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Perguntas e respostas: o que se sabe até agora da tragédia no Ninho do Urubu, CT do Flamengo

Desde o início da manhã da última sexta-feira, quando se descobriu que o Ninho do Urubu havia pegado fogo, até as primeiras horas da manhã deste sábado, as notícias sobre a tragédia do Flamengo não pararam.

Muita coisa acabou sendo confirmada apenas no fim da jornada. Pouca coisa conclusiva.

As investigações sobre os motivos que provocaram o incêndio nos dormitórios e provocaram a morte de dez jogadores, além de deixar outros três hospitalizados, vão prosseguir ao longo do dia. Veja abaixo o que sabemos sobre o caso.

O que aconteceu?

Em horário que não foi identificado pelas autoridades, o alojamento onde estavam 26 jogadores das categorias de base do Flamengo, no Ninho do Urubu, pegou fogo. Dormiam no local atletas entre 14 e 17 anos que não residiam no Rio de Janeiro.

Quais os motivos do incêndio?

Desde que o caso foi descoberto, uma das hipóteses trabalhadas é que um curto circuito em uma tomada ou no ar condicionado deu início ao fogo. Nada é conclusivo ainda. Um inquérito foi instaurado na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) para apurar as causas.

Por que alguns jogadores conseguiram se salvar e outros não?

Uma hipótese de quem já trabalhou com alojamentos do mesmo estilo do construído pelo Flamengo (eram contêineres dormitórios) é que os jogadores que estavam acordados e próximos da porta escaparam por terem aspirado pouca fumaça (monóxido de carbono) e sofrido poucas queimaduras. A fumaça é altamente tóxica para o organismo.

Especula-se também que o formato dos quartos, com apenas uma porta para acesso e sem janelas, dificultou a saída dos demais.

Como dito antes, nada disso é conclusivo e tudo está sendo investigado.

Quem é o responsável?

É talvez a pergunta mais difícil, porque as investigações ainda estão em um estágio inicial.

Até aqui a polícia ouviu o depoimento de 13 jogadores do Flamengo e três funcionários. Todos tiveram os nomes preservados. O clube pediu a todos seus colaboradores que não deem entrevista sem autorização.

A prefeitura do Rio de Janeiro emitiu duas notas oficiais informando que o Flamengo não tinha permissão para construir alojamentos naquele local e o que havia sido aprovado no projeto era o uso do espaço para estacionamento.

Quantos morreram?

Foram dez vítimas fatais. Inicialmente especulou-se que seis eram atletas, dois eram jovens que estavam em fase de avaliação e outros dois eram funcionários. O médico do Flamengo, João Marcelo Amorim, foi o primeiro a afirmar que todos eram atletas.

Os nomes ainda estão sendo oficializados pelo Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto, mas nem todos foram confirmados. Oficialmente Christian Esmério, Victor Isaías, Bernardo Pisetta, Arthur Vinícius, Pablo Henrique, Athila Paixão e Gedson Santos foram confirmados pelo órgão público.

Jorge Eduardo, Rykelmo de Souza Viana e Samuel Thomas não tiveram o óbito oficializado pelo IML até o fim desta reportagem, mas outras fontes, incluindo familiares, confirmaram o óbito ao longo de toda a sexta-feira.

Quantos estão internados?

O Flamengo divulgou o nome de três sobreviventes: Cauã Emanuel Gomes Nunes, Francisco Diogo Bento Alves e Jhonatan Ventura.

O último é o que encontra-se em estado mais grave por ter tido mais de 40% do corpo queimado.

Quem escapou?

No final do dia, o Flamengo informou o nome de 13 atletas que não precisaram ser hospitalizados: João Vitor Gasparini, Wendel Alves, Caike Duarte, Rayan Lucas Kayque Soares, Pablo Ruan, Gabriel de Castro, Samuel Barbosa, Felipe Chrysman, Felipe Cardoso, Kennedy Lucas, Jean Sales e Naydjel Callebe.

Velório

O Flamengo informou que não realizará um funeral coletivo e que deixará as famílias livres para decidirem sobre velório e enterro. O clube, porém, disponibilizou o Salão Nobre da Gávea para cerimônias e homenagens.