Nesta quinta-feira, o Palmeiras estreia nas oitavas de final da Copa Libertadores contra o Cerro Porteño-PAR, fora de casa, às 21h45 (de Brasília). O clube alviverde tem uma rica história contra o adversário de Assunção, tendo enfrentado a equipe já em outras edições do torneio. E o mais famoso desses encontros foi marcada por uma briga que até hoje é lembrada pelos torcedores palestrinos.
Aconteceu na edição de 2006, quando a equipe paulista, então líder do grupo 7, encarava o já eliminado time paraguaio, no velho estádio Palestra Itália, também em uma quinta à noite.
A partida foi para o intervalo com 0 a 0 no placar, mas, após o árbitro apitar o fim do primeiro tempo, o atacante Washington, do Palmeiras, e o zagueiro Baez, do Cerro, se desentenderam a trocaram empurrões, dando início a uma bagunça generalizada.
Só que, no retorno do intervalo, o árbitro boliviano Marcelo Ortube expulsou, além do encrenqueiro Baez, o zagueiro alviverde Douglas, que não tinha nada a ver com o lance.
Inconformado, o gigante de 1,95 m não queria deixar o campo de jeito nenhum, e acabou empurrado por Baez para sair de uma vez do gramado.
Douglas não gostou nem um pouco, e acertou um soco no paraguaio, começando mais uma confusão que teve até intervenção da Polícia Militar. Praticamente todos os jogadores dos dois clubes, além das comissões técnicas, participaram.
Uma estranha exceção foi o palmeirense Edmundo, que ficou impassível no meio-campo acompanhando de longe, sem se envolver no conflito.
11 anos depois, "Douglão", como o zagueiro era conhecido, ainda se lembra de tudo.
Aposentado do futebol desde 2009, o defensor, que havia sido contratado do São Caetano, definiu Baez como "um maluco" e contou os detalhes da inesquecível briga.
"Aquele jogo foi muito estranho. Eu fui expulso injustamente e fiquei revoltado. Claro que me arrependo da situação, poderia ter sido mais humilde, mas o cara que me empurrou está até preso no Paraguai. Ou seja, gente boa ele não é", disse Douglas à ESPN.
De fato, Baez já foi detido diversas vezes nos últimos anos no Paraguai, pelos mais variados motivos: desde desacato à autoridade até tentativa de homicídio de uma mulher.
"Ele tem um histórico de ser maluco, e naquele dia ele deu uma mostra disso", bradou.
'DEI UM PONTAPÉ NO COMPADRE DO GAMARRA'
Segundo Douglas, foi Baez quem começou as provocações no primeiro tempo.
"O Baez deu uma cotovelada no Washington e abriu o supercílio dele, teve que colocar um esparadrapo. Logo em seguida, eu tomei uma cotovelada e abriu meu supercílio também. Eles vieram para bater, mesmo. Aí antes do fim do primeiro tempo, teve um bate boca na entrada do vestiário, um jogando bola no outro e empurrando. Eu tentei puxar o Washington, mas o Baez cuspiu e ele revidou. Falei: 'Vamos descer, deixa disso'", lembra.
"Descemos e o Pedrinho Santilli [auxiliar do técnico Emerson Leão] falou: 'O árbitro mandou avisar que vai expulsar um de cada lado'. Como eu não tinha feito nada, pensei que estava tudo certo para o meu lado. Voltando para o jogo, o juiz chamou os capitães e informou que ia me expulsar. O (goleiro) Sérgio ficou puto: 'Você está expulsando o cara errado'. Até hoje não sei por que ele me expulsou. Vai ver que, para compensar, ele mandou embora dois zagueiros, eu e o Baez", imagina Douglas.
Teve início então uma das maiores brigas da história da Copa Libertadores.
"Aí se deu o quebra-pau. Quando eu estava saindo, o Baez veio pra cima de mim e me deu um empurrão e uma rasteira. Eu poderia ter ficado quieto, porque a gente estava se classificando e o Cerro não jogava por nada. Até por isso, ficaram querendo 'folgar' com a gente. Só que eu revidei. Acabei levando quatro jogos de gancho e nem pude jogar o mata-mata com o São Paulo", recorda - a equipe tricolor acabaria eliminando o Palmeiras.
Alto e muito forte, Douglas nem se lembra com quantos brigou naquela noite. Hoje, dá risada ao se lembrar da intervenção do colega Gamarra, que estava na reserva palmeirense naquele dia, enquanto triturava os adversários do Cerro na pancada.
"Eu dei um pontapé num cara que depois o Gamarra falou que era compadre dele (risos). Ele me disse: 'Pô, negão, tá maluco? Esse é padrinho da minha filha, super gente boa. Você tá batendo no cara errado (risos)", gargalha o ex-defensor, hoje com 37 anos.
Douglão acabou retirado de campo pela PM, enquanto era aplaudido pela torcida.
"Um policial me retirou de campo e a torcida do Palmeiras começou a gritar meu nome. Achei que a torcida ia se revoltar, mas acabou gostando da minha atitude. Os torcedores acharam que agi de maneira correta, pois fui injustiçado e depois agredido", ressaltou.
Depois de toda a confusão, o Cerro Porteño acabaria derrotando o Palmeiras por 3 a 2 em pleno Palestra Itália, acabando com uma invencibilidade de 27 anos do clube paulista em seu estádio contra equipes estrangeiras. Mesmo assim, os alviverdes se classificaram em 2º lugar do grupo, ficando atrás do Atlético Nacional-COL, que assumiu a liderança.
Segundo Douglas, no entanto, a briga seguiu depois da partida, nos vestiários.
"Depois do jogo, os caras do Cerro não se deram por satisfeitos e ainda queriam brigar mais. Eles tentaram invadir nosso vestiário para continuar a porrada. Ficamos indignados com isso. A polícia precisou até interferir de novo para controlar de vez", finaliza.
