O Campeonato Brasileiro terminou no último domingo, mas ainda promete algumas ‘rodadas’ pela frente. O lateral Ernandes, que atuou pelo Ceará na primeira divisão e pelo Goiás na Série B, é acusado de ter documentos adulterados em seu registro na CBF, algo que a Ponte Preta promete utilizar juridicamente.
"A Ponte entende, categoricamente, que o Goiás tem responsabilidade nessa situação. (Não punir) seria um salvo conduto para eles. Até acho que eles não sabiam, mas existe a responsabilidade", afirmou Giuliano Guerreiro, diretor jurídico do clube campineiro, em entrevista coletiva nesta terça-feira.
Ernandes Dias Luz, que jogou na 1ª rodada da Série A pelo Ceará e atuou em mais de 30 partidas pelo Goiás na Série B, tem registro de nascimento no BID da CBF no ano de 1987. A denúncia, que foi revelada pela Rádio Central de Campinas, é de que o lateral possui certidão original de nascimento em 1985. A adulteração da idade seria o caso conhecido popularmente como “gato”.
Se os clubes envolvidos fossem punidos, o Sport se beneficiaria escapando do rebaixamento na primeira divisão, derrubando o Ceará, ao passo que a Ponte Preta herdaria a vaga dos goianos de acesso à Série A.
"Temos interesse em promover essa irregularidade e vamos fazer de tudo para que a Ponte Preta não seja prejudicada. Regulamento é para ser cumprido", afirmou o diretor.
“Tem um artigo que fala da responsabilidade objetiva dos clubes, que é o que o STJD tem levado em conta em algumas situações. Não há um caso similar e seria um divisor de águas", justifica Guerreiro. “Se o clube tem como verificar, teria culpa”, completa.
A Ponte irá esperar uma denúncia da procuradoria do STJD até quarta-feira. Se o órgão não agir, os campineiros irão. “Se eles oferecerem (a denúncia), vamos acompanhar como terceira interessada. Caso não, vamos tomar nosso caminho e oferecer a denúncia por conta própria", afirmou o dirigente.
Advogado especialista não acredita em punição
Em entrevista ao ESPN.com.br, o advogado especialista em direito desportivo João Henrique Chiminazzo afirmou que não acredita em punição aos clubes envolvidos.
“Dificilmente terá alguma penalidade aplicada ao Goiás. Ainda que você tenha uma responsabilidade objetiva, o erro na documentação é um erro que talvez o Goiás não conseguisse realmente identificar. O Goiás agiu de boa fé”, explica Chiminazzo.
Para o advogado, os goianos não tiveram benefício esportivo com a irregularidade e é mais possível que o atleta seja punido individualmente.
“O Goiás não se beneficiou dessa atitude. Não é o caso de um jogador que está jogando numa categoria diferente e o Goiás acaba sendo beneficiado por isso. No caso, o jogador ter 31 ou 33 anos pouco importa”, analisa.
Chiminazzo, entretanto, admite que a Ponte Preta tem alguma razão nas suas alegações.
“Ponte Preta não está de todo errada na colocação dela. De fato, existe essa predisposição do STJD de aplicar responsabilidade objetiva nos casos, que é aquela que independe de culpa, (na qual) pouco importa se teve ou não teve a intenção de fraudar, o importante é que houve a fraude”, explica.
