Douglas foi oficialmente confirmado como jogador do Corinthians e já esteve na Arena nesta quarta-feira e acompanhou a vitória por 2 a 0 sobre o Botafogo. A tendência é que o volante se junte ao elenco a partir da próxima semana, em mais um capítulo de uma vida cheia de história.
O ex-jogador do Fluminense tem apenas 21 anos, só que não lhe faltam experiências. Na vida, começou trabalhando consertando ar condicionado com o pai. No futebol, já foi dispensado por engano, se destacou com a camisa tricolor e precisou superar uma rara doença.
"Meu pai trabalhava com refrigeração, então eu o ajudava quando precisava. Eu era uma espécie de faz tudo, ele me dava 20 'pratas', que na época era muito dinheiro para mim. Conseguia comprar as coisas de garoto e voltava todo feliz para casa. Ele é o cara mais 'fera' que conheço, devo tudo ao meu pai", relembrou Douglas, em entrevista ao ESPN.com.br em 2016.
A declaração foi dada um ano antes de o volante viver um dos maiores dramas de sua até aqui curta carreira, quando teve diagnosticada uma artrite reativa, problema que causa dores nas articulações. Foram três meses sem jogar, muito sofrimento e emoção no retorno.
O problema começou a incomodar Douglas no início de 2017, depois de um jogo do Campeonato Carioca. No dia seguinte, o meio-campista relatou dificuldades para andar. Até então, a doença não o impedia de jogar, mas as dores eram sempre constantes.
Depois de um clássico contra o Vasco, no entanto, na terceira rodada do Brasileiro de 2017, o volante foi afastado. Passou a realizar um tratamento específico, que incluiu medicamentos importados dos Estados Unidos, com injeções semanais que custavam até R$ 9 mil.
Não por acaso, quando recebeu a liberação para retornar, Douglas se emocionou. “O que eu passei, não quero que ninguém passe. Foi uma situação muito difícil, eu achava que não ia voltar a jogar bola”, contou, em entrevista coletiva no último mês de setembro.
Do lado de Douglas, na ocasião, estava o “xará” Douglas Santos, coordenador médico do Fluminense, um dos responsáveis por tratar o problema e que reconheceu não conhecer outro caso do tipo em jogadores de futebol. Em relação ao reforço do Corinthians, só elogios.
“Ele foi persistente. Olhar para ele no dia seguinte ao jogo dava pena. Porque as articulações inchavam e ficavam vermelhas. E agora não está sentindo mais nada”, disse na ocasião.
Entre o trabalho com o pai com ar condicionado e o Fluminense, Douglas passou pelo Vasco, onde chegou a ser dispensado por engano, e também Botafogo, se dividindo entre o futsal e o campo.
“Comecei na escolinha Meninos da Paz, na Ilha do Governador. Aí me destaquei e pediram para eu fazer um teste no Vasco. Fomos eu e meu primo. Meu primo ficou, e eu fui dispensado. Aí o treinador viu que estava errado, dispensou o cara errado. Robson, o nome do professor. Esse cara foi muito importante na minha vida, uma bênção, porque ele me deixou no Vasco e de lá a gente foi para o salão do Botafogo, e depois para o Clube da Light, até chegarmos ao Fluminense. Devo muito ao professor Robson, porque para onde ele ia, ele me levava, ele apostou no meu potencial.”
“O momento mais difícil foi quando minha família não tinha dinheiro suficiente para que eu fosse aos treinos. Quando dava, meu pai ficava trabalhando, e eu e minha mãe, Elenir, pegávamos ônibus para cima e para baixo porque treinava salão e campo ao mesmo tempo. Chegávamos em casa quase de madrugada, depois de passar por lugares perigosos.”
Por ser tratado como uma joia da base, Douglas chegou a despertar interesse de clubes da Europa como PSV Eidhoven, da Holanda, e Shakhtar, da Ucrânia. O Fluminense, porém, recusou as duas ofertas. No meio deste ano, o time carioca aceitou negociar o volante com o Corinthians.
