Gabigol é o novo camisa 9 do Flamengo. O jogador, artilheiro do último Campeonato Brasileiro, chega para acabar com os problemas ofensivos do time rubro-negro.
Porém, se depender do retrospecto do próprio clube, isso não quer dizer muito. Isso porque o ex-jogador do Santos é o sexto goleador máximo do principal torneio nacional no ano anterior que chega para a equipe. E se depender do retrospecto dos anteriores, a torcida flamenguista já pode se preocupar a partir de já.
O primeiro de todos eles foi Darío, mais conhecido como Dadá Maravilha. O ídolo de Atlético-MG e Internacional, artilheiro do Brasileirão por três oportunidades, atuou na temporada 1973 no Flamengo.
Ele até começou bem, sendo o destaque da equipe na disputa do Campeonato Carioca, marcando 15 gols na campanha do vice-campeonato. Já no nacional, seus números caíram consideravelmente. E se ele deixou de fazer gols, seu time também despencou de desempenho. Em 28 jogos disputados, o clube balançou as redes adversárias apenas 31 vezes e amargou uma decepcionante 24ª posição no torneio.
Muitos anos depois, a aposta foi em Dimba, atacante que passou por alguns clubes menores, além de viver um bom momento no Botafogo, por quem fez o gol do título carioca de 1997.
Só voltou a aparecer bem em 2003, quando, com a camisa do Goiás, marcou 31 gols no Brasileiro, sendo o artilheiro máximo da competição. A boa fase foi o suficiente para ele ser negociado com o Al Ittihad, onde permaneceu poucos meses antes de desembarcar no Flamengo.
Logo em sua chegada, já arrumou confusão com seus companheiros. Isso porque fez algumas exigências financeiras para assinar com o clube, que passava por uma situação financeira bastante complicada e costumava atrasar salários de seus atletas.
Na época, o goleiro Júlio César, que posteriormente viraria um grande ídolo, reclamou publicamente que a diretoria "tinha dinheiro para contratar Dimba, mas não para pagar o salário do resto do time".
E com uma chegada como essa, o resultado final não poderia ser grande coisa. No Brasileiro de 2004, Dimba fez apenas sete gols e a consequência disso foi uma negociação do atacante, que foi jogar no São Caetano logo no ano seguinte.
A aposta seguinte foi em Souza. Goleador do torneio nacional em 2006 também pelo Goiás, mesmo clube em que Dimba brilhou, o novo atacante chegou ao rubro-negro já com desconfiança, já que possuía grande identificação com o rival Vasco. Nos primeiros meses, porém, foi bem, marcando, inclusive, o gol do título carioca. Já no Brasileirão, ele balançou as redes apenas em seis oportunidades, 11 a menos do que no ano anterior.
E se Souza não correspondeu, quem chegou em 2008 foi mais um artilheiro: Josiel, atacante que brilhou pelo Paraná, marcando 20 gols, mas não evitando o rebaixamento de sua equipe. E o seu desempenho no Flamengo não poderia ter sido pior. Contratado durante o Brasileirão, ele não conseguiu marcar sequer uma vez naquele ano. Seu primeiro gol pelo rubro-negro foi apenas em fevereiro de 2009, pouco tempo antes dele ser repassado para o Jaguares, do México.
O desempenho bastante ruim desses jogadores parece ter "anestesiado" um pouco o clube, que ficou 10 anos sem apostar em artilheiros do Brasileiro. E o escolhido depois de todo esse tempo foi Henrique Dourado, autor de 18 gols pelo Fluminense no nacional de 2017. Ele, que custou R$ 11,5 milhões aos cofres da equipe, foi mais um que esteve longe de cair na graça da torcida, com apenas seis gols no último Brasileirão.
Quem brilhou nessa edição do torneio foi justamente Gabigol, autor de 18 gols pelo Santos, cinco a mais do que qualquer outro jogador que disputou o campeonato. E é justamente o atacante campeão olímpico em 2016 quem chega agora com a responsabilidade de ser o "homem gol" do Flamengo.
Será que ele finalmente encerra essa "zica" flamenguista com artilheiros, ou será que ela continuará "assombrando" os atacantes da equipe?
OUTROS ARTILHEIROS DE BRASILEIRO NO FLAMENGO
E parece que o azar do Flamengo em goleadores do Brasileirão não se restringe a atletas que brilharam exclusivamente no ano anterior. Nilson, autor de 15 gols pelo Inter em 1988, chegou ao rubro-negro em 1993. Porém, ofuscado com a forte concorrência de atletas como Renato Gaúcho e Paulo Nunes, não teve uma sequência e deixou a equipe ainda naquele ano.
Um ano depois, a aposta foi em Charles, que virou Charles Baiano quando desembarcou no Rio de Janeiro. Ele, que brilhou pelo Bahia em 1990, marcando 11 gols, até que não foi tão mal no Flamengo, mas esteve longe de se firmar em uma equipe que não conquistou títulos.
Em 1996, chegou Amoroso, artilheiro em 1994 pelo Guarani e que assinou pelo rubro-negro por apenas três meses. No período, foram seis gols e o título do Campeonato Carioca antes de se transferir para a Udinese e brilhar em continente europeu.
Por último, a aposta flamenguista foi em Dill, goleador do Brasileiro em 2000 pelo Goiás e que chegou ao Rio em 2004. Além de poucos gols, ele ainda ficou marcado por desperdiçar um pênalti que eliminou o Flamengo da Copa Sul-Americana em duelo com o Santos.
