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Cria do São Paulo foi para elite portuguesa; hoje, sonha em brilhar na terra de Cristiano Ronaldo

Na terra de Cristiano Ronaldo, um brasileiro sonha em brilhar na primeira divisão portuguesa. Everton Ferreira Guimarães, conhecido como "Kaká", do Clube Desportivo Nacional, vai enfrentar os gigantes no principal campeonato do país após ter sido campeão das séries C e B.

Cria das categorias de base do São Paulo, ele se apaixonou pelo futebol logo cedo. Deu seus primeiros passos da carreira em Osasco, no ‘Meninos do Seno’. Aos 12 anos, teve a oportunidade da vida: uma avaliação técnica no São Paulo.

No meio de 100 jovens, ele foi selecionado após a famosa peneira e, com mais dois jogadores, integrou a base do clube paulista. Rapidamente ganhou o apelido do ídolo tricolor, que na época vestia a camisa 8 e brilhava na equipe profissional.

“Eu tenho esse apelido porque na altura o Kaká estava despontando no São Paulo e foi para o Milan. Eu tinha o cabelo parecido, o jeito também, então o pessoal falava... acabaram me colocando esse apelido e ficou, nunca mais consegui tirar”, disse ao ESPN.com.br.

Na base do São Paulo, o garoto lembra que o carro de seu pai fazia enorme sucesso entre seus companheiros.

“Na época, meu pai que me levava para os treinos e dava carona para o pessoal, era um ‘Fiatzinho 147’ que todos os meus amigos adoravam. Era show, só de chegar no estacionamento todo mundo já brincava com ele”, recordou.

No tempo em que permaneceu no Morumbi, Kaká jogou com garotos que depois fizeram sucesso no futebol, como Oscar, Lucas e Casemiro, além do goleiro Richard, hoje no Paraná.

“Tenho boas lembranças e tive uma aprendizagem muito boa no São Paulo. Foi onde aprimorei minha técnica e meu psicológico, a partir daí que comecei a despontar no futebol”, contou.

Entretanto, o jogador foi dispensado após cinco anos no São Paulo.

"A saída do São Paulo foi muito dura para mim. Eu tinha esperança de continuar, mas lembro que teve uma troca de direção e por essas e outras coisas eu acabei saindo. Não só eu, mas outros meninos que eram da equipe também saíram nessa mudança. Lembro que encarei de uma forma muito triste por ser apegado. Morava em São Paulo, treinava e voltava para casa e tinha muitos amigos", relembrou.

Recomeço no Rio de Janeiro

Após sair do São Paulo, o meia ainda atuou pelo Osasco até se transferir para o Madureira, aos 18 anos.

“Me destaquei logo de cara no Campeonato Carioca, chamei a atenção do Botafogo e passei um ano lá emprestado ao Sub-20. Cheguei a treinar com os profissionais e tive a honra de trabalhar ao lado de grandes jogadores como Loco Abreu, Lúcio Flávio e Marcelo Mattos. O técnico era Joel Santana”, recordou.

Como as negociações entre Madureira e Botafogo não deram certo, Kaká não foi promovido na equipe alvinegra.

“Era a oportunidade que eu queria de jogar a Série A e aparecer bem no Brasil. Fiquei decepcionado por não ter estreado como profissional. Foi um clube que me tratou muito bem e gostavam muito de mim”, contou.

De volta ao Tricolor Suburbano, Kaká foi emprestado para o profissional da Cabofriense para jogar o Campeonato Carioca.

Portugal

Logo depois do Estadual, veio a chance de jogar pelo Torrense, clube da terceira divisão de Portugal à época.

“Eu aceitei e vim para Portugal quando era novo, estava com 19 para 20 anos. Sempre tive o sonho de jogar na Europa, então eu não pensei duas vezes quando tive essa oportunidade. Os diretores desse clube estavam gostando de me ver jogar e me fizeram uma proposta boa. A adaptação foi tranquila porque a língua é a mesma”, disse.

Com uma carreira desenvolvida no Brasil, Kaká sentiu que o futebol europeu exigiria mais de sua preparação física.

“Algumas coisas mudaram no estilo de jogo. É um pouco diferente do Brasil, um jogo mais rápido, mais físico e mais intenso. Estava jogando o campeonato carioca, com um futebol técnico, lento e mais pausado", contou.

Após três temporadas e mais de 60 jogos pelo Torreense, o brasileiro passou pelo Mafra e pela Acadêmica antes de chegar ao Nacional, da Ilha da Madeira.

"É um lugar muito lindo e turístico. Pessoas de toda Europa vem visitar aqui. Estou gostando bastante daqui".

Desde então, o brasileiro viu de perto a paixão das pessoas da região pelo filho mais ilustre: Cristiano Ronaldo.

"Aqui tem muitas coisas que lembram ele, muitas publicidades e todo mundo adora o Cristiano. Eu moro perto do museu dele. Ele tem um um hotel que fica na Marina. Um dos campos do meu Centro de Treinamento se chama 'Ronaldo'. É muito gratificante estar no lugar onde ele começou, de onde ele é e conhecer toda sua história. É uma referência no mundo do futebol", contou o jogador.

Mesmo atuando no meio-campo, Kaká já soma 18 gols no país de Cristiano Ronaldo, e nesta temporada terá a chance de enfrentar as potências Porto, Benfica e Sporting.

"Tenho uma expectativa muio grande nesta temporada. Já joguei muitas taças contra as grandes equipes e agora terei essa chance de jogar pela Liga Portuguesa. Temos jogadores que permaneceram no elenco. Estou muito motivado e querendo me destacar tanto na parte coletiva quando na individual", finalizou.