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Jorge Sampaoli, técnico a Argentina, já sofreu com calotes e precisou morar de favor com meia brasileiro

Jorge Sampaoli comanda um verdadeiro barril de pólvora na Argentina, que passou para as oitavas de final da Copa do Mundo de forma dramática. Para superar a poderosa França, neste sábado, o técnico precisará administrar uma crise com o elenco albiceleste.

Contornar situações difíceis é algo que o argentino está acostumado desde o começo de carreira. Em 2002, ele treinava o Juan Aurich, do Peru, que passava por problemas financeiros e precisou da ajuda de um brasileiro para não passar por apuros.

"Quando o clube trocou de presidente eles pararam de pagar o hotel onde ele se hospedava. E não tendo para onde ir, ofereci minha casa pra ele ficar, visto que tínhamos dois quartos a mais. Ele ficou por lá comigo alguns dias", contou o Rafael Bondi, ex-meia do time peruano, ao ESPN.com.br.

"Infelizmente ele foi mandado embora na metade da temporada porque o presidente que chegou trouxe o treinador dele. Mas o time terminou em quarto lugar. Era um time pequeno, e para a cidade foi um grande resultado".

Para seu lugar foi trazido o experiente Vito Andrés Bártoli, argentino que tinha 73 anos à época. Depois de ser sair da equipe, Sampaoli foi contratado na mesma temporada para o Sport Boys Callao, que também estava na elite do Campeonato Peruano.

Depois disso, ele passou por Bolognesi-PER, Sporting Cristal-PER, O´Higgins - CHI, Emelec-QUE, Universidad-CHI, seleção chilena e Sevilla antes de comandar a Argentina.

Apaixonado por tática e exigente

Nos cinco meses em que trabalhou com Sampaoli, Rafael Bondi notou o potencial do argentino para comandar equipes.

"Ele era muito preparado. Já se via que ele tinha algo a mais. Vejo esses treinos que fazem hoje em dia e ele já fazia isso há 15 anos. Ele fazia treinamento em três períodos. A gente acordava 6h30 para fazer academia, depois a gente tomava café da manhã e íamos correr na praia", contou.

O técnico não dava moleza para seus comandados e cobrava a mesma dedicação que ele tinha pelo futebol.

"Ele era muito exigente e taticamente muito preparado. O trabalho no campo dele era anos à frente dos outros. Trabalhava cada setor separado e depois quando a gente ia fazer as coisas, cada um sabia exatamente aquilo que deveria fazer", explicou.

Mesmo assim, o lado humano do treinador cativou o elenco do Juan Aurich.

"Ele conversava muito com os jogadores. Era um cara muito aberto e tinha um ótimo relacionamento com todos. Obviamente, era muito exigente e se não fizesse o que ele queria não jogava".

Rafael conta que a influência de Sampaoli foi muito grande no rumo de sua carreira.

"Fiquei impressionado com o conhecimento de futebol que ele tinha. Eu era atacante e ele me mudou de posição para meia aberto pelo lado do campo. Depois, joguei 15 anos profissionalmente naquela posição que ele achou pra mim".

Brincadeiras com Brasil x Argentina

Mesmo com amizade criada no período de convivência, as brincadeiras com a rivalidade entre Brasil e Argentina eram constantes.

"Sendo argentino, ele brincava que éramos "pecho frio", que quando chegava na hora de decisão pipocávamos. Eu dizia que tínhamos cinco títulos mundiais e a discussão acabava (risos)".

"Ele falava que o Maradona é melhor que o Pelé, daí começava o debate. Mas ele sempre ficou encantado com o talento dos brasileiros".

Rafael Bondi também presenciou o lado generoso do atual comandante do Sevilla. "Teve uma vez que fomos jogar em Lima contra o Allianza Lima e fomos de avião e um ônibus levava as nossas coisas. O ônibus quebrou, ficamos sem chuteiras e ele fez o presidente comprar chuteiras para todo mundo".

Pouco tempo depois da saída de Sampaoli do Juan Aurich, Bondi foi para a Salernitana-ITA e construiu toda sua carreira no futebol italiano. Mesmo assim, o ex-meia de 36 anos não esqueceu do seu antigo treinador.

"A última vez que o vi eu no aeroporto quando eu estava vindo para a Itália e ele treinava o Sport Boys. Nós conversamos um pouco e nos despedimos. Ele é um cara muito gente boa e tem uma grande vontade de vencer. Isso faz muita diferença", finalizou.