A derrota para o Rennes, nos pênaltis, na final da Copa da França, jogou o PSG em uma grande crise na reta final da temporada. A turbulência foi potencializada pela fala de Neymar, que criticou os jovens do elenco publicamente, mas os problemas vão além disso, segundo a imprensa francesa.
Entre as questões de dentro do vestiário, a emissora RMC fala em um “racha” entre dois grupos de jogadores, os brasileiros e os europeus. “É comum no futebol, mas recorrente no PSG”, descreve.
O veículo diz que o técnico Thomas Tuchel teve a missão, desde o início da temporada, de unir os atletas, mas a crise atual reacendeu “ressentimentos”. Segundo a reportagem, o lado europeu vê privilégios para alguns brasileiros, que, por sua vez, cobram mais comprometimento de alguns.
Uma declaração de Daniel Alves, em fevereiro, já havia dado um indício da posição que explodiu com a fala de Neymar no último sábado. O lateral, porém, foi bem mais polido. “Precisamos elevar nosso nível de desempenho, concentração, elevar nosso nível em duelos”, disse, na ocasião.
Já Neymar não poupou palavras na cobrança: “Tem que ser mais homem dentro do vestiário, mais unido. Todo mundo correr. Pelo que vejo ali, tem muito jovem que é um pouco, não digo perdido, mas faltam mais ouvidos do que a própria boca. Tem que escutar mais do que falar.”
A mentalidade é outro problema que acaba ficando claro a cada fracasso do PSG, como recorda o jornal “Le Parisien”. Na Copa da França, por exemplo, o time abriu 2 a 0 e permitiu o empate. Na últimas Uefa Champions League, grande prioridade do clube, as últimas quedas vieram em viradas incríveis – do 6 a 1 para o Barcelona à derrota em casa para o Manchester United em 2019.
“Em Paris, eles estão na zona de conforto. Você tem que tirar aquilo. O PSG vence tudo na Ligue 1 e fica lá”, opina o psiquiatra esportivo Olivier Brochard, ouvido pelo jornal francês. “Individualmente, uma neurose do fracasso pode acontecer. Mas não com um grupo todo”, complementa.
Além disso, há questões de comando. Tuchel é até parece um treinador com influência sobre o grupo, mas a temporada atual é vista como uma das piores da era milionária do clube.
Já o presidente e dono da equipe, Nasser Al-Khelaifi, tem encarado duras críticas recentemente. No último fim de semana, os ataques partiram de Ben Arfa, ex-PSG que acabou campeão com o Rennes; e da mãe e empresária de Adrien Rabiot, meio-campista afastado após manifestar desejo de sair.
O PSG ainda tem mais cinco jogos para fechar a temporada, mas não joga por mais nada, visto que já garantiu o título do Francês, está eliminado da Champions e não venceu as duas copas nacionais.
