43, 44 e 78! Os três crimes que vi do 'pistolero' Suárez

Pou, pou, pou...

Bola nas redes, dentes grandes à mostra e corrida com braços e mãos em movimento para cima e para baixo simulando disparos. A arma é do bem e leva alegria.

As balas são gols. Gols de Luis Suárez, agora 52 em 100 jogos pela seleção do Uruguai, além de 28 assistências. É o maior artilheiro da história da bicampeã mundial.

100. Número redondo que a imprensa adora e que está em 99,9% (tô chutando baixo) das manchetes sobre o Arábia Saudita 0 x 1 Uruguai da quarta-feira 20 de junho de 2018, pela segunda rodada do grupo A da Copa do Mundo na Rússia.

Sou testemunha de três partidas desta centena do camisa 9 com o time celeste. Sim, são só 3% - todas nestes dez anos como jornalista a serviço da ESPN Brasil -, todas com show dele.

Não, nenhuma delas tem a ver com a mão na bola heroica contra Gana no Mundial da África, em 2010, ou com a insana mordida no italiano Chiellini na Copa jogada no Brasil há quatro anos.

São os jogos 43, 44 e 78. Desculpe, não tem número redondo.

O primeiro é a semifinal da Copa América de 2011, na Argentina. Estava lá para cobrir a seleção brasileira de Neymar e Ganso comandada por Mano Menezes, precoce e surpreendentemente eliminada nas quartas de final pelo Paraguai nos pênaltis. Antes de voltar para casa, ida a La Plata ver a semifinal.

Crime 1

Naquela noite de 19 de julho de 2011, Suárez foi certeiro. Em cinco minutos, aos 8 e aos 13 do segundo tempo, derrubou o Peru com duas balas no alvo. Num rebote do goleiro Raúl Fernández após chutaço de Diego Forlán e depois, com a frieza típica de um matador, limpando o camisa 1 após lançamento preciso de Álvaro Pereira e rolando a bola sem piedade para o gol.

Crime 2

Cinco dias depois, lá estava eu no Monumental de Nuñez para a final. Buenos Aires estava tomada por uruguaios e paraguaios, a casa do River Plate cheia, e o mediador era o brasileiro Sálvio Spínola – atualmente comentarista de arbitragem da ESPN.

Tensão? Não para o atacante, que antes de o relógio marcar 12 minutos pegou uma bola espirrada dentro da área, tirou o marcador Verón da jogada em um simples movimento e disparou... De esquerda. No alvo. Para abrir caminho para o triunfo por 3 a 0 - com direito à assistência de cabeça e de primeira para o último gol, de Forlán – que valeu a taça e o fim de um jejum de 16 anos da seleção uruguaia sem títulos.

Crime 3

Copa de 2014. Após a surpreendente derrota para a Costa Rica por 3 a 1 na estreia, o Uruguai chegou para um duelo de tudo ou nada contra a Inglaterra de Gerrard e Rooney naquela fria quinta-feira 19 de junho na Arena Corinthians. O grupo D era considerado o da morte já que ainda tinha a Itália.

E o matador resolveu de novo!

Vinha de uma artroscopia no joelho esquerdo há 28 dias, não jogara a partida inicial por conta da recuperação e talvez nem fosse a campo desde o início contra os europeus se não fosse a situação delicada.

Eram 38 do primeiro tempo quando Cavani lançou na medida para Suárez puxar o gatilho, de cabeça, e sair gritando como um louco. Jogo dificílimo, gol de Rooney aos 30 da etapa final e cheiro de empate no ar... Mas ele estava lá.

Muslera bateu pra frente, Cavani raspou de cabeça, e ‘el pistolero’ surgiu como uma bala, ajeitou com um toque já dentro da área inglesa e fuzilou o gol de Hart. Emoção, choro e vitória uruguaia.

Resumo

Três vezes, cinco gols, uma assistência, raça e entrega de sobra.

Pou, pou, pou... Por mais balas de Luis Suárez!