Neste domingo, às 12h (de Brasília), em Ecaterimburgo, o Japão jogará diante do Senegal buscando uma vitória que o classificará às oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia. Para isso, os asiáticos contarão mais uma vez com um meio-campista que é sério dentro de campo, mas, fora dele, é um dos maiores "zoeiros" do futebol.
Camisa 10 da seleção nipônica, Shinji Kagawa é diferente do estereótipo atribuído à cultura japonesa, de ser mais fechado ou mais quieto. Prova disso é seu apreço pelos brasileiros, com quem costumava sempre conversar e brincar.
"Era bem extrovertido e brincalhão e estava sempre rodeado de brasileiros no clube e interagindo. Mesmo com a cultura dos japoneses sendo diferente. Eu ganhei dele uma camisa de presente da seleção brasileira quando o Kagawa foi convocado pela seleção japonesa", conta o volante Germano, ex-Santos, que atuou com o meia no Cerezo Osaka-JAP, em entrevista à ESPN.
Junto com os "brazucas" e, principalmente, seus amigos japoneses, Kagawa curte participar de pequenas festas regadas ao bom e velho karaokê. Em sua conta oficial do Instagram, inclusive, o jogador do Borussia Dortmund constantemente posta vídeos mostrando seus (lá não muito grandes) dotes musicais.
"Curioso que várias vezes ele chegava ao clube cantando alguma coisa quase todos os dias. Mas faz tanto tempo que sinceramente não lembro se ele era bom cantor (risos). Era um tirador de sarro", brinca Germano.
E, claro, que não poderia faltar aquela cerveja para completar...
Seu gosto pela bebida alcoólica fermentada, aliás, lhe abriu caminho até para o ramo da atuação. Quando jogava pelo Manchester United, entre 2012 e 2014, Kagawa foi contratado pela Kirin para estrelar um comercial da sexta maior companhia cervejeira do mundo.
"É muito extrovertido. Não é de beber muito, mas sempre gostou de cerveja. Ele ficava doidinho muito rápido e ficava dançando e a gente rachava o bico com ele (risos). Agora ele deve ser a 'menina dos olhos' das propagandas das empresas ainda mais em ano de Copa (risos)", comenta o zagueiro Felipe Santana, ex-Dortmund, também em entrevista à ESPN.
"Ele era bom de interagir com os colegas da equipe. Curioso que quando ele chegou ao Borussia ele andava com tradutor pra cima e pra baixo, mas não falava inglês. Depois, aprendeu a falar. É muito amigo do Gündogan na época de Dortmund. Éramos todos jovens e ficávamos no vestiários depois dos treinos dando risada e brincando", rememora.
Descoberto por brasileiro na segundona
Revelado aos 18 anos de idade, quando disputava a segunda divisão japonesa pelo Cerezo Osaka, Kagawa já demonstrava desde muito cedo que poderia ser um meio-campista diferenciado.
Quem o "lapidou", na realidade, foi um treinador muito conhecido no Brasil: Levir Culpi, ex-Atlético-MG, Palmeiras, Santos, Fluminense, entre outros.
"Eu o puxei em 2007 do time sub-18. Era volante, mas tinha uma capacidade tão grande de correr o campo todo e se aproximar do ataque que decidi transformá-lo em meia. O Shinji tem uma resistência fora do normal. Ele me lembra o Dirceu, o Dirceuzinho, com quem joguei no Coritiba. O Dirceu foi o jogador de melhor condição física da história da seleção. Fazia 3.800 metros em 12 minutos. O Kagawa é assim. Corre o campo inteiro. Não dá para marcá-lo", contou à ESPN o técnico, em entrevista concedida em 2013.
"O Kagawa era bem novo ainda. Dava pra ver que ele tinha muito talento mesmo e se destacava pela criatividade, drible fácil e fazer algo diferente, no improviso. Ele não seguia o que era pré-determinado. É um atleta diferenciado, muito disciplinado nos treinos. O Levir dava total liberdade pro Kagawa criar e finalizar. Dava pra ver que tinha muito potencial. Fico muito feliz pelo desempenho dele. No começo não era tão finalizador, mas depois, de tanto treinar, ficou muito bom nisso. Ele não tem perna ruim, a técnica dele é diferenciada", completa Germano.
Levir Culpi, hoje no também japonês Gamba Osaka, ainda aproveitou para rasgar elogios à forma como os atletas locais são preparados para o time profissional.
"Aqui, os jogadores são mais bem preparados em termos de fundamento do que no Brasil. Desde os 4, 5 anos, você vê garotinhos chutando de pé direito, de pé esquerdo, cabeceando... Eles não têm o dom que nós temos. Mas é trabalho. O Kagawa é fruto do trabalho e do planejamento. Aqui, há trabalho de divisões de base, diferente do Brasil, onde é brincadeira de mau gosto. No Brasil, não temos didática nenhuma. Aqui, sim. Por isso, surgem mais grandes jogadores japoneses a cada dia", disse.
