Querendo desmistificar os “parças” dos jogadores, que sempre são julgados por quem está de fora do meio como aproveitadores, e querendo responder a pergunta "O que é um parça?", João Castelo Branco apresentou e mostrou como é a vida de alguns desses amigos de jogadores que vivem na Inglaterra no especial “Vida de Parça”.
Gabriel Jesus, atacante do Manchester City, Felipe Anderson, meia do West Ham, e Richarlison, atacante do Everton, revelam quem são seus “parças” e porque eles estão morando junto com os amigos, mostrando a diferença que eles fazem na adaptação e na carreira deles.
Além disso, o especial também revela quais são os desejos, sonhos e objetivos dos amigos que vivem com os jogadores, mostrando que eles também lutam por realizações próprias enquanto dão suporte aos atletas.
A série, produzida durante a temporada de 2018-19, foi dividida em seis episódios e está toda disponível no WatchESPN.
Veja essa e outros Originais da ESPN quando e onde quiser no WatchESPN.

O APÓSTOLO DE JESUS

Higor Braga, segundo o próprio Gabriel Jesus, é mais do que um irmão para o camisa 9 do Manchester City. Pela amizade que começou na infância, com os dois crescendo no mesmo quintal, a dupla não se separou nem com a ida do atacante para a Inglaterra. Após deixar o Palmeiras e se transferir para a Europa, Gabriel e a mãe acharam que seria importante o amigo estar junto neste momento, não só para o bem do atleta, mas para também dar um futuro melhor a Higor.
“Falam que a gente está vivendo às custas dele, que estamos nos aproveitando dele. Mas a gente nem liga, passamos dessa fase de se importar”, revela o “parça” Higor, que garante não estar lá só pela brincadeira. A missão do amigo, no começo da jornada de Jesus em Manchester, era ajudar na ambientação do jogador: “foi importante eu vir para deixar ele confortável, deixávamos ele se sentir em casa. Aqui, você tem que aprender a falar, a comer, é tudo diferente”.
Morando na mesma casa que Gabriel, Higor virou presença assídua nas redes sociais do jogador, chegando até a ficar famoso no Instagram e sendo reconhecido nas ruas quando vem para o Brasil. Contudo, o companheiro sabe que precisa tomar cuidado sobre o que postar em suas redes sociais, já que quase tudo envolve o atleta da seleção e que uma vez até chegou a levar uma bronca da mãe de Jesus por causa disso.
O “parça” também já pensa em seu próprio futuro. Atualmente, ele além de estudar inglês, também trabalha como fotógrafo do atleta, cuidando da imagem dele. “Trato como amizade e trabalho. A gente joga futmesa, videogame, sinuca. Mas ele também me trouxe para me dar a oportunidade de ser alguém na vida, de estudar e trabalhar”, revelou Higor, que já até cogita arrumar uma namorada na Inglaterra.
OS IRMÃOS TAMBÉM SÃO PARÇAS

Felipe Anderson chegou na Inglaterra no início da temporada de 2018-19 e é um dos preferidos da fanática torcida do West Ham. Para o atleta, o segredo do sucesso é estar junto da família. Desde os 16 anos, quando estava perto de jogar pelo profissional do Santos, Juliana e Juli Anderson, dois dos quatro irmãos do atleta, foram morar com ele, para ajudar e facilitar a vida do meia.
“Todo os dias a gente conversa e já começa o dia bem. Trabalhar com a família é ótimo. Ela deixou o trabalho dela para acompanhar minha carreira. Desde então, ela fica de olho em tudo, sabe dos contratos, cuida das burocracias e me coloca por dentro de tudo”, contou Felipe Anderson, que agora tem a própria irmã como empresária e representante na Inglaterra.
Juliana, porém, já está acostumada a cuidar do jogador antes mesmo dele ser uma das grandes promessas da categoria de base do Santos. “Nossos pais trabalhavam fora, então eu tinha a missão de fazer eles jantarem e tomarem banho em casa. Só que o Felipe dava trabalho nessas horas, porque ele entendia que a hora do banho era a hora que acabava o futebol na rua, então ele não gostava de tomar banho. Lembro uma vez que a gente chegou a brigar com vassouras por causa disso”, lembrou a irmã mais velha.
Agora, como empresária no lugar do pai, Juliana quer não só ajudar a carreira do Felipe, mas também a de outros jogadores e até a colocar mais mulheres no meio. “No começo foi difícil, eu não sabia nada, mas comecei a estudar e foi indo. Eu até gostaria de ajudar outras pessoas, famílias de jogadores, porque é muito complicado tudo isso. Em toda reunião que entro, sou julgada por uns 30 minutos. É um mundo bem masculino ainda, mas eu quero participar desta melhora, de ter um aumento feminino na área”, explica a irmã.
O PARÇA QUE SONHA EM SER BOLEIRO

Ainda quando morava no Espirito Santo, Richarlison conseguiu uma chance para fazer um teste no América-MG. Porém, sua família não tinha condições para comprar uma chuteira para ele poder ir para a peneira, já que a sua estava sem condições. Assim, Pedro Emanuel, amigo do atacante e companheiro de time da época, emprestou o próprio par de chuteiras para o amigo brilhar e ser descoberto para o mundo do futebol. Desde então, a dupla está sempre junta se divertindo e dançando a já famosa “dança do pombo”.
“Quando eu fui embora uma vez, ele ficou sozinho aqui e acho que ele ficou muito triste. É muito ruim aqui ficar sem ninguém. Um dia estava conversando com o Mina e ele disse que prefere ficar aqui com a gente brincando do que ficar sozinho na casa dele”, explicou o “parça” Pedro. Em muitos momentos na casa do camisa 7 do Everton, a dupla está no videogame, jogando bola (quando está no verão), dançando, mas, o mais importante para ambos, se divertindo e rindo.
O amigo, que até ir para a Inglaterra morar com Richarlison sequer tinha viajado de avião, revelou ainda que se emociona toda vez que a torcida do Everton canta a música para o atacante, que fica ainda mais feliz quando vê ele fazer um gol, comemorar com a dança do pombo e vê o pessoal da torcida o imitando.
Contudo, Emanuel ainda tem o mesmo sonho de quando era criança e conheceu o melhor amigo, de ser jogador de futebol. Após atuar pelo Southport FC, um clube regional da 6ª divisão da Inglaterra, enquanto morava com Richarlison na Europa, Pedro, em maio de 2019 atuou pelo Serra Macaense, onde disputou a segunda divisão do Campeonato Carioca.
Ele não desistiu de se profissionalizar e conta com todo apoio do atacante da seleção brasileira, que hoje é quem empresta a chuteira. “Quero me tornar jogador para ajudar minha família. Se tiver a oportunidade e der certo, seria um sonho de criança realizado”, contou o amigo.
