Gonzalo Alejandro Jara Reyes, 33 anos, chileno e atualmente defensor do Estudiantes de La Plata e detentor da camisa 18 da seleção chilena. E mais uma vez, o defensor está com os holofotes apontados para si.
Aos 28 minutos do segundo tempo da partida entre Chile e Uruguai que terminou em vitória para os uruguaios com um gol de Cavani, um torcedor invadiu o gramado, "driblou" quatro seguranças e só foi parado por Jara, com uma "leve" rasteira.
O momento arrancou risadas do invasor, de torcedores e até de alguns jogadores quando o zagueiro fez a "falta", mas também tiveram algumas vaias e foi necessário até que o treinador Reinaldo Rueda saísse em defesa de seu jogador.
A principal razão das críticas se deve ao fato de Jara ser um personagem, no mínimo, controverso da seleção. O jogador já 'causou' algumas outras vezes.
'Bautizazo' com o Mago Valdívia
"Bautizazo".
Assim ficou conhecido o episódio em que Jara não foi protagonista, mas um dos envolvidos no que quase destruiu a melhor geração chilena da história do futebol: a mistura de "batizado" (em espanhol) com "Maracanazo", que simboliza derrotas drásticas, e também por estar próximo a uma partida contra o Uruguai (que venceu o Brasil em 1950, no 'Maracanazo').
Se não fosse Jorge Sampaoli, atual técnico do Santos, recuperar a geração, nem Jara, nem Valdivia, Arturo Vidal, Carlos Carmona ou Jean Beausejour poderiam estar na Copa do Mundo de 2014 ou na seleção chilena.
Em 8 de novembro de 2011, três dias antes de uma partida contra a seleção uruguaia, fora de casa, pelas eliminatórias da Copa, Jorge Valdívia, então jogador do Palmeiras, pediu liberação da concentração à comissão técnica para ir ao batizado de seu filho e levou os quatro amigos.
Claro que o grupo chegou atrasado para seu retorno, e segundo Claudio Borghi, treinador do time na época: "Não estou em condições de dizer em que estado estílico estavam, mas não estavam em boas condições. Lamentavelmente não podiam se defender. Não há defesa alguma". Essa foi a justificativa que utilizou para afastar todos os jogadores envolvidos da seleção.
A situação ficou incômoda até mesmo com os companheiros, como Claudio Bravo, Gary Medel, Alexis Sanchez e Humberto Suazo, que cobraram "conduta" dos cinco, e a falta de comprometimento. A cobrança causou desconforto dentro do time após Valdivia declarar que era "lamentável" o que falou Bravo: "Me sinto triste pela mentira, me conhece há anos".
Sem os titulares absolutos Jara e Vidal, Valdivia em grande momento e importantíssimo para a seleção ao lado de Alexis Sánchez, o Chile perdeu por 4 a 0 para o Uruguai no jogo seguinte.
O tempo passou, Sampaoli assumiu a seleção chilena após ótimas campanhas com o Universidad de Chile, e após o treinador Claudio Borghi cair ao final de 2012, e teve que mudar os rumos para conseguir recuperar a 'melhor geração'.
"Foi um episódio lamentável. Os caras não tinham mais vida e chance na seleção. Quando Sampaoli chegou, sentiu que precisava da qualidade deles. Resolveu dar um voto de confiança, colocou uma pedra sobre o assunto e salvou essa geração", disse Victor Castro, jornalista chileno da rádio ADN.
Sampaoli convocou uma reunião, cobrou comprometimento e resolveu lhes dar mais uma chance. E os resultados não decepcionaram: terceiro lugar nas eliminatórias e a 'pedra no sapato' da Espanha na fase de grupos da Copa de 2014 que eliminou os atuais campeões do mundo.
E assim seguem até hoje, mesmo sem Sampaoli. A história do "Bautizazo" vem à tona apenas quando um deles faz besteira... e Jara não tem ajudado a esquecer.
'Dedada' em Cavani
Talvez a aparição mais famosa de Jara nos noticiários mundiais foi a famosa 'dedada histórica' em Cavani, em partida pelas quartas de final da Copa América de 2015, que terminou em vitória por 1 a 0 para o Chile.
Àquele momento, o jogo estava no segundo tempo e ainda empatado em 0 a 0. Foi quando os dois começaram a discutir e o atacante uruguaio agrediu Jara. A primeira reação do árbitro da partida, Sandro Meira Ricci, obviamente, foi de expulsar Cavani de campo.
Porém, ninguém ali tinha visto, ou sentido como Cavani, o que havia feito o zagueiro. O uruguaio saiu de campo furioso, a seleção dele se desestabilizou com a expulsão de um de seus grandes nomes e acabou levando um gol de Isla que decidiu a partida e avançou o Chile para a próxima fase.
A imagem da 'dedada' rodou o mundo, as pessoas entenderam a reação e a fúria do atacante, além de que o auxiliar técnico do Uruguai revelou que o chileno havia falado que o pai de Cavani iria "mofar na cadeia" após um acidente de trânsito que causou a morte de um ciclista no dia anterior ao jogo.
Talvez esse tenha sido o grande motivo pelo qual o mundo conheceu Jara, mesmo com o título daquela Copa América e a do ano seguinte.
Se for perguntado quem era o zagueiro titular do Chile na final contra a Argentina em julho de 2015, dificilmente será citado Gonzalo Jara. Mas se for perguntado sobre a 'dedade no Cavani'...
