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Orlando Duarte, o mestre da memória do esporte brasileiro precisa de ajuda

Para que os mais jovens entendam o tamanho do jornalista Orlando Duarte, basta colocá-lo hoje como se fosse um Galvão Bueno ou um próprio Fausto Silva, o Faustão.

Orlando Duarte é e foi muito famoso nas mais variadas mídias do esporte brasileiro.

Foi repórter, locutor, comentarista, cronista, escritor e executivo de grandes empresas da comunicação.

É até hoje um dos mais produtivos escritores de publicações de esporte da história da crônica esportiva com aproximadamente 34 livros escritos em 50 anos de profissão.

Foi autor de biografias, enciclopédias das Copas do Mundo e dos Jogo Olímpicos, escreveu sobre os grandes clubes de São Paulo e até livros de um grande amigo que ele acompanhou a fantástica carreira surgir, Pelé.

Aliás, quando se tinha alguma dúvida nas redações, muitos sugeriam que se consultasse as obras e as enciclopédias de Orlando Duarte, considerado por muitos o pai da memória do esporte brasileiro. Conhecia tanto o futebol quanto as regras da vela, do vôlei, automobilismo, enfim, conhecia todos os esportes, tanto que foi apelidado pelo grande jornalista Joseval Peixoto como: “Orlando, o Eclético”, tudo por causa do vasto conhecimento em várias modalidades do esporte.

Mas, por que Orlando Duarte anda sumido da mídia e por que não se houve falar mais no jornalista?

Fomos até o bairro de Santo Amaro, na capital paulista, atrás do paradeiro do “homem da memória do esporte nacional”.

Claro que sabíamos que o homem que tanto narrou gols de Pelé, Rivellino e Ademir da Guia na TV Cultura de São Paulo não estava tão bem de saúde, aliás, pelo telefone ao marcarmos a entrevista com o jornalista, sua esposa, Conceição Duarte Figueiredo nos avisou que Orlando havia sido diagnosticado com Alzheimer, mas que de qualquer forma seria possível entrevistá-lo e que, nossa presença com uma eventual entrevista faria bem ao jornalista que está afastado do trabalho e dos holofotes há mais de 10 anos.

Além disso, Conceição também acreditou que a nossa entrevista seria uma forma de dar uma satisfação aos fãs de Orlando e, claro, chamar a atenção do velhos amigos para um problema grave de saúde e financeiro pelos qual passa o casal.

Para a nossa surpresa, apesar de bem magro, Orlando nos deu uma das entrevistas mais lúcidas que poderíamos esperar de um jornalista que enfrenta uma das doenças mais cruéis que afetam a memória, o Alzheimer.

As voltas que o mundo dá...

No auge da profissão, em meados das décadas de 60 até os anos 1990, Orlando Duarte era um jornalista muito bem sucedido na carreira. Tinha dinheiro, não com as dezenas de livros que publicou, mas sim pelos três empregos que sempre mantinha trabalhando em rádio, TV e jornal.

Viajou por mais de 110 países. Nas grandes coberturas do esporte ou até mesmo a passeio viajava sempre em primeira classe, se hospedava em hotéis luxuosos e frequentava restaurantes de altíssimo nível.

Conceição, a esposa por quase 40 anos, nos contou que muitas vezes pedia para que ele comprasse só para ele a viagem de primeira classe e que desse à ela a passagem na econômica mesmo e que, em vez de comprar para ela a passagem na classe “A” que desse em dólar o dinheiro para que ela gastasse com compras nas viagens.

Hoje, passando sérias dificuldades financeiras, Conceição disse que nunca se preocupou em saber o quanto de dinheiro Orlando teria guardado e que, há mais ou menos 8 anos, depois que o marido parou de trabalhar, que ela foi ver que eles teriam que se desfazer de alguns imóveis para sobreviver. Segundo ela, foram quatro apartamentos pequenos vendidos para que eles pudessem continuar levando uma vida digna, pelo menos nesse momento tão difícil da vida.

Conceição disse que o dia a dia não é nada fácil, que Orlando necessita o tempo integral de cuidados especiais e que, a única maneira de conseguir chamar a atenção dos velhos amigos, entre eles Pelé e Faustão, foi fazendo uma reportagem mostrando como está a vida deles.

Faz quase dez anos que a esposa de Orlando guardou a sete chaves o paradeiro do marido. Durante todo esse período ela ainda conseguiu escrever algumas colunas, em nome do marido para alguns jornais e mantém ativa a página de Orlando Duarte no Facebook como se ele ainda escrevesse.

A verdade é que Conceição precisa de ajuda. Pois faltam remédios, fraldas geriátricas e até uma cuidadora para auxiliá-los no dia a dia de um jornalista que, segundo ela, aos poucos está voltando a ser criança.

Mais que um registro jornalístico essa reportagem também carrega a missão de tentar ajudar o Grande Orlando Duarte, nessa fase tão complicada da vida dele.

Se você quiser auxiliá-lo, entre em contato com a esposa Conceição Duarte via o e-mail que está abaixo:
conduarte@gmail.com