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Colômbia x Chile na Copa América promete duelo de estilos: '44-25-28' ou 'joga e deixa jogar'

Uma equipe com 100% de aproveitamento contra o melhor segundo colocado e atual bicampeão. Nenhuma partida de quartas de final da Copa América traz tamanho equilíbrio como o duelo entre Colômbia e Chile, que acontece nesta sexta-feira, na Arena Corinthians, em São Paulo.

Além dos números parecidos, o jogo promete também ser um confronto de estilos. De um lado, a ofensividade de Reinaldo Rueda, e do outro, a verticalidade de Carlos Queiroz. É o que pensa, pelo menos, o meio-campo colombiano.

“O Chile joga e deixa jogar. Dos dois rivais que podíamos pegar, para mim, é muito melhor para o nosso estilo de jogo pegar o Chile”, confessou Mateus Uribe em entrevista na última quarta. “É uma equipe que joga muito bem com a bola, a coloca no chão, tem no meio jogadores importantes que mantêm a bola, mas te dão espaço, te dão a opção de jogar", explicou o colombiano.

Para o atleta do América-MEX, o jogo de sua seleção se encaixa com a proposta do adversário.

"Temos sido muito verticais e isso nos ajuda muito a contrastar o jogo da equipe rival”, disse. “Não podemos só ter a bola, a posse, precisamos ser mais verticais em algumas situações de jogo”, completou Uribe.

As mudanças de Queiroz

Muito dessa mudança de estilo da Colômbia, antes mais aberta ao ataque, se deve ao treinador Carlos Queiroz. O português assumiu a seleção em fevereiro deste ano e adaptou a tática de jogo.

“Nessa nova era, com Queiroz, a equipe faz coisas que não fazia antes”, disse Uribe. “Sermos compactos, atacar e defender juntos. Não deixar espaço entre as linhas e não dar a possibilidade nunca de uma equipe nos deixar desorganizada”, concordou Davinson Sánchez, zagueiro do Tottenham e da Colômbia.

O próprio Carlos Queiroz, entretanto, não acredita que sistemas táticos sejam tão importantes como o conjunto adquirido pelos jogadores.

“No nível que estamos jogando, Chile e Colômbia têm um minuto para analisar o que se passa diante de nós e tomar decisões”, comentou o técnico em entrevista coletiva na última quinta. “Em 60 segundos, os jogadores têm que decidir como desenvolver a arte de ganhar o jogo de futebol. Se é com 5-3-2, 3-4-3, 44-25-28, eu não sei”, brincou.

“Como falo sempre, não é Playstation”, finalizou.

Chile: dominar o jogo

Se a Colômbia se considera mais “vertical” que o Chile, os números mostram bastante equilíbrio.

Segundo os dados do ESPN TruMedia, a seleção colombiana teve na primeira fase da Copa América mais posse de bola que os chilenos, além de mais passes tentados e também mais sequências com ao menos seis passes trocados.

A equipe de Queiroz, porém, de fato terminou mais sequências de passes no “terço final” – a intermediária de ataque – do que os comandados de Rueda.

O atacante chileno José Pedro Fuenzalida, por sua vez, discorda que ‘La Roja’ deixará os adversários jogarem.

“É chave e temos claro que é um rival que não se pode deixar jogar. É um rival que nós teremos que tratar de dominar a partida e sermos precisos na hora de atacar”, afirmou ele na última quarta-feira.

“A Colômbia mudou um pouco seu estilo de jogar nos últimos tempos. É uma equipe que se recompõe melhor e ataca com velocidade e, com os jogadores que tem na frente, tem muita potência. Não podemos ceder terreno para eles, porque qualquer contra-ataque pode ser muito perigoso”, disse.

“Sua forma mudou um pouco com o tempo para um futebol mais pragmático, mas é muito agressivo quando vai à frente”, concluiu o atleta da Universidad Católica-CHI.

"Vai ser um jogo em que, talvez, a diferença vai ser muito apertada. Vai prevalecer muito a memória tática, o conhecimento e o oportunismo de resolver no momento certo", definiu Reinaldo Rueda em entrevista coletiva na última quinta-feira.

Quem triunfar nesse "confronto de estilos" na Arena Corinthians avança para enfrentar na semifinal o vencedor de Uruguai x Peru, que medem forças no sábado, na Arena Fonte Nova, em Salvador.