Auro, Bruno, Buffarini, Douglas, Éder Sciola, Ilsinho, Ivan Piris, Lucas Farias, Luís Ricardo, Paulo Miranda, Zé Luís...
A lista de laterais direitos do São Paulo desde 2005, quando Cicinho encerrou sua primeira e boa passagem pelo clube, é longa. Foram muitas decepções e muitos fracassos. Somente um jogador conseguiu agradar nesses 13 anos. Foi Éder Militão, que se despede neste domingo, contra o Vasco, no Morumbi, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Relevado pela base tricolor, Militão foi negociado com o Porto, de Portugal, por 4 milhões de euros (R$ 17 milhões). Quantia que parece irrisória para um jovem promissor de 20 anos. Mas, se ele não fosse vendido agora, sairia de graça em janeiro, com o fim do contrato.
Para a comissão técnica, o lateral direito fará falta por ser um dos mais versáteis do elenco de 2018. Ele já jogou como zagueiro, volante, meia direita e ponta-direita. Está entre os melhores do time no ranking de passes, ações de jogo, desarmes, assistências e até dribles.
A saída dele deixou os torcedores divididos. Alguns lamentaram. Outros aprovaram pela questão financeira.
O São Paulo até se preveniu. Primeiro contratou Regis, do São Bento, jogador que agradou, mas que foi afastado em maio por problemas familiares e não tem prazo para volta. Em julho, trouxe Bruno Peres, que tem outras características e ainda não está 100% fisicamente.
Militão fará contra o Vasco, neste domingo, às 16h (de Brasília), seu 57º jogo pelo São Paulo. Uma passagem curta, que começou nos profissionais no ano passado, e rendeu quatro gols.
Para muitos torcedores faltou um título, o que faria dele ser lembrado eternamente, mas, se a dificuldade para encontrar um novo (e bom) lateral se repetir, é possível que o nome de Militão acabe ecoando por um bom tempo ainda.
Uma longa lista
Em 2005, o São Paulo teve a sua melhor temporada neste século. Foi campeão estadual, da Copa Libertadores e do Mundial de Clubes. E quem era o lateral direito? Cicinho. E o ano foi tão bom que no seguinte ele saiu para jogar no Real Madrid.
Foi quando o clube do Morumbi passou a procurar um novo lateral. E sofreu. Não foram poucas as vezes em que um treinador improvisou alguém para tentar resolver. Aconteceu com Arouca, Zé Luís, Jean, Souza...
Veja abaixo alguns dos principais nomes que passaram pela posição desde então, o que fizeram e como terminaram.
Ilsinho - Veio de graça do Palmeiras como uma grande revelação, em 2006. Como lateral direito, não conseguiu grande destaque. Quando passou a jogar como um meio campista aberto pela ponta direita, se destacou bastante, a ponto de ser vendido ao Shakhtar Donetsk. Voltou em 2010. Mas, com uma série de lesões, não agradou.
Eder Sciola - Contratado no começo do Paulista de 2008 como destaque do Noroeste, ele não conseguiu se firmar com Muricy Ramalho. Com deficiência na marcação, ele também não ajudou nas jogadas ofensivas. Perdeu espaço para volantes improvisados.
Wagner Diniz - Era um dos principais jogadores do Vasco e conhecido por cavar muitos pênaltis. Chegou em 2009 ao São Paulo, mas não se firmou. Perdeu a vaga entre os titulares para Jean, que foi improvisado na posição. Depois, foi emprestado ao Santos e rodou por outros clubes.
Cicinho - Após ser o lateral de maior sucesso no São Paulo na última década, Cicinho voltou ao São Paulo, em 2010, disposto a refazer a carreira, mas decepcionou. O jogador admitiu que sua segunda passagem no Morumbi foi prejudicada por problemas com o álcool.
Ivan Piris - Veio ao São Paulo como destaque do Cerro Porteño, repassado por investidores, em 2011. Começou como titular, mas perdeu espaço com o tempo, não sendo nem sequer relacionado para os últimos jogos de sua passagem. Foi vendido para a Roma.
Paulo Miranda - Era zagueiro de origem e chegou ao clube em 2012. Muitas vezes foi improvisado na lateral. Foi o último campeão na posição, titular na final da Copa Sul-Americana naquele ano. Saiu em 2015.
Lucas Farias - Revelado na base, o lateral foi promovido em 2012, mas nunca teve muitas chances. Soma apenas nove jogos. Atualmente, está no São Bento.
Douglas - Vindo do Goiás como uma grande promessa, ele tinha várias convocações para seleções de base. No Morumbi, porém, não teve muito sucesso. Surpreendentemente foi vendido ao Barcelona, em 2014.
Bruno - Chegou ao São Paulo depois de vencer o Brasileiro de 2012 pelo Fluminense. No Morumbi, não repetiu o mesmo desempenho e sofreu com perseguição da torcida. Saiu neste ano emprestado ao Bahia.
Luís Ricardo - Atacante de origem, virou lateral na Portuguesa, onde fez grande sucesso na Série B de 2011. Chegou ao São Paulo em 2014, porém, sofreu com algumas lesões e não se firmou. Foi repassado para o Botafogo.
Auro - Cria da base do São Paulo, era convocado com frequência para as seleções sub-15 e sub-17. Foi promovido por Muricy. Tinha um bom jogo ofensivo, mas a oscilação como marcador fez ele ser descartado. Passou a ser emprestado até chegar ao Toronto, do Canadá, onde está hoje.
Buffarini - Desejado por alguns rivais, como o Corinthians, chegou ao Morumbi em 2016 com a taça da Libertadores de 2014 no currículo. Cometeu algumas falhas no Brasileiro daquele ano, ficou marcado e perdeu a vaga. Jamais se adaptou e saiu em 2017, sem deixar saudade.
