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De tragédia ao futebol americano no DNA: a criação da família Manning, uma das mais importantes da NFL

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NFL: história da família Manning é destaque no WatchESPN (1:23)

Archie, Peyton, Eli e Cooper tiveram diferentes trajetórias no futebol americano; veja 'The Book of Manning' quando quiser (1:23)

Existem poucas famílias do esporte tão tradicionais e dominantes como os Manning são no futebol americano. São três quarterbacks que juntos somam estatísticas impressionantes na NFL: quatro Super Bowls, cinco MVPs, 20 idas ao Pro Bowl e 1030 touchdowns. Contudo, para chegar nesses números fantásticos, Archie Manning, pai de Peyton e Eli Manning, precisou superar uma grande tragédia familiar.

Enquanto ainda construía sua ótima carreira universitária em Ole Miss, no final dos anos 60, Archie sofreu por pouco não abandonou o esporte. Durante as férias da faculdade, quando estava com a família, seu pai acabou tirando a própria vida.

O garoto de ouro de Mississippi estava decidido: queria largar o futebol americano para trabalhar e ajudar mãe e a irmã. A família, porém, insistiu para que ele continuasse jogando. E ele atendeu ao pedido: voltou para o campus universitário.

Assim, o camisa 18 fez história em Ole Miss e se tornou uma lenda do estado e da divisão SEC antes de ir para a NFL. Em 1971, foi selecionado como segunda escolha geral do Draft pelo New Orleans Saints.

Em paralelo a sua carreira profissional, Archie teve três filhos: Cooper, Peyton e Eli. E diferente do que teve na sua infância, ele queria ser um pai afetuoso, que passasse muito tempo com seus filhos e demonstrasse todo o carinho e amor que tinha por eles.

Com inúmeras idas e vindas para jogos e treinos do pai logo nos primeiros anos de vida, os três filhos de Archie se apaixonaram pelo futebol americano e estavam decididos a seguir o mesmo caminho. Porém, Cooper, o mais velho do trio, acabou tendo um sério problema de saúde e foi obrigado a largar o esporte em seu primeiro ano da faculdade. Algo que abalou a família Manning.

Peyton, então, decidiu fazer com que o irmão vivesse o sonho através dele. Ele decidiu recusar o convite de Ole Miss, onde seu pai tinha jogado, e foi para a Universidade de Tennessee. Lá, fez história antes de ir brilhar na NFL. Já Eli aceitou carregar o fardo de jogar da faculdade do pai e também deixou sua marca quebrando recordes antes de também ir conquistar notoriedade na liga profissional.

O documentário “The Book of Manning”, que está disponível no WatchESPN, conta a história da família e como Archie Manning se recuperou de uma tragédia para ser um pai exemplar para seus filhos. E como os filhos souberam carregar o legado e os aprendizados do pai.

Você pode ver todas estas produções e muitas outras quando e onde quiser no WatchESPN.

ÍDOLO ESTADUAL E TRAGÉDIA

Nascido em Drew, no Mississippi, Archie Manning sempre gostou de praticar esportes - beisebol e futebol americano em especial. No caso do segundo, ele ainda dividia a paixão com o próprio pai, que torcia pelo New York Giants. Para aproveitar essa ligação, já que seu pai, conhecido como Buddy, não demonstrava tanto afeto, Archie começou a jogar na escola e se destacou como quarterback. Brilhou o suficiente para chamar a atenção de Ole Miss, uma das maiores universidades do estado, que ofereceu uma vaga para ele no time.

Após um ano como reserva e outro como titular, o camisa 18 tinha tudo para chegar voando em 1969. No entanto, durante as férias de verão antes do início da temporada, Buddy tirou a própria vida. Archie foi o primeiro a ver o corpo do pai. Para ajudar a família, ele queria largar a faculdade para trabalhar e cuidar da casa. Após insistentes pedidos da mãe para que continuasse em Ole Miss, ele regressou para o campus dos Rebels.

O time agradeceu. Manning fez uma temporada fantástica, estabeleceu recordes e levou a equipe a uma vitória no Sugar Bowl, sendo eleito MVP da partida. Todo esse desempenho o tornou um astro no estado. Ganhou o apelido de Archie “Super” Manning e uma fama que somente Elvis Presley teve no Mississippi.

Em seu último ano, quando todos sonhavam com os próximos feitos, o quarterback quebrou o braço no quinto jogo da temporada e ficou muito tempo afastado. Mesmo assim, Archie fez questão de voltar para um último jogo, mesmo de tala no braço e longe de estar 100% recuperado.


NFL E FAMÍLIA

Após chamar muita atenção em Ole Miss, Archie Manning foi para o Draft da NFL de 1971 e acabou sendo a segunda escolha geral, indo para o New Orleans Saints. Na época, a franquia não tinha um grande elenco, o que acabou prejudicando o desempenho do quarterback.

Porém, o jogador, que logo teve três filhos, nunca levou um clima ruim para dentro de casa. Além disso, para passar mais tempo com as crianças, sempre levava Cooper, Peyton e Eli aos treinos e jogos dos Saints.

Archie foi eleito para o Pro Bowl duas vezes, em 1978 e 79, e está no hall da fama da franquia da New Orleans. Ele se aposentou em 1984 sem nunca ter jogado em um time que tenha terminado a temporada com mais vitórias do que derrotas.


A DECISÃO DE PEYTON

Aposentado, Archie teve a missão de acompanhar o crescimento dos filhos, que sonhavam em ser jogadores profissionais como ele. Cooper e Peyton chegaram a jogar juntos no ensino médio e se destacaram. O mais velho acabou sendo convidado para jogar em Ole Miss, como recebedor.

Entretanto, logo em seu primeiro ano na faculdade, Cooper foi diagnosticado com uma estenose espinhal. Precisou passar por diversas cirurgias complicadas, encerrando sua carreira no esporte.

Este acontecimento acabou afetando Peyton, que já tinha se destacado como melhor quarterback do país em nível colegial. Chateado com a situação, Peyton escreveu uma carta para o irmão: Cooper poderia continuar vivendo o sonho de jogar futebol americano através dele.

Em busca de novos horizontes, Peyton descartou o convite de Ole Miss e foi para a Universidade de Tennessee. Uma decisão com repercussão negativa: a população de Mississippi queria que ele seguisse os passos do pai e permanecesse no estado durante a carreira universitária.


O FARDO DE ELI

Como Peyton fez muito sucesso em Tennessee e foi a primeira escolha do Draft da NFL de 1998 pelo Indianapolis Colts, a pressão agora caía sobre Eli, o caçula da família. Também quarterback, ele fez sucesso no colegial, mas, diferente do irmão, aceitou o fardo de jogar na faculdade onde seu pai tinha feito história.

Porém, o começo em Ole Miss foi conturbado. Eli chegou a ser preso por embriaguez em público e teve que mudar para ser o grande jogador que sonhava. E conseguiu. Em quatro anos na faculdade, quebrou mais de 40 recordes, sendo mais da metade de Archie. Além disso, venceu um jogo em janeiro, o que não acontecia desde a época de seu pai: o Sugar Bowl de 1970.

Após a desconfiança, Eli mostrou que também era mais um grande jogador da família. Em 2004, ele foi o segundo da família a ser primeira escolha geral do Draft da NFL e, após uma troca, foi jogar no time de seu avô, o New York Giants. Lá, conquistou dois Super Bowls - assim como Peyton, campeão por Indianapolis Colts e Denver Broncos.