Mustafá Contursi revela seu voto em eleição do Palmeiras e desabafa: 'Acho que está na hora de eu me envolver menos com o clube'

Ao longo dos 104 anos da história do Palmeiras, ninguém jamais foi capaz de amealhar capital político comparável ao do ex-presidente Mustafá Contursi Goffar Majzoub. Em nada menos que 12 anos de reiterados mandatos presidenciais (1993-2005), Mustafá sempre ditou e ajudou a ditar os rumos alviverdes, mesmo fora de cargos administrativos.

Mas, aos 78 anos, e com um processo eleitoral em franco curso para a escolha do próximo presidente do clube pelos próximos três anos, Mustafá está mais silencioso do que costuma ficar em época de eleições.

É difícil mensurar quanto desse silêncio é apenas a parte que vem à tona no que diz respeito à sua atuação política. Nos bastidores, por mais que ele negue, seu grupo político segue muito influente. Por isso, é difícil saber quanto de tal silêncio é, na verdade, estratégico, no que diz respeito à eleição que acontece hoje na sede social alviverde, das 8h às 17h.

Mas é fato que Mustafá não deu apoio público a nenhuma das candidaturas, que também tampouco o reclamaram – em que pese o apoio de pessoas ligadas a ele para que a candidatura de Genaro Marino tivesse os votos suficientes para passar pelo filtro de aprovação no Conselho Deliberativo do clube.

Mesmo para dizer que tende a votar em Marino, Mustafá não mostrou nem sombra da ênfase com que costuma defender seus pontos de vista.

Mustafá soa cansado, ao telefone. Talvez por isso, em entrevista concedida com exclusividade à ESPN, o dirigente, pela primeira vez, reconhece que seu tempo na política do clube pode estar chegando ao fim: “Eu acho que está na hora de eu, digamos, me envolver menos com o Palmeiras”, disse ele, que reitera: "Tenho enorme adoração pelo meu clube".

Leia abaixo a entrevista:

ESPN - Como o senhor está vendo a eleição do Palmeiras, em quem vai votar?
Mustafá Contursi - Eu não estou envolvido nessa eleição. É claro que eu tenho meu voto definido, eu nunca me omiti. Mas não tenho nenhuma participação ou apoio acá ou acolá, em nenhuma das campanhas.

ESPN – Eu suponho, a julgar pela movimentação política do clube, que o senhor deva votar no Genaro Marino, não?
MC - É uma tendência mas é um voto que, se for, não tenho nenhum envolvimento nas campanhas, nada. Inclusive, não tenho me manifestado em qualquer lugar

ESPN – O senhor ainda é muito admirado no clube, tem muitos conselheiros que lhe apoiam e lhe escutam para votar...
MC - Não é muito mais assim, não. Até porque, na gestão do Mauricio (Galiotte), sofri muita retaliação. Não é bem desse jeito. Mas não é por isso que tenho posições a favor ou contrário a esse ou aquele. Hoje, meu voto é só um voto entre milhares de associados, não tem nenhum valor maior.

ESPN – Mas a tendência é mesmo votar no Genaro, como o senhor colocou, certo?
MC - É uma tendência, até porque há uma divergência administrativa neste momento com o Mauricio, meramente financeira. Mas não tenho mesmo me envolvido com a eleição. Muito pelo contrário, tenho até evitado ir ao clube nos últimos dias.

ESPN – Isso deve estar sendo difícil para o senhor, que está sempre no clube.
MC -
Tenho ido menos nesses últimos dias, até que passe essa eleição.

ESPN – O senhor tem acompanhado a campanha, o que tem achado das estratégias?
MC - Não tenho nem conhecimento em como estão as campanhas, não tenho me interessado.

ESPN – O senhor soube da carta enviada pelo Paulo Nobre aos associados? O senhor a recebeu?
MC - Eu soube de alguns detalhes. Ele deu a opinião dele e eu respeito a opinião de todas as pessoas.

ESPN – O seu voto no Genaro Marino, em detrimento do Mauricio Galiotte, se deve a que, exatamente?
MC - Gosto muito do Mauricio pessoalmente. Tenho divergências administrativas com ele nesse momento, meramente de ordem financeiras. Mas eu gosto muito dele, é uma pessoa por que tenho consideração, assim como pelo Genaro. Gostaria que você deixasse isso claro. Genaro foi meu diretor por seis anos quando fui presidente do clube, naquele período de realizações. Tenho que levá-lo em consideração, porque ele foi meu diretor.

ESPN – Em relação a outras eleições, o senhor está muito em silêncio.
MC - Sim, estou completamente neutro no sentido de campanha.

ESPN – E por que esse silêncio? O senhor sempre faz questão de se pronunciar sobre os rumos políticos do Palmeiras.
MC - Eu acho que está na hora de eu, digamos... está na hora de eu me envolver menos, embora jamais deixarei de estar presente no Palmeiras, eu não quero me envolver mais tanto assim. Eu tive um envolvimento muito grandes nesses últimos anos. Desde a discussão da arena, a reforma do estatuto, e chega uma hora que as outras pessoas precisam cuidar também do nosso legado.

ESPN – Por sua idade e por tudo que fez pelo Palmeiras, o senhor poderia estar sempre descansando, afastado do clube. Porque ainda vai ao clube, participar de discussões , quando poderia estar aposentado delas?
MC - Porque eu tenho adoração pelo meu clube. Eu sou sócio há mais de 60 anos. Tenho todas as honrarias que se pode receber de uma instituição. Eu sempre representei meu clube, dediquei minha representação externa e internamente. Não me omito. E tanto não vou me omitir que irei votar nessa eleição.