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Copa América: Tabárez, técnico do Uruguai, faz reflexões em coletiva e aponta livro que o tem influenciado

No alto de seus 72 anos e com a experiência de quem já foi professor, Óscar Tabárez mostrou-se dono de um discurso mais denso e reflexivo em relação ao que normalmente ocorre em uma coletiva de imprensa de futebol. Entre observações que foram além do jogo em si, o técnico do Uruguai mencionou em duas oportunidades o livro que está lendo.

“Estou cada vez mais velho, e com esse envelhecimento e eu tenho a convicção de que essas são as coisas importantes, a liderança, que as vezes é natural... estou lendo um livro sobre os All Blacks, de Nova Zelândia. Os líderes têm a função de formarem líderes. Ou seja, de ter companheiros que tomem decisão no campo. Isso me parece o mais importante”, declarou o treinador na véspera da partida contra o Japão pela Copa América.

O livro em questão é, em português, ‘Legado. 15 Lições de Liderança que Podemos Aprender com o Time de Rugby All Blacks’, de Josh Kerr, que passou cinco semanas ao lado da famosa equipe antes da Copa do Mundo de 2010.

Ao ser questionado sobre o que falaria ao Tabárez de 30 anos atrás, ele voltou a citar a publicação. “Tenho mais convicções, que é o que nos faz ir adiante. Eu não sou o dono da verdade, mas me questiono muito. Vi no livro que a melhor forma de mostrar humildade é fazer perguntas, e o melhor é fazer perguntas a si mesmo. Dessa maneira tentamos ajudar os demais”.

A humildade, mencionada por Tabárez é apontada no livro como, por exemplo, no fato de os jogadores limparem o vestiário. “Antes de sair de lá após os jogos, alguns dos nomes mais famosos do rugby, incluindo Richie McCaw, Dan Carter e Mils Muliana, param e limpam a sujeira que deixaram. Eles literalmente varrem o chão”, escreveu Kerr em um artigo no jornal The Telegraph.

Além do livro, o treinador da seleção ainda se alongou em respostas em temas mais abstratos que tática ou técnica. Os assuntos tradicionais como escalações, adversário e objetivos, desta vez, não foram tão protagonistas assim.

“A fortaleza vem de ações que vão se fortalecendo e tem fundamentalmente a ver com os valores humanos. O respeito e solidariedade. Quando uma equipe tem isso, quando tem significado no que faz, quando tem amor por seu esporte e por seu país, são elementos intangíveis para muitos”, afirmou o treinador.

Quanto à equipe que entrará em campo na próxima partida, ele foi questionado sobre o quem ficará com o lugar de Matías Vecino, que acabou cortado por lesão.

“Vocês vão saber o substituto antes da partida de amanhã. Mas não sei por que tenho que dar a equipe agora. Os jogadores já sabem, eles sim têm que se preparar”, afirmou.

Uruguai e Japão enfrentam-se nesta quinta-feira, às 20h (de Brasília), na Arena do Grêmio, em Porto Alegre. A partida é válida pela segunda rodada do grupo C.