Jhonata Ventura, 15, foi um dos três sobreviventes na tragédia no Ninho do Urubu, CT do Flamengo, em 8 de fevereiro. Em entrevista à TV Globo, exibida neste domingo (5), ele relatou detalhes do que aconteceu no dia do incidente - bem como de sua rotina no que considera ser sua "nova vida".
Foram 64 dias internado. Há cerca de duas semanas, o jogador, que passou por três cirurgias, esteve no campo do Maracanã com os jogadores do time profissional do Flamengo, comemorando a conquista do título do Carioca.
"Me sinto como em uma nova vida (sic). Outra data de nascimento, sabe, como se eu tivesse ressurgido, tinha acabado minha história, começado outra", disse o zagueiro, que fez aniversário dias antes da tragédia.
O jogador, que mostrou-se feliz e animado durante a reportagem, tem consultas médicas diárias para tratar das queimaduras, que chegaram a atingir 30% do seu corpo e suas vias aéreas. Na última semana, ele prestou depoimento sobre o caso e relatou dificuldades, pois poucas vezes falou do incidente desde o ocorrido.
Jhonata contou que, no dia, ouviu, do seu quarto (3), um barulho vindo de outro quarto do alojamento. E que imaginou tratar-se de uma briga ou brincadeira, coisas que aconteciam com frequência no local. No mesmo quarto estavam Kauan e Francisco Dyogo, que também sobreviveram.
Mais tarde, o colega Dyogo o acordou para dizer que estava acontecendo um incêndio. "Tá pegando fogo, Negão, nós vamos morrer", disse-lhe o colega, que morreu no incidente.
Kauan, segundo relatou o jogador, estava no quarto por acaso, já que normalmente dormia no quarto 1, onde começou o incêndio, e do qual ninguém saiu com vida. Athila Paixão também estava no quarto, mas não resistiu.
"O monitor pegou uma pedra, começou a quebrar as grades, o vidro. Aí, foi pulando de um em um. Começou uma ardência na minha camisa. Aí, senti que tava pegando fogo. Comecei a me debater, gritando, e tirei a camisa. Tava tudo escuro, a fumaça já tinha entrado", contou o zagueiro.
O jogador comentou também a emoção de receber a visita de jogadores do time e de ouvir a música feita pela torcida para homenagear os colegas que morreram. "É muito bonita, eu já decorei", revelou.
O defensor comentou sua reação ao saber a lista de quem havia morrido.
"O Doutor Mauro, um cara que me visitava direto no Flamengo, falou, 'pô, negão, quer saber mesmo quem morreu?'. Falei que queria. Ele foi falando os nomes. Quando foi falando os nomes foi como se fosse um soco na cara. Quando ele falou do Artur meu mundo acabou, cara, desabou, porque eu tinha amizade muito forte com ele, a gente jogava na zaga. A gente era quase irmão", disse ele sobre o amigo que perdeu no incêndio.
Por fim, ele também falou sobre sua intenção de retomar a carreira.
"Sempre vou ter que botar na cabeça que vou ter que jogar por eles, pra sempre", disse.
