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Lloris pode entrar para a história do futebol se Tottenham ganhar a Champions sobre o Liverpool

Ter em suas mãos o troféu mais cobiçado do futebol mundial não é uma novidade para Hugo Lloris. Há pouco menos de um ano, o capitão do Tottenham foi o responsável por erguer a taça da Copa do Mundo da Rússia pela França. Neste sábado, ele pode repetir o gesto na Champions League caso derrote o Liverpool em Madri.

O arqueiro pode igualar o feito de lendas como Phillip Lahm e Didier Deschamps, que venceram as duas competições como capitães de suas equipes.

A imagem de Deschamps erguendo a Copa do Mundo de 1998 pela França, aliás, é uma das lembranças mais felizes da infância de Lloris, que tinha apenas 11 anos quando os Bleus venceram por 3 a 0 a final contra o Brasil.

Apesar de ver o país dele eliminar a seleção brasileira no Mundial de 2006, uma coisa permaneceu inabalada na cabeça do goleiro: "Ele dizia que admirava muito os jogadores brasileiros como Ronaldo e Ronaldinho por serem caras habilidosos", afirma ao ESPN.com.br o meia-atacante Ederson, ex-meia do Flamengo, que foi companheiro de Lloris no futebol francês.

"Talvez poucas pessoas saibam disso, mas ele joga muito bem com os pés, é um canhoto com habilidade. Nos treinos mais descontraídos, ele jogava na linha e era impressionante."

As trajetórias dos dois tinham acabado de se cruzar na época da Copa de 2006. Alguns meses antes de Thierry Henry empurrar a bola para o fundo da rede de Dida naquela confronto pelas quartas de final do Mundial da Alemanha, Lloris fez sua estreia como profissional na Ligue 1. Isso aconteceu em março. Dali para frente, foram mais quatro atuações como titular no gol do Nice, que tinha Ederson na linha de frente.

"Ele se destacou muito rápido, vi que logo ia fazer sucesso e virar titular mesmo", conta Ederson. "Ele entrou na equipe e, quando se firmou, virou indiscutível. Teve uma evolução muito rápida."

Foi bem rápida mesmo. Tanto que dois anos depois Lloris já estava sendo convocado para defender o gol da seleção francesa. Uma outra consequência natural de suas boas atuações pelo Nice foi o interesse que despertou de grandes clubes europeus naquele ano. O Tottenham, seu atual time, já queria levá-lo naquela época. O Milan, que buscava uma alternativa para Dida, também estava na disputa. Mas quem levou a melhor foi o Lyon, no qual ele reencontraria o atacante brasileiro.

"Eu tinha sido contratado em janeiro de 2008 pelo Lyon, mas fizeram um acordo para que eu fosse para lá só ao final da temporada", lembra Ederson. "Quando cheguei lá, o Lloris estava sendo bastante disputado no mercado. Aí eu falei para ele ir para o Lyon também. Assim ele teria a oportunidade de continuar na França e nós poderíamos evoluir juntos. Foram mais quatro anos como companheiros e fomos até parceiros de quarto."

As conversas entre os dois passavam bastante pelas suas respectivas famílias. Ederson se refere aos parentes de Lloris como "ótimas pessoas" e lembra até hoje do pai do francês, que foi um tenista profissional, acompanhando os jogos no estádio. Aliás, o tênis foi o primeiro esporte do garoto Hugo, que idolatrava o brasileiro Guga Kuerten.

Por causa deste tempo todo de convivência no Nice e no Lyon, e também pela postura em comum fora dos gramados, Ederson coloca Lloris como um grandes amigos que ganhou no futebol.

"Ele falava pouco, mas a gente sempre se entendeu bem, porque também sou uma pessoa tranquila quando não estou jogando. Prefiro descansar e ficar em paz. E a gente se dava bem por causa disso. Íamos dormir na hora certa e nos preparávamos da maneira correta para os jogos", relata.

Mas é bom que ninguém se engane: Lloris pode não ser muito falante em condições normais, mas Ederson lembra do quanto o goleiro sabe fazer isso na hora certa.

"Nos momentos em que é necessário, ele é o primeiro a falar. Ele sempre foi um líder neste sentido. Dava bons exemplos e era muito firme. Tem uma personalidade bastante forte para dar opinião. Por isso ele é o capitão da seleção francesa. Ele tem uma liderança natural", conta.

A parceria entre os dois chegou acabou ao final da temporada 2011/12, quando Ederson assinou com a Lazio. Um ano depois, Lloris juntou-se ao Tottenham, onde está até hoje e se consolidou como um dos grandes goleiros do futebol mundial.

Desde então, o arqueiro francês foi campeão do mundo pela França e fez uma grande Copa, apesar da falha na final - ironicamente em uma jogada que foi sair com os pés e acabou desarmado.

No começo desta temporada, ele foi multado em 50 mil libras e proibido de dirigir por 20 meses depois de admitir ter conduzido embriagado. Nada que abalasse seu prestígio com o técnico Mauricio Pochettino, que o manteve como capitão da equipe.

A confiança deu resultado. Lloris foi um dos maiores destaques da equipe na temporada. Agora, pode retribuir o gesto do treinador argentino com a conquista da primeira Champions League.