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Polícia ouve 16 pessoas, requisita documentos do Ninho do Urubu e pede imagens de câmeras ao Fla

Após o incêndio ocorrido nesta sexta-feira no Ninho do Urubu, CT do Flamengo, a Polícia Civil informou de tarde que já havia concluído a perícia do local e abriu inquérito para apurar quem foram os responsáveis pela tragédia.

Agora à noite, a corporação divulgou nota oficial para informar que colheu diversos depoimentos e já fez requisições ao Corpo de Bombeiros, à Prefeitura do Rio de Janeiro e ao time da Gávea para seguir com as investigações.

"A Sepol (Secretaria de Estado de Polícia Civil) informa que perícia foi realizada no local e um inquérito foi aberto na 42ª DP (Recreio dos Bandeirantes) para apurar responsabilidades. Nesta sexta-feira, foram ouvidos 13 atletas e três funcionários do clube", escreveu.

"A Polícia Civil está requisitando ao Corpo de Bombeiros e à Prefeitura do Rio a documentação referente ao funcionamento do Centro de Treinamento. Também requisitou ao Flamengo imagens de câmeras instaladas no local", completou.

CORPOS FORAM CARBONIZADOS

Os corpos das 10 vítimas da tragédia foram levados ao IML (Instituto Médico Legal), no Rio de Janeiro. Todos carbonizados, eles terminaram de chegar ao local às 15h (de Brasília).

Serão usadas digitais e arcadas dentárias para tentar a identificação. Caso esses métodos não sejam efetivos, serão realizados testes de DNA.

Os funcionários do instituto aguardam a chegada e presença de familiares para iniciarem os procedimentos.

Após a identificação, os corpos serão liberados para os velórios e enterros. A presença da família é obrigatória para que eles possam deixar o IML.

Os familiares das vítimas são aguardados em vans no local, possivelmente acompanhados de representantes do Fla.

Mais cedo, o MPT-RJ (Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro) anunciou a criação de uma força-tarefa para exigir reparação aos familiares das vítimas.

"A força-tarefa foi construída hoje (sexta-feira), agora há pouco. Em tese a atuação vai se dar em duas frentes. Uma, em caráter reparatório com relação aos danos causados pelo incidente. Outra, em caráter preventivo: investigar as causas, verificar se o ambiente de trabalho estava inadequado, para evitar que isso volte a ocorrer. Serão tomadas medidas com esses dois enfoques", disse a procuradora Daniella Cramer, em entrevista ao portal UOL.

A coordenadora da força-tarefa disse inclusive que o MPT-RJ estuda o bloqueio de contas e bens do Fla para garantir o pagamento das indenizações.

"Essa medida está sendo estudada. Pode ser que isso venha a acontecer", salientou.

Outros quatro procuradores fazem parte do grupo: Virgínia Leite Henrique, Tiago Oliveira de Arruda, Juliane Mombelli, Maria Vitória Sussekind Rocha.

Todos são integrantes do Núcleo de Combate à Exploração do Trabalho da Criança e do Adolescentes e do Núcleo de Defesa do Meio Ambiente de Trabalho.

Antes disso, a Prefeitura do Rio de Janeiro informou que a área do CT do Flamengo em que ocorreu o incêndio só podia ser usada como estacionamento.

De acordo com a municipalidade, "no projeto protocolado (pelo Flamengo), a área (onde ocorreu o incêndio) está descrita como um estacionamento".

Além disso, "não há registros de novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitórios", afirmou.

"A Prefeitura vai determinar a abertura de um processo de investigação para apurar as responsabilidades", complementou o órgão, salientando que a licença concedida ao Fla ainda tinha um mês de validade.

O Flamengo ainda não se pronunciou sobre a nota da Prefeitura.

10 PESSOAS MORRERAM

O fogo atingiu o local onde fica alojamento de jogadores das categorias de base do clube.

Douglas Henaut, tenente-coronel dos Bombeiros, confirmou que todos os mortos tinham entre 14 e 17 anos. A Polícia Civil agora fará a identificação dos jovens.

A lista completa das vítimas que já foram identificadas pode ser vista aqui.

Os três feridos no hospital são Cauan Emanuel Gomes Nunes, 14 anos; Francisco Diogo Bento Alves, 15; e Jonathan Cruz Ventura, 15.