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Por que o Bayern pagará mais de R$ 359 milhões por Lucas Hernández?

O interesse já era antigo, mas o anúncio do Bayern de Munique sobre a contratação de Lucas Hernández, do Atlético de Madrid, não deixou de chamar atenção. Afinal, o valor impressiona: 80 milhões de euros (R$ 359,44 milhões na cotação atual).

Embora as transferências por quantias recordes - ou próximo disso - tenham se tornado cada vez mais corriqueiras, na Alemanha isso não é tão comum. Antes de os bávaros acertarem com o zagueiro/lateral francês, a ida de Julian Draxler ao Wolfsburg, em 2015, era a contratação mais cara da história da Bundesliga, custando 43 milhões de euros, quase metade do valor, de acordo com o site Transfermarkt.

O maior negócio do Bayern de Munique havia sido Corentin Tolisso em 2017, que custou 41,5 milhões de euros.

Assim, fica a dúvida. O que justifica uma contratação tão cara, ainda mais vindo de um clube da Bundesliga? Confira alguns pontos:

Bayern no mercado

“Estamos no processo de rejuvenescer nosso time. Este é o maior programa de investimento que o Bayern já teve”, disse o presidente do clube, Uli Hoeness, há uma semana ao jornal alemão Bild.

A declaração deixa explícita a intenção de o Bayern ser um dos protagonistas na próxima janela. Vale lembrar que o zagueiro/lateral Benjamin Pavard é outro que já está acertado com o Bayern, que pagará 35 milhões de euros ao Stuttgart.

Outros tempos

A explicação pela discrepância na contratação de Hernández não diz respeito aos 80 milhões de euros desembolsados. Ela também mostra como o Bayern historicamente nunca fez contratações acima dos 50 milhões de euros. E há um argumento sobre este ponto.

O Bayern até tem se reforçado nos últimos mercados, mas quase sempre pontualmente. Isso sem contar grandes oportunidades de mercado – Robert Lewandowski e Sebastian Rudy (que já saiu) chegaram sem custos, por exemplo. Assim, alguns nomes importantes do elenco, como Manuel Neuer, Jérôme Boateng, Arjen Robben e Franck Ribéry foram contratados em um período que os valores do futebol não estavam tão inflacionados.

Além disso, o Bayern é um clube que costuma formar talentos – Thomas Müller e David Alaba são provas disso – e que está atento a jovens talentosos que ainda são desconhecidos, como foram os casos de Joshua Kimmich e Kingsley Coman.

Campeão do mundo

O que justifica tamanho investimento? Além da qualidade técnica, o jogador, que fez uma boa Copa do Mundo como lateral esquerdo, tem a vantagem de poder jogar em qualquer uma das posições de defesa. Além disso, ele ainda tem 23 anos.

Mais recursos ao elenco

Além da versatilidade em si de Hernández, assim como a de Pavard, o Bayern ganha uma nova possibilidade de jogo: utilizar Kimmich como volante, sua posição de origem. Depois de ter se estabelecido como lateral direito no Bayern, o atleta tem atuado no meio de campo nos últimos meses sob o comando de Joachim Löw. Estaria ele seguindo os passos de Philipp Lahm com Pep Guardiola no comando?

Guardiolização?

Transformar o lateral direito baixinho e dono de uma qualidade técnica inquestionável em volante pode não ser a única atitude do Bayern que segue os moldes de Guardiola, que, aliás, comandou o time bávaro, entre 2013 e 2016.

Em suas duas primeiras temporadas no Manchester City, o técnico espanhol chamou atenção por contratar muitos defensores, casos de John Stones John Stones, Aymeric Laporte, Benjamin Mendy, Kyle Walker e Danilo, sem contar o goleiro Ederson.

Se a estratégia é mera coincidência ou de fato uma tentativa de se espelhar em Guardiola, ainda é cedo para dizer. Mas não deixa de ser um aspecto curioso da transferência de Lucas Hernández.