Jorge Sampaoli comanda um verdadeiro barril de pólvora na Argentina, que passou para as oitavas de final da Copa do Mundo de forma dramática. Para superar a poderosa França, neste sábado, o técnico precisará administrar uma crise com o elenco albiceleste.
"Quando o clube trocou de presidente eles pararam de pagar o hotel onde ele se hospedava. E não tendo para onde ir, ofereci minha casa pra ele ficar, visto que tínhamos dois quartos a mais. Ele ficou por lá comigo alguns dias", contou o Rafael Bondi, ex-meia do time peruano, ao ESPN.com.br.
"Infelizmente ele foi mandado embora na metade da temporada porque o presidente que chegou trouxe o treinador dele. Mas o time terminou em quarto lugar. Era um time pequeno, e para a cidade foi um grande resultado".
Para seu lugar foi trazido o experiente Vito Andrés Bártoli, argentino que tinha 73 anos à época. Depois de ser sair da equipe, Sampaoli foi contratado na mesma temporada para o Sport Boys Callao, que também estava na elite do Campeonato Peruano.
Depois disso, ele passou por Bolognesi-PER, Sporting Cristal-PER, O´Higgins - CHI, Emelec-QUE, Universidad-CHI, seleção chilena e Sevilla antes de comandar a Argentina.
Apaixonado por tática e exigente
Nos cinco meses em que trabalhou com Sampaoli, Rafael Bondi notou o potencial do argentino para comandar equipes.
"Ele era muito preparado. Já se via que ele tinha algo a mais. Vejo esses treinos que fazem hoje em dia e ele já fazia isso há 15 anos. Ele fazia treinamento em três períodos. A gente acordava 6h30 para fazer academia, depois a gente tomava café da manhã e íamos correr na praia", contou.
O técnico não dava moleza para seus comandados e cobrava a mesma dedicação que ele tinha pelo futebol.
"Ele era muito exigente e taticamente muito preparado. O trabalho no campo dele era anos à frente dos outros. Trabalhava cada setor separado e depois quando a gente ia fazer as coisas, cada um sabia exatamente aquilo que deveria fazer", explicou.
Mesmo assim, o lado humano do treinador cativou o elenco do Juan Aurich.
"Ele conversava muito com os jogadores. Era um cara muito aberto e tinha um ótimo relacionamento com todos. Obviamente, era muito exigente e se não fizesse o que ele queria não jogava".
Rafael conta que a influência de Sampaoli foi muito grande no rumo de sua carreira.
"Fiquei impressionado com o conhecimento de futebol que ele tinha. Eu era atacante e ele me mudou de posição para meia aberto pelo lado do campo. Depois, joguei 15 anos profissionalmente naquela posição que ele achou pra mim".
Brincadeiras com Brasil x Argentina
Mesmo com amizade criada no período de convivência, as brincadeiras com a rivalidade entre Brasil e Argentina eram constantes.
"Sendo argentino, ele brincava que éramos "pecho frio", que quando chegava na hora de decisão pipocávamos. Eu dizia que tínhamos cinco títulos mundiais e a discussão acabava (risos)".
"Ele falava que o Maradona é melhor que o Pelé, daí começava o debate. Mas ele sempre ficou encantado com o talento dos brasileiros".
Rafael Bondi também presenciou o lado generoso do atual comandante do Sevilla. "Teve uma vez que fomos jogar em Lima contra o Allianza Lima e fomos de avião e um ônibus levava as nossas coisas. O ônibus quebrou, ficamos sem chuteiras e ele fez o presidente comprar chuteiras para todo mundo".
Pouco tempo depois da saída de Sampaoli do Juan Aurich, Bondi foi para a Salernitana-ITA e construiu toda sua carreira no futebol italiano. Mesmo assim, o ex-meia de 36 anos não esqueceu do seu antigo treinador.
"A última vez que o vi eu no aeroporto quando eu estava vindo para a Itália e ele treinava o Sport Boys. Nós conversamos um pouco e nos despedimos. Ele é um cara muito gente boa e tem uma grande vontade de vencer. Isso faz muita diferença", finalizou.
