League.

Ambos estão na fase preliminar da Europa League. Na Champions League, o Legia Varsóvia foi semifinalista na temporada 1969-70 e, mais recentemente, chegou às quartas de final, em 1995-96.

Apenas o SAK-1914, da Áustria, atua em ligas menores de seu país.

Durante a parada, o estádio do clube, o Nabi Abi Chedid, passou por reformas nos setores de arquibancada, vestiários, bares e banheiros. Tudo parte do acordo com a empresa austríaca.

Ainda há planos de construção para um centro de treinamentos. Estes, porém, ainda estão em estágios preliminares.