Todo mundo sabe que a equipe espanhola ama a bola. Quer sempre estar com ela e o mais perto possível do gol adversário. E, por meio da manutenção e paciência com essa posse, busca criar chances de gol mais claras: foram 35 até agora. É um estilo de jogo já conhecido e que se traduz nos números dessa Copa do Mundo.
Qual a seleção que mais surpreendeu nessa fase de grupos? A resposta de muita gente é Rússia. E com razão.
A equipe anfitriã foi uma agradável surpresa no certame e, a despeito do nível técnico do grupo em que esteve, mostrou bons recursos para desenvolver o futebol que se propôs a jogar. Poucas ações com a bola no pé, muito contato físico - resultando em desarmes e recuperações de posse – e alta eficiência para chegar no gol adversário. Vamos aos números:
Nesse contexto, um destaque individual nessa seleção russa é Zobnin. O volante se mostrou essencial para a estratégia da Rússia. Ele é o terceiro maior recuperador de posse entre os jogadores que estarão nas oitavas e o segundo jogador que mais desarma, junto a nomes como Kanté e Casemiro.
Drama. Tango argentino puro. Assim foi a primeira fase da Copa para a Albiceleste. Mas, em meio ao caos da seleção hermana – que é apenas a ponta do iceberg da bagunça em que se encontra o futebol argentino – surgiu uma ponta de esperança, que foi essencial quando esteve em campo. Não, não vamos chover no molhado e dizer que trata-se de Lionel Messi. O destaque aqui chama-se Éver Banega.
O meio-campista que joga pelo Sevilla não atuou na acachapante derrota por 3 a 0 contra a Croácia, mas quando esteve campo, mostrou serviço.
Recebeu uma média de um passe por minuto e completou um passe por minuto. Ambas são as melhores marcas individuais no elenco da Argentina nessa Copa. O jogo passou pelos pés de Banega. Quer mais? Em dois jogos acertou em média 21,5 passes em direção ao terço de ataque, segunda melhor marca na equipe. Além disso, conseguiu a marca de 1,5 chance criada por jogo, terceira melhor na equipe.
Vale lembrar que a bola magistral para o gol de Messi contra a Nigéria, foi dele. Os números falam, basta saber colocá-los.
Um homem. Uma máquina. A referência da seleção portuguesa claramente é Cristiano Ronaldo. O ‘robozão’ é de longe o jogador que mais arrisca pelos lusitanos. Ele tem fome e está sendo alimentado. João Moutinho, William Carvalho e João Mário, são os jogadores que mais acionam o craque e são peças fundamentais para que CR7 continue fazendo o que faz de melhor: Gols.
Além da defesa de alto nível que tem apresentado nesta Copa, com nomes como Godín, Giménez e Coates, a Celeste Olímpica se destaca também na forma em como marcou seus gols. A bola parada, que tem ajudado tantas equipes nesta edição do mundial, tem beneficiado bem mais o Uruguai. Todos os gols saíram desta forma.
Se coletivamente a França não encheu os olhos, uma individualidade em particular brilhou nos três primeiros jogos. Ngolo Kanté é um motor em campo e não cansa de mostrar isso com atuações consistentes e estatísticas gritantes. Ele constrói na mesma proporção que destrói. O jogo dos Bleus passa, quase que obrigatoriamente, pelos pés do volante do Chelsea.
É o jogador do elenco que mais recebeu passes, com 139 e o segundo que mais acertou passes, com 170 passes completos.
Com 29 recuperações de bola e 10 interceptações, Kanté lidera ambos os quesitos e coloca a França como a segunda seleção dentre as classificadas que mais retoma a posse no terço intermediário do campo.
A Dinamarca foi a seleção que precisou marcar menos gols para avançar para as oitavas; foram dois tentos, um contra o Peru e um contra a Austrália. Ambos com participação adivinha de quem? Eriksen, claro! O meia do Tottenham é claramente a referência técnica dos campeões europeus de 98, mas o foco não será ele.
O estilo de jogo dinamarquês mostrou ser defensivo e vertical quando se tem a possibilidade. Essa foi a tônica, por exemplo, da vitória contra o Peru. Além disso, eles se valem do fato de ter a maior média de estatura da Copa e tem um ponto forte pelo alto, sendo a seleção que mais venceu disputas aéreas, com 153.
A melhor seleção da Copa até agora? Talvez. Certo é que a Croácia tem feito ótimas atuações nessa edição do mundial e com muita contribuição daquele que é, talvez, o melhor jogador do certame: Luka Modric. Entretanto, ele não está sozinho... ainda bem, por que quem ganha é o futebol.
As referências técnicas da equipe europeia estão em Modric e Rakitic, que podem ocupar diferentes posições nesse meio-campo dinâmico que tem a Croácia. Podemos ver isso comparando as partidas contra Nigéria e Argentina, por exemplo.
Por tal motivo, a Croácia é a seleção que mais criou chances de gol a partir do terço central do campo, com 8 chances criadas. Nesse quesito, aliás, a dupla que atua em LaLiga lidera o ranking do elenco: Modric criou 6 chances e Rakitic, 5.
Quem disse que a Suécia era só Ibrahimovic? O narigudo se aposentou da seleção nórdica, mas parece que não anda fazendo falta por lá. O futebol sueco está longe de ser “vistoso”, mas funciona e agora está nas oitavas de final da Copa da Rússia.
A força defensiva e a objetividade em busca do gol são as características que mais valem ressaltar na campanha da Suécia até aqui. É a equipe entre as 16 classificadas com menor posse de bola (37,8%), menor número de ações com bola (1431) e a que mais faz passes para frente (42,8%), o que demonstra a busca pela finalização com menos bola trabalhada.
A questão de proteção à área é presente no jogo sueco, o que leva a seleção a ser a que mais rebate bolas (87) e mais bloqueia chutes (19), muito disso por meio dos zagueiros Lustig e Granqvist.
Todo mundo já está cansado de ouvir que o lado esquerdo do Brasil é o mais criativo. Todo mundo já sabe que as principais individualidades estão por ali, onde temos muitas associações entre Coutinho, Neymar e Marcelo. Mas e aí? Onde mais nossa seleção se destaca? O que temos feito de bom nessa campanha até aqui? A resposta é: a “fome” pela bola. E nessa busca pela pelota, duas peças tem se destacado bastante: Casemiro e Thiago Silva. Eles contribuem para que o Brasil seja a seleção das oitavas que tem mais efetividade nos desarmes, com 50% de aproveitamento.
Com a contribuição desses três jogadores presentes no Top 7 de posse reavida, o Brasil é a seleção que mais retomou a bola na Copa do Mundo, 166 vezes. Isso também influencia na quantidade de oportunidades que nossa seleção cedeu aos adversários. Alisson foi muito pouco exigido. Na realidade, o Brasil foi a equipe que menos sofreu com chutes no gol, que ocorreram apenas 4 vezes.
O Brasil é, notadamente, uma equipe que busca fechar espaços desde o terço de ataque, mas a efetividade defensiva vem dos desarmes feitos no próprio campo de defesa, geralmente em espaços mais próximos à meia cancha. Com 54,8% de aproveitamento nos desarmes nessa região do campo, a construção de jogadas passa a ser mais tranquila. Uma boa defesa garante um bom jogo. Bem ao estilo Tite.
Um time imprevisível, ao estilo do ‘Profe’. Apesar dos espaços que cede, a equipe mexicana abusa de sua velocidade e criatividade para colocar quem enfrenta em maus lençóis. Foi assim, por exemplo, contra a Alemanha, onde contra-ataques agudos deram a tônica da partida mexicana.
Ferrolho? Não mais! A Suíça mostrou ser um adversário duro quando enfrentou a seleção brasileira, mas não é mais o que conhecíamos como ‘Ferrolho Suíço’. Desde a Copa de 2010, na África do Sul, a seleção europeia tem demonstrado evolução com as bolas no pé, mas sem deixar de lado a disciplina defensiva que tanto caracterizou o futebol suíço. Nesse ano, por exemplo, a Suíça conta com jogadores reconhecidos em grandes ligas, como Xhaka e Shaqiri, autores dos gols na vitória contra a Sérvia. Abaixo, alguns números da “evolução vermelha”:
Eis a seleção sensação da Copa de 2018. Todos querem ver o futebol desenvolto que levou os ‘Diables Rouges’ a ter a melhor campanha da primeira fase do torneio. É uma equipe que trabalha bem a bola, não como a Espanha, que gira bastante em busca de espaços, mas com uma pitada de objetividade para buscar a conclusão a gol, o que faz com que a Bélgica seja uma das equipes classificadas precisam de menos passes para marcar.
Com Yannick Carrasco e Meunier alargando o campo, os belgas desenvolvem seu futebol por dentro, com associações entre Witsel, De Bruyne, Eden Hazard e Mertens. Até por isso, a Bélgica tem quase 50% das chances que criou vindas do corredor central do campo. E não podemos nos esquecer, é claro, do matador Lukaku, um dos homens mais letais dessa Copa. Essa é certamente uma equipe para ficar de olho.
A seleção japonesa é, talvez, a classificada que menos empolgou. Avançou para as oitavas debaixo de vaias após uma partida burocrática contra a já eliminada Polônia. Ainda assim, os samurais tem em seu elenco uma peça de extrema importância, que não ganha os holofotes como Kagawa ou Honda, mas que desempenha seu trabalho com grande competência.
Trata-se de Gaku Shibasaki, volante que, além de destruir as jogadas dos adversários, também comanda a criação de chances da equipe asiática na Copa. Será o suficiente para frear “a ótima geração belga”?
Não entremos no mérito do nível dos adversários que a Inglaterra enfrentou no Grupo G. A eficiência do ataque dos “três leões” é absurda nessa Copa. Muito disso passa por Harry Kane, que faz na seleção o que já cansamos de vê-lo fazer pelo Tottenham na Premier League. É praticamente um gol a cada chute. Não à toa o homem é o artilheiro da Copa. Quem para esse Furacão?
A seleção comandada há seis anos por José Pekerman tem seus pilares criativos em três jogadores muito habilidosos. Quintero, Cuadrado e James Rodrígues criaram, juntos, 12 das 16 chances de gol da Colômbia durante a fase de grupos. A lesão de James preocupa, mas Cuadrado e, principalmente, Quintero, podem dar conta do recado.
