<
>

Bragantino é o próximo? Como Red Bull comprou clubes na Europa e tem time mais odiado da Alemanha

A Red Bull está perto de um acordo com o Bragantino para disputar, com a vaga do time de Bragança Paulista, SP, a Série B do Brasileiro já em 2019.

A natureza do acerto ainda não está clara no que diz respeito aos seu formato - se haverá uma parceria ou aquisição - e ele tampouco foi confirmado oficialmente. Mas o ESPN.com.br apurou que há grandes chances de ele ser concretizado em breve.

Em 2019, a tendência é que o time dispute a competição como "Bragantino", até por conta das confecções das tabelas e demais itens oficiais. A partir de 2020, no entanto, é muito improvável que a empresa não faça valer o direito de jogar com seu nome, escudo e uniforme.

Se de fato acontecer o acerto, a multinacional austríaca vai repetir, no Brasil, o expediente realizado com os três times que controla atualmente na Europa e na América do Norte: substituir um clube que já existia e alterar seu nome e cores em curto espaço de tempo.

Tanto a equipe de Salzburg, na Áustria, quanto o time de Leipzig, na Alemanha, foram adquiridos pela companhia - o que gerou desacordos com os simpatizantes .

O New York Red Bulls também foi adquirido, mas como a MLS é uma liga e funciona no formato de franquia, a mudança acabou sendo menos traumática do que nos outros territórios.

O atual Red Bull Brasil, que enfrenta o Santos nas quartas de final do Paulista, é o único time da empresa fundado do zero. Caso o acordo saia, ainda não está claro o que seria feito da equipe e que vai disputar a Copa Paulista no segundo semestre.

Entenda como a empresa adquiriu cada um de seus times pelo mundo e veja o histórico de cada um deles.

Red Bull Salzburg

A equipe austríaca do grupo surgiu a partir da compra do clube SV (Clube esportivo, em alemão) Austria Salzburg, da cidade de Wals-Siezenheim, em 2005.

Fundado em 1933, o clube já teve acoplado ao seu os nomes de empresas, anteriormente. Em 1978, tornou-se Casino Salzburg. Em 1997, devido ao patrocínio de uma empresa do mercado financeiro, mudou seu nome para SV Wüstenrot Salzburg.

Todo esse tempo, porém, o clube acabou ficando mais conhecido como Austria Salzburg mesmo, de modo que as alterações não incomodavam os simpatizantes locais.

Mas em 2005, com a chegada da Red Bull, as coisas mudaram drasticamente. A começar pelas cores do clube.

A despeito de todas as mudanças anteriores, as cores sempre haviam sido violeta e branco. Com a compra pelos austríacos, porém, além de rebatizado, o clube passou a ter como cores o branco e o vermelho, o que causou revolta nos torcedores locais.

Mais do que isso, a companhia quis apagar o passado do clube original e começar a escrever uma nova história, cortando laços com a comunidade - algo que, de tão drástico, acabou até sendo proibido pela a Confederação Austríaca.

Em resposta, os "violeta e brancos" fundaram um novo clube para preservar a história do SV Austria Salzburg, com o nome original. Começando no que seria a sétima divisão do país, em 2005, o clube subiu até a segunda divisão, em 2015. Atualmente, está na terceira.

Já o Red Bull Salzburg, dos vermelho e brancos, esportivamente, vai muito bem, obrigado: foram nove títulos da Bundesliga Austríaca e cinco Copas da Áustria desde 2005. Em 2018, o clube chegou à semifinal da Uefa Europa League, sendo derrotado pelo Olympique de Marselha.

RB Leipzig

A Red Bull está à frente do clube desde a fundação com esse nome, em 2009. Sua licença para jogar futebol foi adquirida junto ao pequeno SSV Markranstädt, da Saxônia.

Contando completamente com o suporte da empresa de energéticos, o Leipzig começou do mais baixo escalão e com uma meta ambiciosa: chegar à elite em dez anos.

Precisou de apenas sete. Tamanho sucesso se deu em meio a uma grande torcida contra, pelo fato de o time ter uma linha paradoxal ao que representa o futebol alemão em sua maioria.

Em um campeonato no qual há regras para evitar que ocorra como no Campeonato Inglês, em que magnatas assumem o controle dos times, o Leipzig é comandado pela Red Bull. Legalmente, um clube não pode ter um dono majoritário em solo germânico.

No entanto, há exceções e há casos que conseguem ‘driblar' isso. É importante mencionar que depois de 20 anos apoiando um clube, um acionista pode assumir majoritariamente o controle, casos de Wolfsburg e Bayer Leverkusen.

O perfil na contramão do futebol germânico tem no próprio nome do clube um bom reflexo. Engana-se quem pensa que RB Leipzig signifique Red Bull Leipzig. RB, na verdade, é Rasen Ballsport (esporte com bola sobre o gramado, em alemão), já que é proibido que o nome da marca seja o do time, neste caso.

Porém, o clube não deixa de ter em seu escudo os touros que fazem parte também do emblema da empresa de energéticos.

Como reflexo, torcedores de outros times chegaram a criar uma campanha chamada 'Nein zu RB' (não ao RB, em português). Já houve também o episódio chocante de uma cabeça decepada de um touro ser lançada em direção ao campo em uma partida contra o Dynamo Dresden.

O sucesso foi atingido sem 'apelar' na contratação de nomes já prestigiados. Pelo contrário, a metodologia do clube é de investir na maioria das vezes em atletas que não ultrapassem os 25 anos de idade. Parte deles são jogadores que brilharam no Red Bull Salzburg, casos de Naby Keita e o brasileiro Bernardo, por exemplo.

Em 2016-17, temporada de estreia do clube na elite, o Leipzig foi vice-campeão nacional. Na temporada passada, ficou em sexto, conseguindo vaga na Liga Europa. Já em 2018-19, o terceiro lugar vai permitindo uma nova classificação à Uefa Champions League

New York Red Bulls

Cansada de esperar por uma expansão na MLS, a principal liga profissional norte-americana de clubes, que acrescentaria mais um clube à área metropolitana de Nova York, a empresa austríaca comprou o New York/New Jersey Mestrostars em 2006, dez anos depois de sua fundação.

Ao contrário do que fizera na Áustria, a companhia decidiu não apenas respeitar, mas honrar a história prévia da franquia, a despeito de alterar o seu nome, escudo e uniformes.

Oficialmente, o clube se chama Red Bull New York. Na prática, acabou conhecido no formato em que a maioria dos times é conhecida nos EUA, no modelo "nome da cidade + complemento" (normalmente um mascote).

Esportivamente, o time tem com maior glória o vice-campeonato da MLS Cup em 2008. Em 2018, o time foi eliminado na semifinal da Conferência Leste da Liga, eliminado pelo Toronto FC, que viria a ser o campeão.