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Rafael Henzel, o torcedor que virou a voz que nunca será esquecida na Chapecoense

O JOGO começa às 19h. Chapecoense x San Lorenzo. A Arena Condá ferve. Os torcedores cantam e pulam sem parar nas arquibancadas de concreto ou grudados no alambrado que os separam do campo. Nas cabines de imprensa, o radialista que acompanha todos os jogos da Chape, Rafael Henzel, narra e, ao mesmo tempo, faz um vídeo para registrar a energia do estádio antes da bola rolar.

Ele tem 43 anos, usa óculos, tem o cabelo fino e a cara levemente achatada. É a voz da equipe e trabalha com vários outros profissionais, incluindo seu sócio Renan Agnolin. Rafael frequenta os jogos da Chape desde menino. Naquela época, chegava ao estádio sem dinheiro e ficava esperando o jogo começar do lado de fora. Depois que todo mundo estava dento do estádio, ele procurava alguma porta que não estivesse vigiada e entrava de penetra. Era torcedor do time desde a época dos campeonatos amadores. Virou radialista com 15 anos. Quando a Chape conseguiu subir para a primeira divisão do Brasileirão em 2013, ele chorou na cabine de rádio.

Hoje à noite, Rafael está mais elétrico do que o normal, porque vale uma vaga na final. Os jogadores da Chape sabem o que têm que fazer: não podem tomar gol. A Chapecoense não precisa marcar, mas sabe que o San Lorenzo tem um elenco melhor. Os argentinos têm três atletas que já atuaram na primeira divisão inglesa. Um outro que é sempre convocado para a seleção da Argentina. Outros atletas são da seleção paraguaia e da seleção uruguaia. Enquanto isso, a Chape tem um gol fora de casa marcado no primeiro jogo e vai tentar segurar o resultado.

Depois dos 15 minutos do primeiro tempo, os jogadores da Chape e a torcida começam a ficar mais confiantes. Danilo salta para pegar um chute no canto esquerdo, e a torcida aplaude. O meio-campista Dener dá um chapéu para escapar de um adversário e a torcida grita "Olé!", provocando o jogador do San Lorenzo, que não desiste do lance.

Às vezes, a Chape tenta fazer pressão no campo de defesa do adversário e, em uma dessas tentativas, lá para a metade do primeiro tempo, quase consegue marcar. Willian Thiego, um zagueiro forte, aproveita um cruzamento depois de uma cobrança de falta e manda a bola para o gol. Ele sai comemorando, querendo dividir a emoção com seus companheiros de equipe no banco. E não vê o auxiliar levantar a bandeirinha e anular o que poderia ser o primeiro gol da partida. A comemoração é frustrada, o zagueiro balança a cabeça e volta para o jogo.

A Chape fica atrás, se defendendo a maior parte do jogo. Uma cabeçada do San Lorenzo bate na trave e vai para fora. Danilo se estica todo para defender um chute. Outro chute de longe passa sem assustar.

Os minutos vão passando no segundo tempo. Vinte e cinco. Trinta. Trinta e cinco. Trinta e oito. Trinta e nove. Ainda está 0 a 0. Os torcedores vibram, parece que a Chape vai conseguir. O estádio treme. Nos últimos segundos, o San Lorenzo consegue uma falta e joga a bola na área. No meio de todos os zagueiros, ela acaba sobrando nos pés do experiente argentino Marcos Angeleri. Ele está na cara do gol, dentro da pequena área. Ele só precisa empurrar a bola para dentro: o gol tem 7m de largura, o San Lorenzo vai conseguir estragar a festa da Chape e avançar para a final. O goleiro Danilo parece estar vendido no lance. Na cabine de rádio, Rafael coloca as mãos na cabeça. Ele teme pelo pior: a derrota no último segundo.

Mas enquanto Angeleri arma o chute, Danilo se ergue e salta como se fosse um leão. E consegue evitar o gol, esticando seu pé direito para defender o chute à queima-roupa. Por um momento, parecia que ninguém no estádio tinha entendido o que aconteceu. Depois do fôlego retomado, começam os gritos e aplausos. Danilo bate no peito e vibra muito.

Dentro da cabine de rádio, Rafael não para de gritar o nome de Danilo. Com uma pequena mudança. Ao invés de "Danilo", ele grita "Deus-nilo! Deus-nilo! Deus-nilo!" Quando o árbitro apita o fim do jogo que classifica a Chape para a final, ele grita de novo: "Deus-nilo! Deus-nilo! Deus-nilo!"

Danilo havia se transformado em um herói para a torcida.

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O VOO PARA MEDELLÍN decola às 18h18, horário local. Há um pequeno atraso, porque no momento em que as portas estão fechando, um dos jogadores pergunta se pode pegar sua mala que ficou no compartimento de bagagem. Ele deixou o videogame dentro da mala. Depois de muitas piadas, a mala sobe para a cabine.

Isso só foi possível porque este é um voo fretado operado pela LaMia (Línea Aérea Merideña Internacional de Aviación), e não um voo comercial. A LaMia é uma empresa boliviana muito requisitada pelos clubes de futebol para jogos importantes. Algumas semanas antes, nesse mesmo avião, voaram Lionel Messi e a seleção argentina para um jogo das eliminatórias da Copa do Mundo. Uma companhia aérea boliviana não pode fazer um voo do Brasil para a Colômbia, por isso a comitiva da Chape pega um voo comercial de São Paulo, onde joga pelo Campeonato Brasileiro, até Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia. A LaMia vai levar o time de lá para Medellín, local do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

Enquanto espera pelo voo, Alan Ruschel faz truques de mágica. Ele adivinha qual carta um colega de equipe escolhe no baralho e faz outra carta desaparecer diante dos olhares de todos. Danilo tenta alguns truques também, mas ele é melhor na plateia do que no palco, já que fica visivelmente espantado quando Alan Ruschel, de repente, faz a carta aparecer novamente.

Todo mundo está ansioso. Uma equipe de televisão da Bolívia faz entrevistas antes da decolagem, e um dos membros da tripulação diz para a câmera: "Acho que vamos voltar com bons resultados". O atacante Kempes gesticula para o tripulante e sorri, dizendo: "Está tudo bem, ele está no comando!" A equipe já tinha voado com a LaMia antes, em um jogo da Copa Sul-Americana. Caio Júnior, o treinador, diz ao entrevistador que viajar saindo da Bolívia "nos dá boa sorte".

Com o avião no ar, os jogadores começam a jogar cartas e tocar samba. Um dos membros da comissão técnica tenta ensinar português a uma aeromoça. O técnico Caio Júnior está na frente, junto com a maioria dos membros da comissão técnica. Kempes fica sentado do lado direito, na janela. Na penúltima fileira, Rafael Henzel está sentando em uma poltrona no meio, junto com outros jornalistas. Alan está sentado ao lado do goleiro reserva Follmann, no meio do avião. Ele estava sentado atrás, mas saiu quando os jornalistas se reuniram lá. Follmann o puxou para sentar ao seu lado.

O voo é longo. Alguns jogadores resolvem comer. Outros dormem. Muitos ficam o tempo todo com o fone de ouvido. Por volta das 21h30, horário local, o avião começa a descida. Outra aeronave, voando de Bogotá para San Andrés, acaba de ser desviada para Medellín por causa de um problema mecânico, de modo que o avião da Chape precisa esperar para pousar. Às 21h49, o piloto do avião da Chape pede prioridade de pouso para a controladora de tráfego aéreo.

Na cabine, Rafael pergunta para a aeromoça quanto tempo falta para pousar. Dez minutos. Dez minutos, disseram. Ele nota que a aeromoça parece preocupada. Às 21h52, a controladora de tráfego aéreo diz ao piloto que outro avião está se preparando para pousar e pergunta se eles podem esperar mais um pouco.

Um minuto depois, um dos motores do Avro RJ85, fabricado na Inglaterra, entra em pane. Mais 13 segundos e o segundo motor entra em pane também. Às 21h55, é a vez do terceiro motor falhar. Catorze segundos se passam e o quarto motor falha. As luzes da cabine se apagam e a ventilação desliga. Não há turbulência ou trepidação, parece que o avião está flutuando em direção ao solo.

Usando o alfabeto fonético padrão para se referir ao indicativo de chamada da LaMia (LMI), o piloto grita pelo rádio com a controladora de tráfego aéreo: "Señorita, Lima Mike India 2933 está em pane total!"

Trinta segundos depois, o piloto chama outra vez: "Lima Mike India, instruções! Instruções, señorita! Instruções para chegar à pista!"

Ele está pedindo instruções. A controladora responde dizendo que o avião desapareceu do radar. Ela tenta guiar o piloto até a pista de qualquer maneira e pergunta qual a altitude do avião. O piloto responde gritando "9.000 pés, senhora. Instruções, instruções!" A controladora pergunta ao piloto qual é a distância do avião até a pista. Há uma pausa. A controladora ouve a palavra "Jesus" pelo rádio. Ela pergunta outra vez ao piloto qual é a altitude do avião, mas o rádio está em silêncio.

Às 21h59, horário local, do dia 28 de novembro, o voo da Chape, que vinha a aproximadamente 240 km/h, se choca contra o Cerro Gordo, uma montanha de 2.600 metros de altitude. No momento do impacto, o avião se divide em duas partes. A parte traseira bate na parte sul da encosta. O nariz termina no lado norte, a quase 150 metros de distância. Um dos motores fica preso nos galhos de uma árvore arrancada. Não houve explosão nem incêndio. No local só foram encontrados restos de metal retorcido e detritos.

A temperatura no Cerro Gordo é de 18 graus Celsius. O céu está nublado e é possível ouvir trovões ao longe. É uma noite como outra qualquer na Colômbia. Depois de viajar quatro horas e quase 3 mil quilômetros, o avião da Chape mergulha no solo a apenas 18 quilômetros da pista do Aeroporto Internacional José María Córdova, ao lado de Medellín.

Rafael Henzel participou do BB Debate em 2017 e negou ter rancor do piloto de desastre

RAFAEL HENZEL NÃO sabe o que aconteceu. E também não sabe exatamente onde está. Mas consegue ver luzes se movendo, ouve vozes de pessoas estranhas e resolve chamar. "Estou aqui!" grita. "Estou aqui!"

Ele resolve chamar seu amigo e colega radialista. "Renan? Renan?" Renan Agnolin, seu sócio, estava sentado ao seu lado no avião. Mas Rafael não sabe onde está Renan agora. Ele continua chamando o amigo uma e outra vez, mas não tem resposta.

Pouco a pouco, Rafael se dá conta de que está no meio das árvores. Nesse momento, ele vê rostos. São cinco, seis homens. E uma mulher. Eles começam a falar e a tentar arrancar as roupas dele. "Não rasga minha camisa! Não corta minha calça!" Ele não quer perder a única muda de roupa que levou para a Colômbia. Eles dizem que ele vai ficar bem, que vão ajudá-lo. Um deles grita: "Não dorme, Rafa! Não dorme!"

Rafael não se lembra que estava na parte traseira do avião, a que se chocou contra a parte de terra macia na encosta da montanha. Ele não sabe que o terreno, a neblina e a lama não permitiam que os helicópteros pousassem no local do acidente e que demorou horas até que os socorristas chegassem. Tampouco sabe que vai ter que ser retirado do local em uma picape, porque as ambulâncias não conseguem chegar até lá.

Depois de chegar ao hospital, ele começa a entender aos poucos o que está acontecendo, sem saber os detalhes. Sabe que o avião caiu, mas os médicos não lhe dizem quantas pessoas estão mortas. Ele não sabe, por exemplo, que enquanto era levado para a sala de cirurgia, Alan Ruschel perguntava aos médicos onde estavam seus amigos. Nem que o goleiro reserva Follmann vai ter que amputar a perna logo abaixo do joelho. Ou que um médico descreveu Neto como uma pessoa "atualmente" viva, porque não quer parecer muito otimista. Rafael não sabe que Danilo sobreviveu ao desastre e foi resgatado, mas não resistiu e morreu no hospital.

Um dia depois, a esposa de Rafael chega e passa a mão sobre seu rosto, onde um galho de árvore ou um pedaço de estilhaço deixou uma ferida acima do olho direito. Seu abdômen está inchado por causa das sete costelas quebradas. Está sedado e tem um tubo na garganta. Ela olha para o marido e diz: "Vim te buscar". Os olhos dele marejam.

Tanto os médicos como sua mulher querem que Rafael mantenha o foco em sua recuperação, por isso resolvem contar a história para ele em partes. Três dias depois do acidente, ele fica sabendo que há poucos sobreviventes. Ninguém contou ainda exatamente porque o avião caiu. Nem lhe disseram que o número de caixões em Medellín é tão grande que alguns tiveram que ficar no estacionamento da funerária San Vicente. Não há mais espaço do lado de dentro. Ninguém lhe contou que as escolas de Chapecó cancelaram as aulas por dois dias, que os moradores estão fazendo vigílias o dia inteiro no estádio e que as crianças escreveram cartões que se acumulam do lado de fora dos portões. Não contaram a Rafael que a cidade está de luto.

No sábado, cinco dias após a queda, finalmente deixam que ele veja a lista com as vítimas do acidente. Nesse mesmo dia, três aeronaves Hercules C-130 da Força Aérea do Brasil chegam a Chapecó com os corpos das vítimas. Os caixões são colocados em vários caminhões abertos, cada um com uma dúzia ou mais, e levados do aeroporto para o estádio. Soldados carregam os caixões, que estão cobertos com um pano branco e envoltos em plástico devido à chuva.

Chiquinho e seus funcionários prepararam as flores e as bandeiras. Eles deixaram apenas uma trave no campo - a que Danilo estava guardando quando fez a defesa contra o San Lorenzo e que enviou a Chape para a final. A esposa de Danilo coloca uma foto do marido embaixo dela. O padrinho do filho de Danilo bate na trave com as luvas do amigo. Embaixo da tenda, a mãe de Danilo abraça o pai de Filipe e murmura: "Por que ele tinha que fazer aquela defesa no último minuto?"

O presidente do Brasil está presente. O presidente da Fifa também. Quase 100 mil pessoas, cerca de metade da população da cidade, estão dentro da Arena Condá ou nas imediações. A imprensa do mundo todo está cobrindo o velório.

Havia 77 pessoas no avião. Dos 22 jogadores da Chapecoense, três sobreviveram. Outros 23 eram membros da comissão técnica ou dirigentes do clube, além de dois convidados. Havia 21 jornalistas, incluindo Rafael, e a tripulação do voo. Todos falecidos, exceto por uma aeromoça e um técnico de manutenção. Dos 71 mortos, 64 eram brasileiros, cinco bolivianos, um venezuelano e um paraguaio. Cinquenta caixões foram para Chapecó, o restante foi levado para outras cidades.

No hospital, Rafael não assiste ao velório pela televisão. Ele não vê a parte de fora do estádio ser envolvida por uma fita preta gigante. Nem escuta os discursos, onde o prefeito compara a chuva às lágrimas de Deus. Ele não consegue aguentar nada disso. Está muito recente. Tudo o que ele consegue fazer é olhar a lista e ler os nomes de seus amigos repetidas vezes.

Na ESPN, Rafael Henzel contou como foi encontrado em meio a destroços após queda de avião da Chape

CINQUENTA E QUATRO DIAS depois do acidente, Rafael Henzel volta para sua cabine de rádio. Ele está vestindo uma camisa leve, um chapéu e tem um cordão verde em volta do pescoço para segurar sua credencial. Faz calor nesse dia 21 de janeiro. Suas sete costelas quebradas ainda não estão curadas, mas seus pulmões são fortes. Antes de colocar o fone de ouvido, ele se senta e faz uma pausa. Lembra de Renan Agnolin, que estava ao seu lado no avião.

Tem jogo hoje. É um jogo de pré-temporada na Arena Condá entre a Chape e o Palmeiras, dois campeões no ano anterior. O estádio está lotado.

Antes do jogo, há uma cerimônia. Alan Ruschel, Neto e Follmann entram em campo. Neto, que teve o cabelo raspado, está com uma cicatriz na parte de trás da cabeça. Follmann está em uma cadeira de rodas, o que restou da sua perna direita envolta em um pano bege. Ele está com um colar cervical negro. Alan empurra a cadeira de Follmann com uma mão e caminha lentamente, ele ainda sente dores após a cirurgia na coluna.

Os torcedores cantam e jogam flores de origami com o símbolo do clube. Os sobreviventes se juntam aos familiares de seus companheiros de equipe no meio do campo. O Atlético Nacional concedeu a final da Copa Sul-Americana para a Chape, por isso agora os jogadores são "campeões eternos".

As medalhas são colocadas nos pescoços das viúvas e das crianças. Várias esposas usam as camisetas de seus maridos viradas de trás para frente, para que os nomes fiquem em destaque. Sentado em sua cadeira, Follmann levanta o troféu em meio às lágrimas. Quando a esposa de Ananias, Barbara, recebe sua medalha, começa a chorar de repente e levanta suas mãos, apontando dois dedos para o céu.

Os novos jogadores entram em campo. O conselho da Chape foi refeito e um novo presidente foi eleito. Vagner Mancini foi contratado como novo treinador. Um novo departamento de futebol foi montado e, em seis semanas, a equipe foi reconstruída: 25 jogadores contratados, além de novos auxiliares técnicos e do pessoal de apoio.

Alguns times emprestaram jogadores para ajudar a Chape. Outros jogadores que tinham passado pela equipe no início de suas carreiras quiseram retornar. Túlio de Melo, um atacante relativamente famoso, tinha jogado pela Chape durante pouco tempo em 2015 e recebeu uma proposta para jogar em uma equipe do Qatar em 2017. O salário era muito bom e a proposta interessante. Mas ele recebeu uma mensagem de seu amigo Neto, quando ainda estava no hospital se recuperando do acidente. A mensagem dizia: "O clube precisa de você". E Túlio de Melo voltou para a Chape.

O jogo começa. A torcida atrás do gol agita suas bandeiras como sempre. É bom torcer. O Palmeiras marca primeiro, a Chape bate uma falta e a bola passa na cara do gol. Nessa hora Douglas Grolli, um jogador das categorias de base da Chape e que voltou para ajudar a reconstruir o clube, aparece para empurrar a bola para o gol.

Há uma explosão de energia, como se todo o estádio tivesse despertado ao mesmo tempo. Alguns torcedores gritam. Outros choram. Muita gente nas arquibancadas está ligada na rádio para ouvir Rafael narrar o que está acontecendo na frente deles. Em sua cabine, os olhos de Rafael se abrem e ele grita "Vem aí cobrança de Niltinho. Olha o gol de empate surgindo. Jogou no segundo pau, olha o gol pintou! Goooooooooool!", ele grita.

"Eu disse! O Grolli ia fazer o gol! O meu coração transborda de alegria! Eu pedi! Se possível o Grolli, criado aqui, marcasse o primeiro gol do renascimento da Chapecoense. A Chapecoense nos enche de orgulho! Seu coração ressurge com um gol do seu remanescente!."

Rafael Henzel continuou a ser o principal comentarista das partidas da equipe. Ele escreveu o aclamado livro “Viva Como Se Estivesse de Partida,” que teve uma tradução semelhante a “Live As If You Are Going to Die Tomorrow.” Ele também se tornou um palestrante motivacional.

Até esta terça-feira. Quis o destino que ele nos deixasse pouco mais de dois anos e meio depois, vítima de um infarto enquanto jogava futebol com os amigos.

Mas a voz de Rafael Henzel jamais será esquecida!

*Texto retirado do conteúdo especial "Do sonho ao céu: Chapecoense e o destino impensável", veiculado inicialmente em junho de 2017 e republicado em novembro do mesmo ano.