Ele é campeão do mundo, o segundo que mais vestiu a camisa azul na história e o maior artilheiro da seleção da França. Mas nesta terça-feira estará do outro lado, com as cores da Bélgica, como um inimigo francês. Um inimigo íntimo, mas um inimigo.
Thierry Henry definitivamente será um personagem à parte na primeira semifinal da Copa do Mundo.
“Vai ser um pouco estranho ver ele com a Bélgica. Mas esse é o trabalho dele, como construiu a carreira dele. Antes de mais nada ele continua francês, com momentos incríveis com a camisa azul. Ele deixou uma marca, mas sabemos que ele vai estar com a Bélgica e dar o máximo pelo time dele”, disse Lloris, capitão francês e ex-companheiro de Henry na seleção.
A palavra “estranho” apareceu outras vezes na boca dos franceses.
“Sim, é estranho porque ele é francês e estará do outro lado”, disse o técnico Didier Deschamps, campeão do mundo em 1998 ao lado de Henry na seleção francesa. “Estou feliz por ele. É uma situação difícil até para ele. Ele vai estar no banco e vai enfrentar o seu país. Mas ele sabia que isso poderia acontecer”, completa.
“Eu preferiria tê-lo conosco, dando conselhos para gente. Ficarei orgulhoso de mostrar que ele escolheu o lado errado. Vai ser estranho tê-lo contra a gente”, complementa Giroud.
Mas “escolher” definitivamente não é o verbo adequado para definir a situação. A verdade é que a Federação Francesa não quis Henry. E o atacante até teria se sentido meio deixado de lado, principalmente por não ter recebido o apoio que esperava dos torcedores de seu país em 2010, quando marcou com a mão o gol que classificou os Bleus à Copa e acabou criticado pelo mundo todo – até mesmo dentro da França.
“Perdemos contato com ele. A vida é assim. Ele está na Inglaterra há muito tempo e perdeu contato com a Federação Francesa. Eu pessoalmente tenho pouco contato com ele”, admite Noel Le Graet, presidente da Federação Francesa.
Sorte da Bélgica!
Henry foi convidado para fazer parte da comissão técnica belga em 2016, quando Roberto Martínez foi contratado. Virou uma espécie de treinador dos atacantes. Mas tem um trabalho muito maior que esse!
“Thierry algo que não tínhamos: experiência interncional. O know-how de alguém que ganhou a Copa do Mundo, que sabe como se sentir quando tem que performar sob os olhos do mundo todo. Henry trouxe isso, trouxe a calma, o entendimento de como jogar, de como enfrentar o desconhecido. Ele tem atenção aos detalhes, também é um treinador, tenta ajudar todos os jogadores no dia a dia. Ele era uma peça importante que faltava à comissão técnica”, elogia Martínez.
Por isso, a Bélgica pouco se importa em como serão as reações à Henry nesta terça.
“Ele não falou o que vai fazer. Talvez cante a Marselhesa, o que para mim é normal. Pode ser um pouco difícil para ele, mas agora ele trabalha para a Bélgica e vai querer ganhar. Esse é o trabalho dele, isso é futebol”, diz De Bruyne.
Mas o mundo estará de olho. E Henry terá motivos para comemorar qualquer que seja o resultado.
França e Bélgica se enfrentam às 15h (de Brasília) desta terça-feira pela primeira semifinal da Copa do Mundo, em São Petersburgo. Inglaterra e Croácia se enfrentam na outra sem, na quarta, no mesmo horário, mas em Moscou.
