Tem sido uma temporada intensa, com protagonismo. E será a única de Éder Militão no Futebol Clube do Porto.
Depois de ser comprado em julho de 2018 por cinco milhões de euros, o ex-jogador do São Paulo vai defender o Real Madrid a partir de junho. Em oito meses, seus direitos federativos se valorizaram dez vezes mais. A venda para a Espanha foi avaliada em 50 milhões de euros, o segundo maior negócio em valores de Portugal, atrás apenas da negociação de Hulk para o Zenit em 2012.
O que ele pensa sobre? Difícil saber.
Assim como nos tempos de tricolor, Militão não é afeito a entrevistas. No Porto, nunca falou aos jornalistas nas tradicionais entrevistas coletivas. “Eles podem também falar na zona mista, mas o Militão sempre diz educadamente que não quer. Que o negócio dele é no campo”, conta o repórter Pedro Rocha, do periódico “O Jogo”, de Portugal.
Pedro conta que Militão não chegou desconhecido. Depois de vê-lo no São Paulo, havia na mídia portuguesa a certeza que uma convocação para a seleção poderia ocorrer. A primeira chamada de Tite veio nos amistosos disputados nos Estados Unidos contra a equipe americana e El Salvador, em setembro do ano passado – menos de dois meses após sua transferência.
Militão foi convocado às pressas quando a seleção desembarcava em Nova Jersey, por conta do corte do então lesionado Fagner. Em seu primeiro treino, chamou atenção pela forma concentrada e firme que marcou Neymar no coletivo. Ele jogou os 90 minutos da goleada sobre El Salvador por 5x0.
Em Portugal, o prestígio aumentava. Depois de estrear na quarta rodada da Primeira Liga (vitória sobre o Moreirense por 3x0), ficou evidente o entrosamento e boa dupla com o Felipe, ex-Corinthians. “Dizem que era necessário um tempo para adaptação. Com ele foi imediato e não saiu mais do time”, relembra Pedro.
Militão enfrentará o Panamá neste sábado como zagueiro, jogando ao lado de Miranda. Tite ressaltou a possibilidade de utiliza-lo em duas funções (a primeira vez foi como lateral direito). E tal versatilidade também se vê com a camisa dos “Dragões”. “Ele começou como central. Lá fez os melhores jogos. Com a chegada de Pepe em janeiro, houve uma necessidade de colocá-lo na direita, para que ele, Felipe e Pepe jogassem juntos”, explica o repórter. Na recente classificação sobre a Roma, garantindo vaga nas quartas de final da competição, jogou pelo lado.
Balada e punição
O perfil discreto não evitou que Militão se envolvesse em uma polêmica. Seu único momento de instabilidade pelo Porto ocorreu em fevereiro deste ano. Na semana após a vitória em casa sobre o Setúbal por 2x0, ele foi flagrado em uma discoteca da cidade às 05h da manhã, celebrando o aniversário de Luizão, atleta do Porto B. O fato foi confirmado pelo técnico Sérgio Conceição. “Aqui não há 'Militões' nem 'Conceições', há o FC Porto e há regras e há disciplina”, esbravejou o comandante.
Como punição, o zagueiro/lateral ficou de fora de dois jogos, incluindo a derrota para o Benfica em casa por 2x1 – que para a imprensa local pode custar a perda do título desse ano.
Se sua saída será sentida? “Comparando com o Felipe, Militão é muito superior tecnicamente, mas para o torcedor a ausência do Felipe seria mais difícil de encaixar, por ele ser mais extrovertido, representar bem o clube”, finaliza.
