A Ação Civil aberta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em março de 2015 para apurar as condições oferecidas pelo Flamengo aos jovens das categorias de base no Ninho do Urubu ignorou várias irregularidades apontadas nas vitorias do GATE (Grupo de Apoio Técnico Especializado), entidade ligada ao próprio MPRJ. Diversas vistorias foram feitas a partir de 2012.
O documento a que teve acesso a reportagem faz menção a problemas de ordem de segurança, como a ausência de educadores e/ou monitores e falta de documentos como histórico escolar e autorização dos pais. Também refere-se à estrutura, com o relato de problemas como pouca disponibilidade de sanitários e espaço pequeno para acomodar tantos garotos (havia 27 presentes).
Não constam ocorrências apontadas pelo GATE na vistoria de 2012, ao qual a eportagem obteve acesso exclusivo, como ausência de procedimentos necessários para cuidados médicos e prevenções, ausência de ambulância etc.
Vale ressaltar que o GATE fez novas vistorias em 2016, 2017 e 2018 e encontrou extintores vencidos e até piora em alguns itens.
A decisão liminar da quarta-feira, que proibiu a presença de atletas menores de idade no Ninho do Urubu, foi tomada pela 1ª Promotoria da Justiça de Tutela Coletiva da Infância e Juventude do MPRJ justamente após conhecimento das irregularidades detalhadas pelo GATE.
Segundo fontes consultadas pela reportagem, a ausência da totalidade dessas informações na Ação Civil teria sido provocado porque os relatórios citados foram encaminhados para uma área específica ligada ao esporte.
A mesma fonte afirmou que a liminar assinada pelo juiz Pedro Henrique Alves, da 1ª Vara da Infância, da Juventude e do Idoso, impediu que se prosseguisse o contínuo adiamento das audiências pelo MPRJ e as "reiteradas medidas prorrogativas feitas pela Prefeitura, pelo Corpo de Bombeiros e pelo Flamengo".
"Essas entidades agiam lentamente na entrega das solicitações de documentos e habilitações exigidas pela ação civil", informaram.
Referente a isso, consta na liminar da última quarta-feira menção a vários pedidos de adiamentos de audiências, sendo que a última vez que uma audiência foi adiada foi em 29 de janeiro deste ano. A data da próxima foi fixada somente para 7 de maio.
Vale reforçar que na última sexta-feira, dia 8 de fevereiro, um incêndio no alojamento da base no Ninho do Urubu deixou dez mortos e três hospitalizados. O Flamengou chegou a usar o CT para o time profissional no sábado, na segunda, na terça e na quarta.
A reportagem questionou os órgãos responsáveis sobre os procedimentos e pediu ao departamento de comunicação social do MPRJ uma entrevista com o doutor Pedro Rubim. Não foi atendida até a publicação do texto.
Nesta sexta-feira, ocorrerá uma reunião na sede do MPRJ com representantes da Prefeitura, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Defensoria Pública, da Defesa Cívil, entre outos, para deliberar sobre o Ninho do Urubu. O encontro seria às 10h, mas foi remarcado para 15h (de Brasília), na sede do órgão, no centro do Rio de Janeiro.
