Nesta terça-feira, o Palmeiras visita o San Lorenzo, pela 3ª rodada da fase de grupos da Libertadores.
Líder de sua chave, com 6 pontos, o Verdão fará duelo pela ponta com o Ciclón, que aparece logo atrás na tabela, com 4. O encontro ocorre no estádio Nuevo Gasómetro, às 19h15 (de Brasília).
Mas apesar do time de Buenos Aires viver boa fase na competição continental, a verdade é que o San Lorenzo atravessa um momento ruim como poucas vezes teve em sua história.
Entre 22 de outubro de 2018 e 12 de março de 2019, por exemplo, o clube do bairro de Boedo não conseguiu uma mísera vitória sequer.
Foi um jejum de 142 dias (quase cinco meses), com seis derrotas e nove empates, somando Argentino e Copa Argentina. A péssima série só acabou em 13 de março, com o triunfo por 1 a 0 sobre o Junior Barranquilla, pela Libertadores.
Não é à toa, portanto, que o San Lorenzo está no fundo da tabela da Superliga de seu país: 21ª colocação entre 26 clubes, com meros 22 pontos em 24 jogos.
E tudo vai piorar na próxima rodada, quando acaba o Argentino. Isto porque o Comitê Disciplinar da Superliga puniu o Ciclón com a perda de 6 pontos por atrasos em pagamentos e irregularidades em seu balanço financeiro. Além disso, a agremiação não poderá contratar atletas na próxima janela de transferências.
Como os pontos serão debitados após o fim do torneio nacional, a equipe que tem o Papa Francisco como seu mais ilustre torcedor fatalmente acabará segurando a lanterna.
Vale lembrar que, como o Argentino utiliza o sistema de Promedio (média de pontos das últimas edições) para definir os rebaixados, o San Lorenzo não pode cair já nesta temporada. No entanto, passará a se preocupar seriamente no próximo campeonato - principalmente porque não poderá contratar reforços.
A diretoria dos Cuervos entrou com recurso para tentar reverter a punição de 6 pontos. Especialistas em legislação desportiva da Argentina, porém, consideram que será muito difícil a equipe derrubar a punição imposta no "tapetão"...
IMPRENSA DETONA, TORCIDA EM FÚRIA
No último sábado, o San Lorenzo recebeu o Gimnasia y Esgrima e por pouco não perdeu mais uma na liga local. O time de La Plata vencia até os 49 do 2º tempo, quando o lateral Mauro Herrera apareceu no ataque para marcar o tento do agônico empate por 1 a 1 dos anfitriões.
Após o fim do jogo, porém, a torcida do Ciclón não comemorou. Irritada com a péssima fase do time, que só ganhou um dos últimos 16 jogos pelo Argentino, os fãs protestaram muito, e o técnico Jorge Almirón deu toda razão à fúria.
"As pessoas têm razão. O que eu vou dizer? A equipe está nos últimos lugares. Hoje, tentamos de tudo para ganhar e quase perdemos...", lamentou o comandante, já sem muitos argumentos para tentar explicar o tenebroso momento da equipe.
A imprensa local também vem pegando pesado com os Cuervos. O colunista Nico Berardo, do jornal Olé, simplesmente destruiu o clube em texto publicado no último domingo no tradicional diário esportivo.
"Basta! São duas sílabas que resumem o que a torcida do San Lorenzo está pensando em meio a tudo o que está acontecendo. Tudo isso é um grande desastre", bradou.
"Não sei de quem é a culpa, mas algum responsável deveria explicar o porquê do clube estar nesta situação. E não foi só pela decisão do tribunal tirar 6 pontos. Nem se dessem 10 pontos de presente o San Lorenzo deixaria o fundo a Superliga", prosseguiu.
"Essa campanha triste obriga os torcedores a olhar a tabela de uma maneira que pensaram que nunca fossem voltar a olhar. Voltaram a fazer contas, a somar, a dividir, a calcular Promedio... Era algo que nunca acreditaram que fossem fazer de novo", detonou.
"Mas aqui eles estão, nervosos com a incerteza, esperando que o Argentino acabe para tentar digerir esse fracasso total. Nem o San Lorenzo e nem a sua torcida mereciam isso...", finalizou.
'TIME PREFERE PASSAR A BOLA PRA TRÁS'
Poucos brasileiros podem falar com tanta propriedade sobre o San Lorenzo quando Paulo Silas do Prado Pereira.
O craque revelado pelo São Paulo dos "Menudos do Morumbi", que também vestiu as camisas de Internacional e Vasco, além da seleção brasileira, e atualmente trabalha como treinador, teve passagem vitoriosa pelo time de Boedo entre 1995 e 1997.
Vestindo a 10 dos Cuervos, ele foi campeão do Argentino (Clausura) em 1995 e marcou 24 gols em quase 100 jogos pela equipe porteña, tornando-se um dos grandes ídolos da torcida até os dias de hoje.
De longe, ele segue acompanhando o San Lorenzo e fica triste com o péssimo momento.
"A campanha deles é muito ruim até agora. Como tem o Promedio para cair de divisão, neste ano eles não terão problemas, mas a temporada que vem será complicada. Eu tenho acompanhado muito o time, fala sempre com os diretores e mantenho contato, pois às vezes jogo pela equipe de masters. O pessoal está bem chateado, e a situação é muito delicada", lamenta, em entrevista à ESPN.
De acordo com Silas, os jogadores foram sentido cada vez mais pressão à medida que a situação do Ciclón ia piorando, o que só serviu para ampliar a série de jogos sem perder entre outubro de 2018 e março de 2019.
O ex-jogador alerta, porém, o Palmeiras não terá vida fácil no Nuevo Gasómetro.
"O San Lorenzo está em um momento de muita desconfiança. Os jogadores preferem tocar a bola para trás do que arriscar. Mas, na terça-feira, será um jogo à parte. Eles crescem em partidas de Libertadores", salienta.
"O Palmeiras está bem estruturado, vive um grande momento, está do 'outro lado', digamos assim. Mas é sempre aquele jogo Brasil x Argentino. Essa partida contra o Palmeiras virou a tábua da salvação para o San Lorenzo agora. Vão dar a vida em campo", afirma.
Questionado se alguém da equipe argentina lhe pediu dicas sobre o Verdão, Silas negou.
"Nunca me pediram para falar sobre adversários brasileiros. Como eles sabem que sou técnico, respeitam isso e não me ligam para pedir informações. E como eu sou amigo de muitos treinadores e jogadores, também nunca me ofereci, pela ética da profissão. Até mesmo no Palmeiras tenho muitos amigos. O Hyoran, por exemplo, é quase meu afilhado", encerra.
