De melhor time do primeiro turno e líder até à 26ª rodada a quinto colocado no final do Campeonato Brasileiro.
2018 começou como um ano promissor para o São Paulo, mas o final de temporada deixou muitos frustrados. Ao programa No Ar com André Henning, do Esporte Interativo, o zagueiro Rodrigo Caio abriu o jogo, falou sobre sua relação com Diego Aguirre, as críticas que recebe da torcida e como o ano deixou de ser "maravilhoso" para se tornar o "pior momento de sua carreira".
Relação com Aguirre
O zagueiro deixou claro que sua relação com o treinador não era das melhores. E ele foi duro nas críticas.
"Eu não tive oportunidade, cara, e eu não tive explicação por causa disso... Faltou, faltou comunicação, faltou diálogo. Eu tive uma conversa com o Aguirre, que foi antes do jogo contra o Atlético-PR, mas ele não falava comigo, não me dava nenhum feedback. Ah, você precisa melhorar ali, você precisa melhorar aqui. Ah, eu vou te dar uma oportunidade, e ele revezando todos os jogadores, revezando os três zagueiros, e eu não tinha chance", disse o jogador, que atuou em apenas seis partidas do Brasileirão e passou por cirurgia após lesão no pé esquerdo, sofrida durante o empate contra o Ceará na 2ª rodada.
"E eu comecei a ficar 'meu, o que é que está acontecendo.... Eu não tinha contato direto com ele (Aguirre). Não dava abertura, é um cara fechado. Tinha um pouco mais de intimidade com alguns jogadores, o que é normal. Mas eu não tinha isso. Não vinha falar comigo. Nos três meses que fiquei na fisioterapia, o cara nunca apareceu pra me perguntar como eu estava. Fiquei sem entender", seguiu Rodrigo Caio.
"Quando você monta um time para ser campeão, precisa dar atenção para todos. É a grande dificuldade. É a diferença dos treinadores de alto nível. Passei isso para a diretoria, principalmente em uma conversa com o Raí... 'se a gente for campeão hoje, não vou me sentir campeão brasileiro'."
Pressão, críticas da torcida e briga por títulos
A entrevista também abordou a relação do jogador com a torcida são-paulina. Ele disse que considera as críticas como algo "normal" e se explicou.
"Se o São Paulo perdeu, quem vai dar entrevista? Eu vou dar entrevista. E nunca tive um respaldo de ninguém sobre isso. Qual é a imagem da torcida do São Paulo? Todo fracasso do São Paulo é culpa de quem? Do Rodrigo Caio", disse ele.
"A culpa de todos esses anos sem título é do Rodrigo Caio? Eu aguentei a bronca. Muitos não aguentaram a pressão. E hoje são campeões em outros clubes. E o jogador é ruim? Vai falar que o Maicon, capitão do Grêmio, é mau jogador? É um dos melhores com quem já joguei. Saiu como do São Paulo? Chutado", lamentou o atleta de 25 anos.
"Perdi muito dessa paixão (pelo São Paulo). Acho que é normal quando você joga pelo seu clube, mas também por tudo que aconteceu. Sempre vou amar o São Paulo e espero que volte a ganhar o quanto antes. Se o culpado sou eu, espero que ganhem muitos títulos no dia que eu sair."
Permanência e planejamento
Nas últimas temporadas, o nome do zagueiro tem sido ligado a possíveis negociações, principalmente com times da Europa. E ele revelou o que planejava para 2018: sair após um título.
"Tive uma proposta no último dia da janela em janeiro, da Real Sociedad. Mas eu estava no projeto para ir para a Copa do Mundo. Mas não me arrependo. O São Paulo tinha a necessidade (de vender). Mas falei para o Raí que queria ir para a Copa e ser campeão pelo São Paulo. Tenho muita convicção que vamos ser campeões paulistas. E no meio do ano eu saio feliz, porque cumpri o que eu queria", comentou.
"Saiu de um ano maravilhoso, que eu tinha planejado, para o pior momento da minha carreira."
Elenco
Outro questão discutida durante o programa foi a formação do grupo de jogadores do São Paulo.
"A gente não formou um elenco para ser campeão brasileiro. Temos 14, 15 jogadores, muitos moleques da base. Sabemos que a dificuldade é muito grande. A gente vê o Palmeiras, que foi campeão, com dois times", explicou Rodrigo Caio.
