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Copa América - Disciplina, rigor e cuidado com jovens: por que projeto Gareca encanta peruanos

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Seleção brasileira joga na Fonte Nova contra a Venezuela nessa terça-feira, às 21h30 (de Brasília) (0:46)

Qualquer jornalista ou torcedor peruano que tenha vindo ao Rio de Janeiro para ver a seleção do Peru nesta terça-feira contra a Bolívia, no Maracanã, às 18h30 (de Brasília), pela segunda rodada da Copa América, define a estreia da equipe no torneio como decepcionante, forma como asseguram que vão encarar se o time não vencer hoje.

Alguns até afirmaram que uma eventual eliminação na primeira fase entrará para a história como um enorme fracasso, ainda mais porque o Peru é o favorito ao segundo lugar do Grupo A, que tem o Brasil (grande favorito a liderar), a Bolívia e a Venezuela, com quem o time empatou por zero a zero.

Esse pensamento é reforçado pelo que o Peru fez desde que Ricardo Gareca assumiu a seleção em julho de 2015. Naquela época, a equipe estava em frangalhos e a missão era construir uma equipe capaz de estar na Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Vale lembrar que o Peru não ia ao Mundial desde 1986.

O treinador conseguiu surpreender e antes do previsto classificou os peruanos para a última Copa, na Rússia.

O feito é até hoje lembrado, mas muitos torcedores (e alguns jornalistas do país) entendem que ser eliminado na primeira fase da Copa América seria um grande fracasso e até um retrocesso.

A Federação Peruano já decidiu se blindar e não está pensando em mudanças.

Gareca trouxe muitos benefícios à seleção, como criar códigos de disciplina, algo que vinha faltando e que atrapalhou inúmeras gerações de jogadores, com exigências como: jogadores convocados têm de se apresentar no hotel da seleção tão logo desembarque no hotel onde a equipe está concenctrada e não tem autorização para sair dele. Receber visitantes? Só depois de avaliação da comissão.

Folgas em torneios como o atual são dificies de ocorrer, mas podem ser negociadas dependendo da duração da competição.

O rigor também aumentou. Gareca deixou claro quando chegou que não seria tolerante com falhas. Jornalistas do Peru dizem que o técnico conseguiu criar uma dinâmica capaz de colocar na linha os mais polêmicos e tirar deles rendimento que não tem nem nos clubes.

Um dos exemplos dados foi o do meia Cristian Cueva.

Ele não vinha tendo boas atuações, chegou a tomar multas no São Paulo por se apresentar ao time com atraso e se negar a viajar com a delegação, por exemplo. Já na seleção peruana jamais teve qualquer falha do tipo e o rendimento sempre foi considerado bom.

O outro fator é a preocupação de Gareca em olhar a base.

Ele exige da Federação Peruana um trabalho mais criterioso nas divisões inferiores e tem dado chances para jovens integrarem a seleção peruana. A justificativa é ter um trabalho com continuidade para repor atletas que estão em queda física ou próximos de se aposentarem.

"Estou no começo do meu quinto ano na seleção. É difícil dizer quem é que vai jogar a próxima eliminatória com nós. Tenho jogadores com idade avançada, jovens que aparecem. E muitas coisas podem acontecer já nesta Copa América. O objetivo atual é ir bem neste torneio e melhorar como seleção", disse Gareca em coletiva de imprensa.

Ainda que tenham aparecidos críticos, Gareca conta com apoio popular e de boa parte da imprensa peruana.

Ninguém imagina que ele corra risco de demissão caso não avance de fase na Copa América. O objetivo continuará buscar vaga na Copa de 2022 --a eliminatória iniciará em março do ano que vem.

"Quando cheguei havia dúvidas do que poderia acontecer. Agora temos quatro anos e a terceira Copa América. Sempre com os mesmos jogadores. Temos mais experiência. Sempre vai haver mais expectativa. Isso aumentou a crítica. Ela é permanente. Ela é exigente. Não perdemos de vista que temos de melhorar", disse Gareca.

De qualquer forma, seguro no cargo e livre para conduzir seu trabalho de recuperação da seleção peruana, ele sabe que vencer a Bolívia hoje evitará decidir a vida numa partida contra o Brasil, dia 22, em São Paulo, além de se fortalecer cada vez mais no cargo.