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Copa América: técnico da Venezuela, Dudamel já 'quebrou um galho' para Valderrama

A Venezuela atravessa um de seus melhores momentos no futebol, e parte da responsabilidade por isso é de Rafael Dudamel. O ex-goleiro e atual treinador da seleção tem como uma de suas qualidades a determinação, como conta alguém que já conviveu de perto com ele.

“Nunca vi na minha vida um goleiro que trabalhe tanto como ele”, contou Cesar Semidey, que foi treinador de goleiros e assistente técnico do Unión Atlético Maracaibo, quando Dudamel era atleta do clube. “Com ele tinha que treinar no mesmo dia da partida. Se o jogo era de tarde, tinha que treinar na manhã (...) Fez sua carreira de jogador sendo extraordinário, sendo sempre muito exigente. ”

Semidey, também ex-goleiro e hoje comentarista da rádio La SuperDeportiva, acredita que o atual comandante da Vinotino manteve a postura também na função de técnico.

“Dudamel é demasiado exigente, é demasiado programado para as coisas. Ele dá horas à imprensa, aos jogadores, aos dirigentes, todos têm uma programação. Quer ser perfeccionista em todos os seus critérios. Se apoia muito no coaching esportivo, que anteriormente chamávamos de psicólogo. Para motivar, agrupar e manter um grupo fortalecido”, afirmou.

E a disciplina não diz respeito somente aos treinos ou ao futebol. A aparência também é algo que Dudamel sempre se preocupou.

“Era demasiado profissional, e um tipo demasiado perfeccionista em sua forma de ser. Muito culto, tomava ducha no intervalo das partidas, se arrumava, mudava a luva. Elegantíssimo”, declarou Semidey. “Você o vê na zona técnica em campo, a personalidade que emite, sempre bem vestido, engravatado. É impecável neste sentido, e a personalidade reflete sobre os jogadores”.

Aliás, tamanha preocupação de Dudamel já acabou ajudando uma lenda do futebol. Certa vez, Carlos Valderrama foi convidado para jogar um amistoso pelo Maracaibo contra o Deportivo Cali.

“Ele chegou com uma bolsa, com as chuteiras, sem caneleira, porque ele não usa nem caneleira, nem ataduras. A equipe não fazia o aquecimento no campo, fazia em baixo das tribunas que era cimento. E Dudamel tinha algo tão espetacular, que sempre tinha quatro pares de chuteiras, quatro pares de tênis e quatro pares de sapato”, relatou Semidey.

“Valderrama disse: ‘professor, aqui com essa chuteira não posso aquecer aqui’. (O treinador respondeu: ) ‘Tranquilo, o Dudamel tem’. Pegou um par de sapatos: ‘corre aí’. E todos riram, porque Dudamel sempre estava precavido para tudo: colônia, shampoo, barbeador, toalha, roupa interior, dois, três suéteres, tudo. Perfume para jogar, três, quatro pares de luva. Elegante.”

Mas a caneleira não era necessária, e Valderrama explicou a Semidey o motivo. “Professor, tranquilo, que não deixo o adversário chegar, eu toco antes”.

“E está certo. Tremendo jogador”, elogiou Semidey.