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O "bombeiro" que coloca fogo: quem é o comentarista que deixa Argentina à beira de um ataque de nervos

Um jogador mediano – sendo bondoso na análise -, um técnico sem conquistas e mais famoso por suas façanhas contra o rebaixamento, o que lhe rendeu o apelido de "bombero". Ricardo Caruso Lombardi está longe de ser famoso por ter sido um grande atleta, ou um treinador vitorioso. Mas, o agora comentarista, graças à sua língua afiada, colocou ainda mais fogo na fogueira da já conturbada campanha da seleção argentina na Copa do Mundo da Rússia.

Torcedor fanático do Estudiantes, ele já foi protagonista de uma série de polêmicas, como invadir o parlamento argentino para discutir seu futuro no clube com o presidente senador, ou ao ser acusado de cobrar para escalar jogador.

Há, também, fatos inusitados na vida do comentarista, que não dirige nenhum clube desde que o Tigre, no ano passado. Por exemplo, ele já ganhou TVs de presente de um ex-presidente argentino, com direito a chegada triunfal de helicóptero do político em pleno gramado, e já bateu boca com um jogador do próprio time no Twitter.

O fato é que Caruso nunca mediu palavras por onde passou. Muito menos como comentarista, cargo que ocupa atualmente no programa "Estamos Motivados", da La 990 Rádio. A trajetória argentina na Copa fez com que a língua estivesse ainda mais afiada, ganhando audiência e repercussão. Nos últimos dias, um vídeo dele se tornou viral em grupos de WhatsApp e nas mídias sociais, no qual, aparentemente sem saber que estava sendo filmado, relatava uma briga entre Mascherano e Pavón depois da derrota para a Croácia. Criticou até os campeões do mundo de 1986, os chamando de "pelotuditos", algo como "idiotas", em uma tradução educada.

A Argentina oscila na Rússia e corre risco de ser eliminada na primeira fase. Em meio à crise, Caruso se tornou um comentarista capaz de transformar fagulha em explosão, aumentando a pressão e colocando o elenco argentino à beira de um ataque de nervos.

Conheça um pouco do "bombero" que tem colocado fogo na Argentina:

Carreira

Jogava como volante e atuou na primeira divisão em apenas uma temporada, pelo Atlanta, em 1984. Foram 11 anos como jogador, entre 1981 e 1992, estreando como técnico em 1994. Os três títulos – 1 como jogador, pelo Deportivo Italiano, em 1985–1986, 2 como técnico, Deportivo Italiano, 1995–1996, e Tigre, 2004–2005 – foram da Primera B Metropolitana, espécie de terceira divisão da Argentina.

Altura

Gosta de jogadores altos. É isso.

Hincha

Não importa se está comandando um outro clube: Caruso sempre usa uma corrente com o escudo do Estudiantes, seu time do coração. Curiosamente, sempre que enfrentou a equipe de La Plata, foi ovacionado pelos torcedores.

Bombeiro

Um dos apelidos de Caruso é "Bombero del descenso", pelo seu histórico de salvar times do rebaixamento. São sete exemplos: Argentinos Juniors (2007), Newell's Old Boys (2008), Racing Club (2009), San Lorenzo de Almagro (2012), novamente Argentinos Juniors (2013), Quilmes (2014) e Sarmiento de Junín (2016).

Brigas

Quando estava no comando do San Lorenzo, Caruso brigou no meio da rua com Fabian Garcia, um dos auxiliares de seu antecessor no cargo. Parte do entrevero foi mostrada em rede nacional, sem que ninguém tivesse acertado ninguém, contudo.

Outro comandante que entrou em atrito com o hoje comentarista foi Omar Asad, conhecido como 'El Turco Asad'. Ambos técnicos discutiram no meio de uma partida e Caruso acusou Asad de ser um viciado em cocaína.

Indicado por Dios

Em 2007, dirigiu pela primeira vez um time da primeira divisão, o Argentinos Juniors. Foi indicado ao cargo por Diego Maradona.

Helicóptero e TVs de presente

Foi em junho de 2009 que o então presidente Néstor Kirchner prometeu ao elenco do Racing que, se o time vencesse o Boca Juniors, daria 4 TVs de plasma de presente aos jogadores. A vitória por 3 a 0 do time comandado por Caruso fez com que o chefe de Estado descesse de helicóptero no campo auxiliar de treinamento da equipe, acompanhado de 4 TVs de 32 polegadas. "Sofro mais com futebol do que com política", disse Kirchner. E o presente foi dado.

Invasão ao Senado

Imagine um técnico de futebol ir ao Senado para bater um papo com o presidente de seu clube? Foi o que aconteceu com Caruso em 2012. Bom, a história toda tem um roteiro de filme pastelão.

O San Lorenzo queria Caruso, então no comando do Quilmes, mas anunciou Reinaldo Merlo como técnico. Caruso, então, foi conversar com o presidente de seu clube, para Anibal Fernández, para negociar a liberação. O detalhe é que, além de dirigente, Fernández era senador. Assim, o técnico foi ao Senado para convencer o cartola / político. E deu certo: ele acertou a saída do Quimes e fechou com o San Lorenzo, o mesmo San Lorenzo que havia, pouco antes, anunciado Merlo como treinador.

Comandando na Copa-2018?

Poderia estar na Copa de 2018? Talvez. Em 2014, teve seu nome sondado pelo Panamá para comandar a seleção, mas declinou da oferta.

Propina?

Em espanhol, a palavra "propina" quer dizer gorjeta. Mas vamos usar o termo em português mesmo. Em 2012, Caruso foi acusado pelo lateral Juan Angulo Villegas de ter pedido dinheiro ao seu representante para que fosse escalado. "Se vem um jogador e me acusa de pedir dinheiro, saio do país."

Batendo boca no Twitter

Já bateu boca com jogador do próprio time que era técnico. Em outubro do ano passado, quando comandava o Tigres, rebateu o post de Matías Pérez García, que comentava no Twitter o fato de não ter sido escalado para a partida contra o Racing. "Para estar na lista tem que trabalhar sempre, não às vezes ou quando tem vontade. Isso é consciência e faz a diferença. Abraço", disse o treinador, na mesma rede social, mensagem que foi apagada horas depois.

Ex-zagueiro do Boca Juniors e do Grêmio, Schiavi criticou Caruso também pelo Twitter e o treinador disse que "quebraria o zagueiro no meio."

Mascherano

Caruso, em um vídeo que viralizou no WhatsApp, nas mídias sociais e ganhou as manchetes da imprensa, disse que uma briga aconteceu depois da derrota da Argentina para a Croácia. Mascherano teria cobrado Caballero pela falha no primeiro gol, e Pavón teria saído em defesa do goleiro, indo para cima do capitão e iniciando uma confusão. O ex-jogador do Barcelona, em entrevista coletiva neste domingo, criticou abertamente o comentarista. "Um técnico que nefasto para todo o futebol argentino."

Os campeões idiotas

No programa "Polémica en el Bar" deste domingo, o comentarista usou sua língua afiada contra os campeões de 1986, último título mundial da Argentina. "Eles acham que são os donos da verdade, como os de 86, que são uns 'pelotuditos' (idiotas, em tradução livre) que querem conquistar os técnicos, os jogadores, a seleção nacional". A resposta de Nery Pumpido, goleiro daquela Copa, veio via Twitter.

O time contra a Nigéria

Caruso já escalou, sem Caballero, Meza e Aguero: "Armani; Mercado, Otamendi, Fazio e Tagliafico; Enzo Pérez, Mascherano e Acuña; Messi, Dybala e Higuaín", disse, à ESPN.

"Bombero"?

Qual será o próximo incêndio que Caruso vai apagar, ou melhor, explodir?