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Hearts fica perto de encerrar jejum de 41 anos na Escócia, mas leva virada no fim e perde título para o Celtic

Celtic derrota Hearts e é campeão escocês Reprodução/Celtic

O Hearts esteve a poucos minutos de protagonizar uma das histórias mais improváveis do futebol europeu recente. Líder do Campeonato Escocês desde setembro e sonhando em encerrar uma espera que já durava mais de quatro décadas, o clube de Edimburgo chegou a abrir o placar no Celtic Park neste sábado (16), mas sofreu uma virada dramática no fim, perdeu por 3 a 1 para o Celtic e viu escapar um título que parecia cada vez mais possível ao longo da temporada.

A conquista manteve viva a hegemonia histórica da dupla Celtic e Rangers no futebol escocês. Desde o título do Aberdeen comandado por Sir Alex Ferguson, em 1985, nenhum outro clube havia conseguido quebrar o domínio da “Old Firm”. O Hearts tentou desafiar essa lógica até os minutos finais da última rodada, mas acabou sucumbindo justamente diante do principal favorito ao troféu.

O cenário carregava contornos históricos. Fundado em 1874, o Hearts conquistou o Campeonato Escocês apenas quatro vezes e não levantava a taça desde a temporada 1959/60. A campanha surpreendente recolocou o clube entre os protagonistas do país e fez muitos torcedores sonharem com um feito comparável ao título do Leicester na Premier League, em 2016.

O elenco ainda contou com a presença do brasileiro Eduardo Ageu, meia revelado pelo Cruzeiro, que integrou o grupo durante a campanha, embora tenha perdido boa parte da temporada após uma grave lesão.

Do outro lado, o Celtic mostrou mais uma vez a força de sua tradição. O clube conquistou o 56º título nacional, ultrapassando o rival Rangers e garantindo também vaga nos playoffs da próxima edição da UEFA Champions League. Após a conquista, o técnico Martin O'Neill exaltou o significado da campanha campeã.

“Devo admitir, jamais imaginei que um dia veria esses caras lá em cima... a atmosfera... os jogadores, a comissão técnica, tudo isso me deu um motivo para viver”, afirmou o treinador, que deixou o clube ao longo da temporada e retornou para colocá-la nos trilhos.

O jogo

Em campo, a decisão foi marcada por tensão e dramaticidade. O Hearts saiu na frente aos 42 minutos do primeiro tempo, quando Shankland apareceu bem após cobrança de escanteio e cabeceou para abrir o placar. O resultado colocava o título nas mãos da equipe visitante, mas o roteiro mudou ainda antes do intervalo. Nos acréscimos, o Celtic teve um pênalti marcado a favor, e Engels converteu para deixar tudo igual.

A segunda etapa ganhou clima de decisão. Precisando da vitória, o Celtic se lançou ao ataque e passou a oferecer espaços para os contra-ataques do Hearts. Quando o empate parecia o resultado mais provável, veio a virada. Aos 42, Osmand apareceu livre pela esquerda após bela troca de passes e cruzou rasteiro. Maeda se antecipou ao goleiro Schwolow e desviou para o fundo das redes.

Desesperado, o Hearts partiu para o tudo ou nada nos acréscimos e acabou castigado novamente. Aos 53, até o goleiro Schwolow foi para a área tentar o empate em cobrança de escanteio, mas o Celtic afastou a bola e armou um contra-ataque sem qualquer marcação adversária. Com o gol vazio, Osmand apenas empurrou para decretar o 3 a 1 e confirmar o título.

O apito final, porém, acabou antecipado em meio ao caos. Após o terceiro gol, torcedores invadiram o gramado do Celtic Park, gerando uma grande confusão. Shankland reclamou de ter sido agredido com um soco por um invasor, enquanto jogadores do Hearts precisaram ser escoltados até o vestiário.

Diante da situação, o árbitro encerrou a partida antes do tempo e confirmou o título do Celtic.